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O melhor de todos os presentes

Imagem retirada do site: http://www.comidadibuteco.com.br

O domingo está chuvoso e você e o seu namorado resolvem ir ao shopping na esperança de assistir um filme bacana. É um daqueles dias em que todas as salas do cinema estão lotadas – o estacionamento e os corredores mais ainda – porque todas as pessoas da cidade tiveram a mesma ideia que vocês. No meio do caos da praça de alimentação acabam esbarrando justamente naqueles amigos com quem não falam há muito tempo.

– Oi, tudo bem? Nossa, que surpresa encontrar vocês!

– É verdade. Qual foi a última vez que nos vimos?

– Não sei guria, acho que ainda estávamos na faculdade…

– Puxa, é verdade – diz o outro.

Depois daquele abraço sincero, que parece durar muito menos do que a saudade que se sente, vem aquele sagrado silêncio do constrangimento. Enquanto todos procuram, em seu íntimo, um motivo que justifique tanto tempo sem comunicação – justamente numa era em que tudo isso se tornou tão acessível – alguém quebra o silencio apontando uma mesa que acaba de ficar vaga.

Todos ficam aliviados. Logo que sentam ali, alguém conta uma grande novidade. O assunto é bom e leva a outros ainda melhores e mais engraçados. Tudo fica mais leve, o riso fica fácil e natural. Entre uns copos de chope e alguns petiscos, as velhas e boas lembranças vêm à tona. A nostalgia, inevitavelmente, toma conta de todos ali. É um sentimento que pulsa forte e faz todos pensarem no quanto já foram felizes.

De repente um novo silêncio. Os olhinhos ainda sorriem com as histórias revividas ali. Nesse momento alguém olha para o relógio e o encanto, que aparenta ter durado apenas alguns minutos, chega ao seu fim.

– Meu Deus! Já são quase onze horas.

– É verdade, nem vi o tempo passar. As lojas já estão todas fechadas.

– Vamos indo, então. Amanhã temos que acordar cedo para trabalhar.

– É verdade, nós também teremos um dia cheio amanhã.

Todos lembram que são gente grande novamente. E como devia de ser, alguém sai com aquela frase típica e infeliz “Vamos marcar alguma coisa qualquer dia”. É uma daquelas frases prontas, como as que todo adulto diz pra iludir criança e que, no fundo, todo mundo sabe que nunca vai acontecer.

– Sim, vamos marcar mesmo.

Todos se despedem e voltam às suas vidas. Quem sabe, num outro final de semana chuvoso, a vida acorde generosa e resolva lhes presentear novamente. Bons momentos nada mais são do que isso, presentes que nos fazem sorrir como criança ao receber um brinquedo no dia do Natal. Feliz daquele que sabe reconhecê-los e apreciá-los. Sábio aquele que não desiste de lutar por eles.

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Para as águias amigas que se foram

No último semestre do curso de Jornalismo da Univali temos uma disciplina que é destinada exclusivamente ao TCC e que, pelo menos em nossa grade, leva o nome de Projetos Experimentais. Normalmente estas aulas me deixam muito aflita, pois ouço seguidas histórias de trabalhos mal feitos e mal sucedidos na banca. Normalmente saio da classe de cabelo em pé e achando que tudo vai dar errado com o meu projeto de documentário.

Mas aflições e ansiedades a parte, na última aula a professora trouxe uma publicação do famoso Rubem Alves para ser lida em classe. Sempre soube que o tal homem era um autor prestigiado, mas por alguma razão essa foi a primeira vez que um texto dele caiu em minhas mãos e confesso que me identifiquei muito com as palavras do escritor:

“A Águia que (quase) virou galinha

 (Por Rubem Alves)

A ideia desta estória não é minha. Meu é só o jeito de contar… Sobre um águia que foi criada num galinheiro. E foi aprendendo sobre o jeito galináceo de ser, pensar, de ciscar a terra, de comer milho, de dormir em poleiros… E na medida em que aprendia, ia esquecendo as poucas lembranças que lhe restavam do passado. É sempre assim: todo aprendizado exige um esquecimento… e ela desaprendeu.. cume das montanhas, os vôos nas nuvens, o frio das alturas, a vista se perdendo no horizonte, o delicioso sentimento de dignidade e liberdade…

Como não havia ninguém que lhe falasse destas coisas, e todas as galinhas cacarejassem os mesmos catecismos, ela acabou por acreditar que ela não passava de uma galinha com perturbação hormonal, tudo grande demais, aquele bico curvo, sinal certo de acromegalia, e desejava muito que o seu cocô tivesse o mesmo cheiro certo de cocô das galinhas… Um dia apareceu por lá um homem que vivera nas montanhas e vira o vôo orgulhoso das águias.

“Que é que você faz aqui?” ele perguntou.

“Este é o meu lugar”, ela respondeu.

“Todo mundo sabe que as galinhas vivem em galinheiros, comem milho, ciscam o chão, botam ovos e finalmente viram canja: nada se perde, utilidade total…”

 “Mas você não é galinha”, ele disse. “É uma águia”.

“De jeito nenhum. Águia voa alto. Eu nem sequer voar sei. Pra dizer a verdade, nem quero. A altura me dá vertigens. É mais seguro ir andando, passo a passo…”

E não houve argumento que mudasse a cabeça da águia esquecida. Até que o homem, não agüentando mais ver aquela coisa triste, uma águia transformada em galinha, agarrou a águia a força, e a levou até o alto de uma montanha. A pobre águia começou a cacarejar de terror, mas o homem não teve compaixão; jogou-a no vazio do abismo.

Foi então que o pavor, misturado a memórias que ainda moravam em seu corpo, fez as asas baterem, a principio em pânico, mas pouco a pouco com tranqüila dignidade, até se abrirem confiantes, reconhecendo aquele espaço imenso que lhe fora roubado. E ela finalmente compreendeu que seu nome não era galinha, mas águia…”

Não quero parecer piegas, mas sei que assim como eu, muita gente possui o mesmo sentimento de limitação em suas vidas. Aquele terrível medo de arriscar que nos torna pessoas acomodadas, bitoladas, conformadas com o acaso. Achei que valia refletir sobre isso, então reproduzi o texto aqui também.

Dias atrás algumas águias amigas foram retiradas de seus puleiros e arremessadas ao mundo. Nosso galinheiro ficou triste sem elas, mas o seu vôo há de ser bem alto para que as pessoas possam conhecer toda a sua força, majestade e talento.

Meu maravilhoso trabalho de 6 horas diárias

O meu dia de trabalho começa logo que soa o telefone à minha frente.

– Central de Atendimento, Carina, bom dia!
– Quem fala?
– Carina.
– Da onde?
– Da central de atendimento.
– Ah… Bom dia, Fernanda! Na verdade eu só queria uma informação…
– Sim, qual o seu nome?
– É Cláudia.
– Cláudia de quê?

Pausa no outro lado da linha.

– Na verdade é Ana Cláudia, eu queria saber se…
– Ana Cláudia de quê?
– Ana Cláudia da Silva Santos Pereira. Mas porque quer saber meu nome? – o tom da voz, cheia de sotaque, vem carregado de desconfiança.
– É apenas para que eu registre sua ligação, Cláudia.

Ao contrário da orientação de minhas supervisoras, a experiência me ensina que o uso do termo senhora, tão impessoal, em ocasiões como esta só piora as coisas para o meu lado.

– Ah… Bom. Tudo bem, então.

E o tom da voz volta a ser amigável, assim que ela ouve o próprio nome.

– Então é Ana Cláudia da Silva Santos Pereira Weindhenphall.

A pausa dessa vez é minha, dura o tempo em que tento imaginar como se escreve um palavrão desses e o tempo que vai levar para que ela soletre o sobrenome. A pausa é interrompida pelo pior dos meus temores.

– É “w” de Wenceslau.
– Certo – sinto vontade de chorar, mas respiro fundo.
– “E” de escola.
– Certo.
– “I” de igreja.
– Certo.
-“N” de navio.
– Certo.
– “D” de dado.
– Certo.
– “H” de homem.
– Certo.
– “E” de esquisito.
– Certo.
– “N” de navio de novo.
– Certo.
– “P” de pato.
– Certo.
– “H” de homem e de hora.
– Certo.
– “A” de amor e amizade – o pior é quando começa a duplicar os exemplos de nomes com iniciais da letra.
– Certo.
– E dois “L” de lata.

Deixo para perguntar a cidade de onde fala e o telefone para registro de ligação, logo após responder à sua dúvida.

– Correto, dona Cláudia. Em que posso ajudar?
– Na verdade, Juliana… Eu queria saber qual a mensalidade dos cursos de vocês.
– Depende do curso. Qual a senhora teria interesse?
– Qual o mais barato?
– Os de ensino a distância. São licenciaturas.
– Ah, não!!! Mas eu não quero ser professora, ganha muito mal e trabalha muito…

Ela esquece que eu apenas respondi a sua pergunta, responde como se eu tivesse lhe feito uma ofensa.

– Que área de conhecimento a senhora tem interesse?
– Sei lá, alguma que eu vá conseguir um emprego bom depois… Você, que trabalha aí, me diz uma coisa. Que curso você acha que eu arranjaria um emprego mais fácil, um emprego que com certeza eu vá ganhar bem?

Se eu soubesse uma coisa dessas, muito provavelmente não teria escolhido Jornalismo e nem estaria precisando trabalhar num call center. Mas, diante da indecisão da mulher, que pela voz aparenta ter uns 30 anos, arrisco uma sugestão para fugir da saia justa.

– Se a senhora tiver acesso à internet, pode fazer uma pesquisa sobre os cursos que estamos oferecendo para este semestre. Em caso de dúvida pode retornar a ligação…
– Que cursos vocês oferecem aqui em Natal?
– Não temos campi no Rio Grande do Norte, senhora. Somente em Santa Catarina.
– É mesmo? Aí não é da UDGJ?
– Não senhora, falo de outra universidade.
– Desculpe então, Carolina. Foi engano…

E a ligação termina com o estrondo do fone de orelhão sendo colocado no gancho. O barulho vem seguido do conhecido e irritante thu..thu…thu…thu… Fico um pouco aliviada porque desta vez eu não precisei arrancar além do nome, também a cidade para concluir o registro do atendimento.

E essa foi apenas a primeira ligação do dia. Entendeu por que eu trabalho “só” seis horas diárias?

Livre-se dos rótulos

Sempre achei estranho que as pessoas pudessem não gostar de alguém antes de saber direito de quem se trata. Antes mesmo de desfrutar da companhia do sujeito,  antes de saber se tem histórias engraçadas para compartilhar.  Antes de saber como canta, dança e se sabe ou não fazer piruetas. Antes de saber de onde veio e quais dificuldades e felicidades encontrou pelo caminho. Antes mesmo de conhecer o lado bom que ele certamente tem.

É como se nunca mais quisesse tomar chocolate quente por ter sapecado a língua da primeira vez que experimentou. Como se não andasse mais de bicicleta só porque caiu e ralou o joelho quando criança. Como se não beijasse mais na boca porque o primeiro beijo foi ruim. Como se não bebesse mais vinho porque não gostou da dor de cabeça do pós porre.

Pessoas taxativas são assim, nunca dão chance. Acho isso uma pena, pessoas rotuladas sofrem.  Mas quem rotula perde mais, nunca fica sabendo o que poderia encontrar após a primeira impressão. Uma grande amizade? Um grande amor? Um grande sorriso? Uma grande dor? Uma grande saudade? Quem sabe? Mas, uma grande surpresa certamente haveria de achar.

O bem que só ele me faz

carvao

É ele quem atura meus ataques de tagarelice e crises-existenciais-tepeêmicas. É ele que me salva dos cálculos matemáticos. É quem compreende minha melancolia e quem me diz pra confiar sempre que eu penso em desistir. É só ele quem sente falta da pimenta na minha comida. Só ele quem ri do meu jeito atrapalhado de fazer as coisas e quem briga comigo toda vez que percebe o roído das minhas unhas.

Ele me trouxe a paz de um abraço amigo. Ele me fez esquecer a solidão angustiante dos finais de tarde de domingo. Ele me provou que ainda existem caras bacanas e legitimamente avessos às ostentações e futilidades. Ele me mostrou o quanto é bom adormecer com a cabeça no ombro de quem a gente ama. Ele me fez acreditar novamente no amor. _______________________________________________________

Obrigada, meu bem,  por todas as coisas boas que você trouxe para minha vida. Nosso primeiro ano de namoro foi pra lá de especial.

O Mendigo

Numa tarde chuvosa e fria do mês de julho, eis que ouço soar o interfone do meu apartamento. Como já estou habituada às travessuras dos moleques da rua, fui até a janela para me certificar de que não estavam outra vez apertando em vão, e aleatoriamente, nas teclas do aparelho. Para minha surpresa não os vi correndo pela rua. Definitivamente não havia ninguém lá fora.

Mais alguns minutos ouvindo o interfone ecoar nos outros apartamentos e novamente soou perto de mim. Dessa vez pude ver da janela um pé descalço em frente ao portão. Não vi nada mais que isso, pois a pessoa estava escorada atrás da parede. Vez ou outra alguém toca o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.

Preparei um sanduíche de presunto – o queijo estava acabando – e levei para o homem. Confesso que desci a escada satisfeita por cumprir a boa ação do dia.  Afinal estava sendo solidária, enquanto muita gente seria capaz de negar um prato de comida a um pobre faminto – e depois ir à igreja fazer preces pelos pobres.

O homem em frente ao meu portão não parecia bêbado, mas estava maltrapilho e sua figura dava pena. Aquele olhar de gratidão misturado com auto-humilhação fez com que eu me sentisse bem menos generosa. Ele não foi capaz de me olhar nos olhos, sua baixa estima não lhe permitiu. Mas antes de sair, pude ver a esfaimada mordida no pão e o sincero agradecimento:

– Muito obrigada querida, que Jesus te abençoe.

Pode ter sido uma frase pronta, mas prefiro acreditar que não. Muita gente perde a fé por muito menos do que ele. E não estou falando apenas da fé religiosa, mas também não pretendo entrar nesse assunto. O fato é que eu não perguntei o que estava fazendo ali ou o que lhe tinha acontecido para estar sozinho e vagando pelas ruas. Eu poderia ter ligado para o Programa de Orientação ao Migrante (POM) e pedido ajuda, eu poderia ter doado alguns minutos da minha atenção. Ao invés disso, eu lhe dei um sanduíche de presunto. Mesmo sabendo que ele precisava muito mais do que isso.

Depois disso os interfones pararam de tocar naquela tarde. Mas, mesmo assim, eu não fiquei em paz.

Desabafo de uma Operadora de Telemarketing

A operadora de telemarketing acorda todos os dias sabendo que terá de falar com pessoas mal educadas. Ela terá de ser gentil, mesmo quando estiver na TPM. Ela também terá de fingir-se de sonsa, mesmo quando subestimarem sua inteligência.

Ouvirá ironias e grosserias durante aquele dia, foi treinada para deixar o cliente xingá-la até o final, mas não possui o direito de revidar. Responder, rodar a baiana, chamar a mocreia (agora sem acento) do outro lado de vaca? Nunca, pecado mortal! E a grossa que está do outro lado da linha se aproveitará desse fato para enchê-la de lixo a vontade.

Após agradecer pela ligação e pelo monte de desaforos, ops!, quer dizer, pelas sugestões… Talvez ela chore. Mas não pode demorar muito, porque tem pessoas na fila para atender. Então ela engole mais esse sapo e parte logo para a próxima ligação. Afinal o aquecimento global, a fome na África, os atentados terroristas, a morte de Michael Jackson… tudo, tudo mesmo é culpa da operadora de telemarketing.

Ela responderá a todas as perguntas estúpidas que receber pelo telefone sem poder rir. No máximo mostrará ao colega, sentado na P.A ao lado, a quantidade absurda de erros de português contidas nos e-mails que chegaram à sua caixa de entrada – do serviço fale conosco.

 Talvez a moça possa rir e refletir sobre os assassinatos da língua portuguesa mais tarde, durante o intervalo de 10 minutos. Mas só depois de fazer xixi, pois atendeu cinco ligações seguidas sentindo sua bexiga latejar.

Quando finalmente chegar em casa e tiver um tempo para descansar e ver um pouco de TV com a família, encontrará uma crônica debochando do seu trabalho, generalizando sua classe como profissionais incompetentes. Na sua caixa de e-mails pessoais também receberá diversas piadas e vídeos de operadoras lixando as unhas durante os atendimentos, abusando de gerúndios na linguagem e zombando dos clientes bonzinhos e tão educados.

Ela desliga a televisão e vai dormir. Melhor não se aborrecer mais, pois é uma universitária e ainda precisa deste salário para pagar o aluguel.


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Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Natural de Praia Grande (SC), mas acolhida pela cidade de Itajaí (SC) há mais de doze anos. Jornalista. Esposa do Cleberson há cinco anos. Idealista por natureza. Estudante de teatro. Cantora de chuveiro. Ariana com ascendente em gêmeos. Gremista. Ex-coroinha. Estudou no Bulcão Viana e na Univali. Tem especialização em Comunicação Empresarial, mas o rádio é sua grande paixão.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Também foi estudante de Letras.

Deixou a cidade natal aos 19. Morou sozinha e dividiu apê com as amigas. Já comeu muito macarrão instantâneo, mas hoje evita sódio e inclui três cores de salada no prato.

Não tem filhos. Os sobrinhos/afilhados Victor e Luísa e as labradoras, Hanna e Sophia, são os seus xodós.

Dirige com cautela sobre duas rodas. Gosta de maquiagem e literatura. Rói as unhas quando está ansiosa. Gosta de café preto, mas com pouco açúcar. Curte viajar, dançar, cozinhar e cuidar da saúde. Ouve Marisa Monte para ficar em paz e gosta de ir em shows de rock.

Adora contar histórias e receber comentários neste blog.

Essas são algumas impressões sobre si mesma. Sinta-se livre para ter as próprias. E volte sempre que quiser.

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