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A beleza está nos olhos de quem vê

Praia Grande (SC) vista da Serra do Faxinal

Praia Grande (SC) vista da Serra do Faxinal

Outro dia minha prima Elaine, que mora em Curitiba, contava sobre como achava tudo tão lindo em nossa cidade natal e que sempre voltava de lá achando tudo mais esplendoroso do que era antes. Ela ficou surpresa quando um amigo passou por aquelas bandas e veio tomar-lhe satisfações do lugar tão bonito que ela sempre lhe falara, mas que ele não havia reparado coisa alguma.

É claro que a beleza estava nos olhos de minha prima, que nasceu lá e tem grandes laços com aquele lugar e com as pessoas que lá  vivem, enquanto seu amigo, não permaneceu na cidade mais do que o tempo suficiente para tomar um café na lanchonete do posto de gasolina.

Só que para algumas pessoas, não seria necessário muito mais tempo do que isso para encantarem-se com a pracinha de cidade pequena, as torres majestosas da Igreja no centro da cidade, as águas cristalinas correndo sob a ponte, as pessoas amáveis andando pelas ruas, a imponente cadeia de montanhas cercando tudo e oferecendo aquele ar provinciano de cidadezinha do interior.

Talvez o tal amigo esperasse encontrar mais uma belíssima praia catarinense ou, quem sabe, grandes edificações de descendentes europeus, ou ainda, uma cidade super estruturada, com shoppings centers, grandes bares, restaurantes temáticos e casas noturnas como as da nossa capital e demais cidades turísticas do Estado. Pode ser que sim. E não estaria errado por isso. Já devíamos estar acostumados com essa diferença cultural entre as pessoas.

É quase como aquele dia em que sua amiga, de vinte e poucos anos, admitiu considerar o Antônio Fagundes um cara atraente enquanto você o considera alguém tão sensual quanto o seu tio-avô. Ou então, como aqueles dias em que tem a necessidade de ficar ouvindo uma canção seguidas vezes a fim de prolongar uma sensação de alegria, tristeza ou nostalgia e as pessoas ao seu redor ficam protestando porque não conseguem compreender isso.

É realmente estranho que certas coisas nos emocionem ao mesmo tempo em que provocam coisa alguma em quem está ao nosso lado. Mas a verdade é que um quadro, uma música, uma fotografia, uma paisagem, uma escultura, um livro, um poema, um lugar qualquer perdido na lembrança, nada disso provoca absolutamente nada. O que dá sentido e beleza a tudo isso, caros amigos, é o sentimento de quem o percebe. Trocando em miúdos, a beleza está nos olhos de quem vê.

 

Cânion Churriado

Cânion Churriado

Morro dos Cabritos

Morro dos Cabritos

Cachoeira Índios Coroados

Cachoeira Índios Coroados

 

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A tecnologia evoluindo mais rápido do que nós

Imagem extraída do blog: deciocoelho.blogspot.com

Imagem extraída do blog: deciocoelho.blogspot.com

Ainda ontem o mundo era diferente. Hoje cedo acordamos, abrimos a janela do quarto e nos deparamos com um universo ao nosso alcance, de um jeito que nunca imaginávamos encontrar.

Até ontem a pesquisa era feita na biblioteca da escola. Hoje cheguei na pós-graduação e o professor citou um autor qualquer durante a aula e no mesmo instante o Google nos apresentou diversas páginas de sua biografia completa via celular. E isso é muito bom.  Facilitou nossa vida, a troca de informações e a propagação do conhecimento.

Além de nos apresentar o mundo, o avanço dessas novas tecnologias também nos permitiu difundir nossas ideias em poucos segundos para milhares de pessoas, seja através de um artigo de relevância científica, de um blog qualquer ou de um curto post no Twitter. Com isso também passamos a ter o poder de influenciá-las, instigá-las, criticá-las e até mesmo ofendê-las sem mesmo sair de nossas casas.

É inegável que muita coisa mudou em muito pouco tempo. Mas é preciso considerar que a palavra ainda possui força imensa e continua inteiramente ligada às relações de poder, sendo instrumento importante nas relações humanas.

Assim, quem tem o dom da palavra ainda possui a capacidade de conquistar, seduzir, distorcer realidades, iludir pessoas, magoar, oprimir e, por vezes, até humilhar. Algumas vezes com intenção de fazê-lo, outras, simplesmente por extrapolar o modo como expõe seu pensamento ao outro. As redes sociais, nesse contexto, estão à mercê do nosso bom senso – que, infelizmente, nem sempre acorda de bom humor.

A verdade é que a tecnologia avançou numa velocidade incompatível ao nosso próprio desenvolvimento e nos pegou meio despreparados, com as calças nas mãos. Mas de tudo que foi feito e dito, o que fica é que ainda temos um longo caminho a percorrer até encontrarmos um ponto de equilíbrio. Não me perguntem onde fica, também não sei dizer. Também sou do tempo em que trocar bilhetinhos durante a aula era a forma mais rápida de comunicação com os colegas.

Mas sei que até lá, muitas farpas serão trocadas via Facebook, muitos conflitos e ultrajes serão disseminados, muitas feridas ainda serão abertas. Que saibamos educar nossos filhos para lidar com este mundo novo, porque nossa geração foi pega de surpresa e ainda está engatinhando neste caminho onde as regras de convivência parecem muito diferentes das que aprendemos com nossos pais.

Identidade

Que tipo de pessoa perde o RG, não percebe e uma semana depois, numa compra na feirinha do bairro, já encontra o documento pendurado na geladeira do estabelecimento?
Eu.
E ainda precisou minha amiga Gezaela vir de Floripa pra me visitar, ir comprar tomate comigo, para me reconhecer na tal foto.
É. Pensando bem, até que eu sou uma pessoa de sorte.
Eu já tive 15 anos

Eu já tive 15 anos

Não culpe a Dilma

Tenho visto muita gente pedindo a renúncia da Dilma. Não penso que seja correto responsabilizá-la pela corrupção, quando sabemos que essa existe muito antes do nosso país tornar-se uma república. Compará-la ao Collor, então… É lamentável.

A corrupção começa muito, mas muito abaixo da Presidente. Começa no povo, que se vende por cesta básica e continua nos governantes que compram o voto dele e fazem leis que beneficiam a si mesmos e aos patrocinadores de suas campanhas.

O governo de Dilma teve erros e acertos, concordo, mas não esqueçam que a Presidente já foi uma cidadã que foi às ruas para lutar pelo Brasil e que sofreu na pele os desmandos da ditadura.

A política é um jogo, companheiros. Não deve ser fácil ocupar um cargo onde as coisas funcionam à base do toma lá da cá. O problema não é a Dilma. É o sistema. Culpar a Presidente é muito fácil, quero ver é cumprir o nosso papel de cidadãos conscientes, fiscalizando, cobrando ações de nossos candidatos e votando com sabedoria.

Muito mais que presente

É dia dos namorados e o ritual se repete. É jantarzinho romântico pra cá, é florzinha pra lá, é balãozinho de coração voando pelas ruas, é cartão com direito a poema e dedicatória especial, é reserva na suíte premium do motel. Pode ser amor, mas também é comércio.

E eu nada tenho contra a data, embora ela tenha sido estabelecida para aquecer a economia. Nada tenho contra a comemoração, embora ela entristeça os corações solitários. Nada tenho contra o dia dos namorados, pois muitos casais precisam dela pra lembrar que possuem uma relação e um compromisso com alguém que lhes dedica amor em quase todos os dias do ano.

Sim porque amar é muito mais que um cartão em datas comemorativas ou de um buquê que você recebe na frente da família ou dos colegas de trabalho. Amor é aquilo que não precisa ser mostrado pra ninguém, nem em outdoors pela rua, nem em carro de som com música do Bryan Adams, nem em dedicatórias nas redes sociais. São aquelas pequenas atitudes do dia a dia, imperceptíveis para quem está de fora, mas gigantes para quem recebe.

Antes do romantismo, antes do sexo, antes de qualquer compromisso formal, o amor é cuidado. Amor é pegar no sono no sofá, em dia de frio, e acordar coberto por um edredom quentinho. É passar mal de madrugada e ter alguém pra buscar um remédio na farmácia ou pra te fazer um chá de boldo depois daquela ressaca. É ter alguém pra te dar bronca porque você anda descalço no piso. É ter um ombro macio pra chorar e confiar. É sentir que tem alguém a teu favor, mesmo quando o mundo todo parecer contra.

As demonstrações de afeto verdadeiro nada têm a ver com o dinheiro. São de graça e são simples. Sentir-se amado é reparar no outro um orgulho de ter você ao lado, mesmo que isso não seja dito. É ter alguém para dividir o dia. É não precisar se preocupar com a roupa que vai vestir porque o outro já te viu com o cabelo desarrumado, vestindo aquele pijama desbotado e, nem por isso, saiu correndo porta afora. É ter alguém pra sentir saudades ao longo do dia.

Há quem diga que o encantamento da paixão, com o tempo, transforme-se numa amizade mais profunda. Que seja amizade o nome então, mas que a sua essência não se confunda em meio a tantos outros interesses.

Não vamos fazer nenhuma apologia ao fim do dia dos namorados, nem vamos apelar para o clichê “que ele seja vivido todos os dias do ano…”. Então vamos apenas desejar que cada um de nós possa dedicar um pouquinho deste dia para refletir sobre a relação que cultiva e no que pode fazer de bom pelo outro. Que saibamos reconhecer que, mesmo diante de alguns defeitos terríveis e aparentemente incorrigíveis, existe algo neste ser que nos trouxe até aqui e que, de algum modo, nos fez ler este texto longo até o fim.

Sendo assim, feliz dia dos namorados pra mim, pra você, para o seu amante-amigo e também para a balconista da loja que, graças ao dia dos namorados, vai faturar um trocado a mais com a comissão deste mês. Então, um viva ao amor! Ao seu, ao meu, ao dela e ao de quem ainda está a procura.

É culpa do estresse e da falta de tempo

O estresse e a falta de tempo virou justificativa para todas as nossas falhas. Quer ver?

Se não faço atividade física…

É por falta de tempo.  Se engordar e adoecer é por causa do estresse.

Se não me alimento direito…

É por falta de tempo. Se tiver azia e má digestão é por causa do estresse.

Se não procuro meus amigos…

É por falta de tempo. Se eles me tratam com indiferença é por causa do estresse.

Se tratar com rispidez quem eu gosto…

É por falta de tempo. Se ficarem magoados comigo é por culpa do estresse.

Se não namoro mais…

É por falta de tempo. Se o coração entristecer é por causa do estresse.

Se não cozinho mais os pratos favoritos…

É por falta de tempo. Se perder o prazer em comer é por causa do estresse.

Se não leio mais livros interessantes…

É por falta de tempo. Se me irrito com as bobagens da internet é por causa do estresse.

Se não assisto mais filmes bons…

É por falta de tempo. Se não tenho mais paciência para as incoerências das novelas é por causa do estresse.

Se não danço mais…

É por falta de tempo. Se esquecer dos passos é por causa do estresse.

Se não canto mais…

É por falta de tempo. Se esquecer da melodia é por causa do estresse.

Se não estudo mais…

É por falta de tempo. Se não compreender direito é por causa do estresse.

Se não me cuido mais…

É por falta de tempo. Se minha autoestima cair é por causa do estresse.

Se eu não escrevo mais neste blog…

É por falta de tempo. Se meus poucos leitores fieis reclamarem é por causa do estresse.

E a liberdade de expressão, Joelma?

Imagem extraída do site: http://sombrasilpelotas.blogspot.com.br

Imagem extraída do site: http://sombrasilpelotas.blogspot.com.br

O preço exorbitante do tomate e as declarações envolvendo a cantora Joelma, da banda Calypso, saturaram as redes sociais e os noticiários dos últimos dias. Depois que Joelma comparou o homossexualismo ao vício em drogas e disse acreditar na reabilitação dos gays, viu sua vida ser transformada numa verdadeira polêmica.

Tenho que dizer que acho contraditório ver a tal da Joelma sendo agredida por quem também diz defender o direito de liberdade de expressão. Nunca fui contra os gays, aliás, sempre tive vários amigos homossexuais. O fato é que do mesmo modo que respeito a sua opção sexual, diferente da minha, preciso respeitar a opinião da cantora paraense que é tão diferente quanto. Seja por questões religiosas ou qualquer outra que tenha interferido na formação do seu julgamento.

A democracia só existe se o discurso for aquele aceito pela “maioria”. Neste caso e em muitos outros as pessoas têm aprendido que para não serem tratadas como “alienadas” precisam anular o próprio juízo de valor. Sendo assim, o que poderia gerar uma discussão saudável e esclarecedora termina em ideias retraídas ou em legítimo insulto coletivo.

A verdade é que em tempos de democracia ainda vivemos na era da intolerância. Seja a intolerância manifestada através da homofobia, seja a intolerância para com quem apresenta crenças divergentes das aceitas pela opinião pública. A violação de direitos existe dos dois lados.


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Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripe e do nono Carboni. Jornalista. Recém-casada. Esposa do Cleber. Idealista por natureza. Cantora de chuveiro. Ariana. Gremista. Ex-coroinha. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana e da Univali. Tem especialização em Comunicação Empresarial, mas o rádio é a sua grande paixão.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Ansiedade é a sua marca. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia congestionamentos. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina de vez em quando.

Como jornalista está ciente que hard news não é muito a sua praia. Tem carteira de habilitação, mas paga pra não precisar dirigir carro. Gosta de maquiagem e literatura. Adora contar histórias e receber comentários neste blog.

Essas são algumas impressões sobre si mesma. Sinta-se a vontade para ter as suas próprias e volte sempre que quiser.

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