Futuras médicas

as-patricinhas-de-beverly-hills-31545
Imagem do filme As Patricinhas de Beverlly Hills

Elas são umas cinco ou seis, não tenho certeza quanto ao número, porque são iguaizinhas. Tem a mesma cor, o mesmo corte de cabelo, usam o mesmo jeans rasgado no joelho, o mesmo tênis e a mesma bolsa de marca. Elas não têm mais do que vinte anos.

Dias atrás, com a proximidade do verão, decidiram que estava na hora de se matricular na academia. Na verdade, uma decidiu e as outras seguiram. Todos nós que assistimos “As Patricinhas de Beverlly Hills” sabemos que elas precisam de uma líder para ditar o que comprar e como se comportar. Deve ser a mesma que elas imitam durante os exercícios.

A moça simpática da recepção, para elas, é invisível. O instrutor que gentilmente as cumprimenta, é ignorado. Desde que apareceram por ali, o vestiário passou a ser uma extensão da suíte delas. Depois do treino tomam banho, uma do lado da outra. Ligam a caixa de som com a música que elas gostam, espalham todos os pertences sobre os bancos, onde os outros alunos não podem mais sentar. Ocupam todas as tomadas com seus secadores, as bancadas com seus cosméticos, maquiagens e ítens de higiene. Não bastasse a música alta, fazem uma algazarra sem tamanho.

Seus pais lhe deram carro aos dezoito. Pagaram boas escolas para que recebessem a melhor educação. Pagam a mensalidade cara da faculdade e sustentam todos os seus luxos. Mas não ensinaram o respeito aos outros. Que pena. O jaleco, atirado sobre o banco, denuncia o curso em que estão matriculadas. Em poucos anos, se tornarão médicas. Vão nos atender nas Unidades de Pronto Atendimento, consultórios e hospitais da região. Não gosto de pensar no tipo de serviço que irão prestar.

Por certo, vão fazer parte da mesma turma daquela dermatologista. Aquela que dias atrás chegou com uma hora de atraso para a primeira consulta do dia que, no caso, era a minha. Atendeu-me em menos de dez minutos. Com a mesma educação que a delas, decidiu que não me devia desculpas por ter me feito esperar. Sequer suspeitou que, naquele dia, eu tinha compromissos marcados e que não puderam ser cumpridos por causa do seu atraso injustificado. Que para chegar no horário da consulta, marcada há semanas, naquela manhã saí sem terminar o meu café.

Mas o que eu podia esperar? Então eu não sei que médico é Deus? Até as jovens estudantes e estúpidas sabem disso. E, desde já, fazem valer o seu direito.

(PS: Conheço bons médicos, mas sei que não se sentirão ofendidos com este post, porque sabem que existem bons e maus profissionais, assim como em outras profissões.)
Anúncios

1 Response to “Futuras médicas”


  1. 1 Tadeu Brandão Cavalcante 16/12/2017 às 13:38

    Lamentável… mas tive uma dúzia de colegas e “colegos” de turma que cabem no rótulo. Espero que estejam bem, alías, que as pessoas que passarem por eles estejam.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s




Já passaram pelo Diário

  • 165.739 visitantes

Digite seu email para acompanhar o Diário de Carina e receber notificações de novos posts via e-mail.

Junte-se a 418 outros seguidores

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Natural de Praia Grande (SC), mas acolhida pela cidade de Itajaí (SC) há mais de doze anos. Jornalista. Esposa do Cleberson há cinco anos. Idealista por natureza. Estudante de teatro. Cantora de chuveiro. Ariana com ascendente em gêmeos. Gremista. Ex-coroinha. Estudou no Bulcão Viana e na Univali. Tem especialização em Comunicação Empresarial, mas o rádio é sua grande paixão.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Também foi estudante de Letras.

Deixou a cidade natal aos 19. Morou sozinha e dividiu apê com as amigas. Já comeu muito macarrão instantâneo, mas hoje evita sódio e inclui três cores de salada no prato.

Não tem filhos. Os sobrinhos/afilhados Victor e Luísa e as labradoras, Hanna e Sophia, são os seus xodós.

Dirige com cautela sobre duas rodas. Gosta de maquiagem e literatura. Rói as unhas quando está ansiosa. Gosta de café preto, mas com pouco açúcar. Curte viajar, dançar, cozinhar e cuidar da saúde. Ouve Marisa Monte para ficar em paz e gosta de ir em shows de rock.

Adora contar histórias e receber comentários neste blog.

Essas são algumas impressões sobre si mesma. Sinta-se livre para ter as próprias. E volte sempre que quiser.

Eles passam por aqui

Anúncios

%d blogueiros gostam disto: