Sempre achei estranho que as pessoas pudessem não gostar de alguém antes de saber direito de quem se trata. Antes mesmo de desfrutar da companhia do sujeito, antes de saber se tem histórias engraçadas para compartilhar. Antes de saber como canta, dança e se sabe ou não fazer piruetas. Antes de saber de onde veio e quais dificuldades e felicidades encontrou pelo caminho. Antes mesmo de conhecer o lado bom que ele certamente tem.
É como se nunca mais quisesse tomar chocolate quente por ter sapecado a língua da primeira vez que experimentou. Como se não andasse mais de bicicleta só porque caiu e ralou o joelho quando criança. Como se não beijasse mais na boca porque o primeiro beijo foi ruim. Como se não bebesse mais vinho porque não gostou da dor de cabeça do pós porre.
Pessoas taxativas são assim, nunca dão chance. Acho isso uma pena, pessoas rotuladas sofrem. Mas quem rotula perde mais, nunca fica sabendo o que poderia encontrar após a primeira impressão. Uma grande amizade? Um grande amor? Um grande sorriso? Uma grande dor? Uma grande saudade? Quem sabe? Mas, uma grande surpresa certamente haveria de achar.


o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.
quando estiver na TPM. Ela também terá de fingir-se de sonsa, mesmo quando subestimarem sua inteligência.
Deve ter um jeito de atravessar na faixa de pedestre sem correr o risco de ser atropelada;
Em toda minha vida não me lembro de um tempo em que me sentisse tão desmotivada quanto agora. Tirando meu namorado tudo-de-bom, posso dizer que as coisas estão um verdadeiro caos por aqui. 
“Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não…”
Eu não estava acostumada a ter de esperar o sinal fechar, para só então atravessar a rua. Eu me sentia tão pequena diante de todos os prédios, diante do movimento dos carros na ruas, de tantos rostos estranhos andando pelas calçadas.
viu o bicho de pelúcia junto da pequena bagagem:
Aqui me tornei mulher. Aqui ‘aprendi’ a cozinhar e a cuidar de mim mesma; Mentir que estava bem e, às vezes, até fingir que estava mal. Ganhei peso. Perdi cabelo. Ganhei amigos. Arranjei – quem diria? – até inimigos. Morei só. Dividi apartamento. Chorei de tristreza. Me apaixonei. Tomei o primeiro porre. Conheci lugares lindos. Peguei praia, balada e até enchente – quem poderia acreditar que viria da Terrra das Enxurradas para encontrar enchente justo aqui???











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