Textos categorizados 'nostalgias'

Vilarejo

 
 Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
 
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
 
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
 
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
 
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
 
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
 
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes

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Não é segredo pra ninguém o quanto  faz bem pra minha vida o canto de Marisa Monte. Sempre que bate aquela deprê, gosto de  colocar o cd pra tocar e ficar quieta. Gosto daquele sentimento de paz invadindo a alma. É uma sensação semelhante a caminhada beira-mar, ao banho quente após um dia de muito cansaço, beber água para saciar a sede ou poder dar um abraço em quem se tem saudades.

Quando sinto vontade de fugir, sempre  fico imaginando o Vilarejo descrito na canção. Outras vezes gosto de lembrar do Vilarejo onde nasci e de onde sinto saudades.

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Visão área de Praia Grande/SC, fotografia feita do topo da Igreja Matriz (no coração da cidade)

 

Lareira, vinho e muito Rock’n Rool

Sextas-feiras frias me fazem lembrar a adolescência. Nasci e cresci numa cidade de pouco mais de oito mil habitantes. Num lugar assim fica fácil imaginar que as opções de festas são bastante restritas. Nos finais de semana do verão a pracinha da cidade, ponto de encontro dos jovens, ficava deserta pois a juventude espalhava-se pelas praias do litoral próximo.

Mas as noites de inverno na única pizzaria da cidade eram deliciosas. Uma lareira era mantida acesa, mas o que realmente aquecia as noites de sextas era o sabor dos vinhos e o bom rock das bandas gaúchas.

Pra quem não conhece, segue uma amostra de uma das minhas canções preferidas:

Me leva pra casa – Alemão Ronaldo:

Na casa da minha vó

                                        

Minha vó foi a pessoa mais anti-tecnologia que eu já conheci. Na casa dela não havia eletricidade, portanto, nada de televisão e geladeira. Havia um rádio AM da década de 50 movido a pilha. Ele  ficava sobre a mesa da cozinha, encostado a parede. Era sua única fonte de informação. 

A noite, as velas iluminavam o ambiente e tudo ganhava um tom de mistério. As coisas ganhavam outra forma, os móveis se ampliavam. Ainda me lembro de como aquilo tudo era aterrorizante na minha infância. Não gostava de dormir lá. Mas os dias eram deliciosos.

Ainda lembro do cantar das cigarras nas quentes tardes de dezembro. As galinhas e os pintinhos circulando livremente pelo quintal. Os imensos pés de roseira sem poda, o abacateiro e o curioso pé de chuchu. A  goiabeira torta, onde gostava de me pendurar.  As coloridas hortências eram de encher os olhos. Brancas, rosas, axuis e lilases. 

Havia sempre uma caixa de lenha embaixo da janela. Eram cortadas por ela mesma no entardecer. Sobre a mesa ao lado, gigantes bacias e baldes de alumínio. Os antigos armários com portas de vidro guardavam fotografias minhas, dos meus primos e irmãos. O sofá da sala era vermelho e antigo, como todo o restante da mobília. Ao lado da porta também havia a máquina de costura deixada por minha tia.

Vejo minha mãe e eu sentadas na cozinha, toalha verde quadriculada sobre a mesa. De vez em quando uma mosca surgia a procura de algum farelo de broa de polvilho. Ah… As broas de polvilho… Nunca mais comi uma dessas… Minha vó as assava no fogão à lenha. A fôrma feita de lata era revestida com folha de bananeira. Batata doce cozida, bolo de fubá bem amarelinho e as famosas e temidas rosquinhas salgadas de polvilho. Ninguém aprendeu o segredo de fritar as rosquinhas estouradeiras. Sabores que jamais teremos o prazer de degustar novamente.

Ela era inteligente. Lia e escrevia. Costumava chamar-me de “Negrinha” e fazia contas de cabeça como ninguém. Alfabetizou algumas pessoas, mas não quis ser professora. Fugia do convencional. Ela não sabia fazer tricô, nem freqüentava grupos de terceira idade. Muito raramente saía de casa, mas sempre fez questão de comparecer à missa de Ramos. Alta e esguia, quase não tinha cabelos brancos. Gostava de vestido de malha. Usava um imenso chapéu de palha quando saia à rua, para proteger-se do sol. O cabelo sempre preso com pequenas tranças escondidas por um lencinho preto. Assim como eu, também usava óculos de armação preta. Porém maiores.  Era bonita, mas quase não tinha vaidade.

Minha vó viveu sozinha por 24 anos, desde que meu avô partiu desta pra melhor. E sua vida sempre foi assim, sem conforto algum. Não, ela não era pobre ao ponto de não ter acesso a uma vida menos trabalhosa. Pelo contrário, vivia assim porque queria. Foi sua opção de vida. Gostava de acordar cedo e tirar leite da vaca, capinar o milho, escolher feijão,  mandar o arroz  para descascar. Buscar água de balde na nascente, moer o café nascido no terreiro, filtrá-lo no coador de pano. Essas eram algumas das suas práticas diárias.

Ninguém compreendia o porquê de tamanha resignação na  sua forma de vida, mas mesmo assim respeitavam. Hoje entendo que foi tudo aquilo  que a fez viver até os 84 anos com tamanha vitalidade. A vida no campo, respirar ar fresco, trabalhar na lavoura, cultivar os próprios alimentos. Essa era a sua fonte de saúde. Os apelos do consumo não a atingiam. Vivia cada dia de uma vez e estava protegida contra os males do mundo e as tragédias anunciadas pelos noticiários. 

Sinto orgulho e saudades da minha vó. E isto é tudo.


Enquanto isso a vida segue…

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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

Sobre a isenção jornalística

"A isenção é como a felicidade. Em termos absolutos e permanentes, é inalcançável, mas nem por isso deixamos de correr atrás dela.

A felicidade e a isenção estão onde nunca poemos os pés. Mas por que parar de caminhar se a caminhada nos faz bem e nos torna pessoas melhores?"

- Franklin Martins

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