Textos categorizados 'Mendigo'

O Mendigo

Numa tarde chuvosa e fria do mês de julho, eis que ouço soar o interfone do meu apartamento. Como já estou habituada às travessuras dos moleques da rua, fui até a janela para me certificar de que não estavam outra vez apertando em vão, e aleatoriamente, nas teclas do aparelho. Para minha surpresa não os vi correndo pela rua. Definitivamente não havia ninguém lá fora.

Mais alguns minutos ouvindo o interfone ecoar nos outros apartamentos e novamente soou perto de mim. Dessa vez pude ver da janela um pé descalço em frente ao portão. Não vi nada mais que isso, pois a pessoa estava escorada atrás da parede. Vez ou outra alguém toca o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.

Preparei um sanduíche de presunto – o queijo estava acabando – e levei para o homem. Confesso que desci a escada satisfeita por cumprir a boa ação do dia.  Afinal estava sendo solidária, enquanto muita gente seria capaz de negar um prato de comida a um pobre faminto – e depois ir à igreja fazer preces pelos pobres.

O homem em frente ao meu portão não parecia bêbado, mas estava maltrapilho e sua figura dava pena. Aquele olhar de gratidão misturado com auto-humilhação fez com que eu me sentisse bem menos generosa. Ele não foi capaz de me olhar nos olhos, sua baixa estima não lhe permitiu. Mas antes de sair, pude ver a esfaimada mordida no pão e o sincero agradecimento:

- Muito obrigada querida, que Jesus te abençoe.

Pode ter sido uma frase pronta, mas prefiro acreditar que não. Muita gente perde a fé por muito menos do que ele. E não estou falando apenas da fé religiosa, mas também não pretendo entrar nesse assunto. O fato é que eu não perguntei o que estava fazendo ali ou o que lhe tinha acontecido para estar sozinho e vagando pelas ruas. Eu poderia ter ligado para o Programa de Orientação ao Migrante (POM) e pedido ajuda, eu poderia ter doado alguns minutos da minha atenção. Ao invés disso, eu lhe dei um sanduíche de presunto. Mesmo sabendo que ele precisava muito mais do que isso.

Depois disso os interfones pararam de tocar naquela tarde. Mas, mesmo assim, eu não fiquei em paz.


Enquanto isso a vida segue…

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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

Sobre a isenção jornalística

"A isenção é como a felicidade. Em termos absolutos e permanentes, é inalcançável, mas nem por isso deixamos de correr atrás dela.

A felicidade e a isenção estão onde nunca poemos os pés. Mas por que parar de caminhar se a caminhada nos faz bem e nos torna pessoas melhores?"

- Franklin Martins

Todo mundo Lê o Diário

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