Posts Tagged 'Crônica Social'

É culpa do estresse e da falta de tempo

O estresse e a falta de tempo virou justificativa para todas as nossas falhas. Quer ver?

Se não faço atividade física…

É por falta de tempo.  Se engordar e adoecer é por causa do estresse.

Se não me alimento direito…

É por falta de tempo. Se tiver azia e má digestão é por causa do estresse.

Se não procuro meus amigos…

É por falta de tempo. Se eles me tratam com indiferença é por causa do estresse.

Se tratar com rispidez quem eu gosto…

É por falta de tempo. Se ficarem magoados comigo é por culpa do estresse.

Se não namoro mais…

É por falta de tempo. Se o coração entristecer é por causa do estresse.

Se não cozinho mais os pratos favoritos…

É por falta de tempo. Se perder o prazer em comer é por causa do estresse.

Se não leio mais livros interessantes…

É por falta de tempo. Se me irrito com as bobagens da internet é por causa do estresse.

Se não assisto mais filmes bons…

É por falta de tempo. Se não tenho mais paciência para as incoerências das novelas é por causa do estresse.

Se não danço mais…

É por falta de tempo. Se esquecer dos passos é por causa do estresse.

Se não canto mais…

É por falta de tempo. Se esquecer da melodia é por causa do estresse.

Se não estudo mais…

É por falta de tempo. Se não compreender direito é por causa do estresse.

Se não me cuido mais…

É por falta de tempo. Se minha autoestima cair é por causa do estresse.

Se eu não escrevo mais neste blog…

É por falta de tempo. Se meus poucos leitores fieis reclamarem é por causa do estresse.

Alienados.com

Eu já tinha checado o twitter, os e-mails e o blog. Também já tinha respondido a todos os recados do Orkut e checado os contatos on line do Messenger. Era um daqueles dias em que entram só dois tipos de pessoa no seu MSN, os xaropes bloqueados e os xaropes que você não bloqueou e não sabe nem o porquê de não ter feito isso ainda. Mas o fato é que estava eu ali de bobeira, navegando pelos portais de notícias, quando me deparei com uma editoria chamada “Noveleiros”.

Todo mundo está careca de saber que eu sempre gostei de assistir novela, mas daí perder tempo em ler fofoca sobre elas… Bom, isso sempre me pareceu muita futilidade e falta do que fazer. Mas não naquele dia. Por alguma razão, provavelmente curiosidade, fui atraída por aquela manchete que dizia “Os objetos mais desejados de Viver a Vida”.

Quando cliquei no link http://wp.clicrbs.com.br/noveleiros/2010/02/18/saiba-quais-sao-os-objetos-mais-desejados-de-viver-a-vida/ descobri que existe uma seção na Rede Globo, chamada Central de Atendimento ao Telespectador (CAT). Ela é especializada em atender um bando de desocupados que liga para o local querendo saber onde compra os objetos que ilustram o cenário das novelas. E pra piorar, o objeto mais cotado entre os noveleiros de plantão, era a cadeira de rodas igual a da personagem Luciana.

Diante dessa influência imbatível do discurso e da imagem televisiva, só pude lamentar o fato de serem raros os personagens que aparecem em cenas com livros, jornais e revistas sobre as mãos. Também lastimei o fato dos negros sempre serem retratados como pobres, empregados domésticos, bandidos, favelados e até como seres exóticos – isso num país colonizado basicamente por escravos. E quando bem sucedidos, estão sempre levantando a bandeira de coitadinho que venceu na vida mesmo diante do preconceito.

Está bastante claro que essa necessidade popular de viver a vida das novelas, literalmente falando, é um prato cheio para as emissoras e um incentivo a mais para este consumismo desenfreado. Posso dizer que com um nível de alienação como esse, daqui a pouco os babacas estarão ligando para perguntar como fazer para ficar tetraplégico como a moça da novela. E outro tipo de desocupado, os alienados.com, estarão lendo as manchetes enquanto navegam pelos portais e depois escrevendo postagens em seu blog para você ler e comentar.

Você sabe o que é o Natal?

Posso imaginar as enquetes de jornais, daqui alguns anos, perguntando às pessoas na rua porque dia vinte e cinco de dezembro é feriado. Em seguida, um historiador com cara de chato estará explicando como tudo isso começou. Mas como ele é chato, ninguém vai prestar atenção em nada porque todo mundo já está careca de saber que Natal serve para dar e receber presentes. E comer peru, é claro.

Se achou isso meio absurdo, pergunte a qualquer criança com menos de dez anos sobre o que é o Natal. Aposto que a resposta não seria muito distante disso. É que o símbolo do Natal tornou-se mesmo o Papai Noel. Repare em como ele tem invadido as ruas, as vitrines, as fachadas das casas e dos jardins nos últimos anos.

A celebração natalesca do consumo tenta então remendar a desigualdade com campanhas de solidariedade, como se a doação de um carrinho de R$1,99 fosse amenizar o sentimento do menino pobre que sonhou o ano inteiro com um vídeo game que custava quinhentas vezes mais.

Sim, é verdade que o Natal gera renda para muitas famílias. Também é verdade que é o motor de muitas indústrias que dão emprego aos pais das crianças esquecidas pelo “bom velhinho” – que na teoria não deveria esquecer-se de ninguém. Mas é fato que o Natal só tem graça para quem tem algum dinheiro para gastar, pois para quem não o tem, não passa mesmo de um momento de extrema exclusão.

E o que dizer dos comerciais de televisão que já dizem onde você deverá empregar o seu 13º salário? E das pessoas que se obrigam a ficar com o saldo negativo para suprir os desejos dos filhos e da pressão comercial que gira em torno da data?

Mas o Natal é também solidariedade e generosidade, então vamos fazer como disse o cara do comercial da TV e torrar nosso 13º salário em presentes legais para as pessoas que amamos (só para não pegar mal). E para não pesar a consciência, vamos doar um brinquedo made in china aos pobres.

Poderia dizer que um dia alguém veio a terra para ensinar que doação é repartir aquilo que temos de melhor com o outro. Doar as sobras não iria condizer com os seus ensinamentos… Mas quem iria se importar com esse cara? Ninguém nem mesmo sabe quem foi ele…

O Mendigo

Numa tarde chuvosa e fria do mês de julho, eis que ouço soar o interfone do meu apartamento. Como já estou habituada às travessuras dos moleques da rua, fui até a janela para me certificar de que não estavam outra vez apertando em vão, e aleatoriamente, nas teclas do aparelho. Para minha surpresa não os vi correndo pela rua. Definitivamente não havia ninguém lá fora.

Mais alguns minutos ouvindo o interfone ecoar nos outros apartamentos e novamente soou perto de mim. Dessa vez pude ver da janela um pé descalço em frente ao portão. Não vi nada mais que isso, pois a pessoa estava escorada atrás da parede. Vez ou outra alguém toca o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.

Preparei um sanduíche de presunto – o queijo estava acabando – e levei para o homem. Confesso que desci a escada satisfeita por cumprir a boa ação do dia.  Afinal estava sendo solidária, enquanto muita gente seria capaz de negar um prato de comida a um pobre faminto – e depois ir à igreja fazer preces pelos pobres.

O homem em frente ao meu portão não parecia bêbado, mas estava maltrapilho e sua figura dava pena. Aquele olhar de gratidão misturado com auto-humilhação fez com que eu me sentisse bem menos generosa. Ele não foi capaz de me olhar nos olhos, sua baixa estima não lhe permitiu. Mas antes de sair, pude ver a esfaimada mordida no pão e o sincero agradecimento:

- Muito obrigada querida, que Jesus te abençoe.

Pode ter sido uma frase pronta, mas prefiro acreditar que não. Muita gente perde a fé por muito menos do que ele. E não estou falando apenas da fé religiosa, mas também não pretendo entrar nesse assunto. O fato é que eu não perguntei o que estava fazendo ali ou o que lhe tinha acontecido para estar sozinho e vagando pelas ruas. Eu poderia ter ligado para o Programa de Orientação ao Migrante (POM) e pedido ajuda, eu poderia ter doado alguns minutos da minha atenção. Ao invés disso, eu lhe dei um sanduíche de presunto. Mesmo sabendo que ele precisava muito mais do que isso.

Depois disso os interfones pararam de tocar naquela tarde. Mas, mesmo assim, eu não fiquei em paz.

Chuta que é macumba!

Começa assim: Um perfil inocente aparece no teu orkut e você o aceita como amigo. No dia seguinte ele manda scraps de bom dia, depois de boa tarde, boa noite, bom início de semana, bom final de semana e por aí segue. Tudo bem, até aí tolerável. Até o dia que ele pede teu msn… Muita calma nessa hora.

Ele vem falar com você todos os dias. É gentil, atencioso e vocês acabam conversando sobre muitas coisas. Mas tudo tem um limite. Você não quer bancar a deselegante, mas chega a um ponto que o cara não pode mais ver você entrar no msn. Parece querer ser sempre o primeiro nome a piscar entre os seus contatos. Daqueles xaropes que não espera nem você atualizar a frase do nick. E nem adianta você definir status como ocupado. O figurão ainda vem perguntar se você está podendo falar com ele.

Depois começa a querer te conhecer pessoalmente. Fica pedindo teu telefone via depoimento de orkut. E se você não quer passar, bom ao invés de se tocar, ele manda outro depoimento perguntando se você está brava com ele, se você o bloqueou no msn. Sim, definitivamente o garoto precisa de uma dose bem forte de “simancol”.

É como eu sempre digo: Chuta que é macumba!

Você passa a sair de casa com receio de encontrar esse chato na balada. O pior é que o tal “encosto” já sabe muita coisa sobre você. Claro, ele tem seu orkut. É só nessa hora que percebe que revelou detalhes demais para alguém que nunca tinha visto pessoalmente. Tipo, a esta altura a tal “alma penada” já sabe que tu mora sozinha, que tu estuda a noite, onde estuda e qual o teu curso. E de repente, o que pode parecer bobagem começa a te assustar. Você finalmente se dá conta de que esses dados são o suficiente para alguém te encontrar, mesmo contra sua vontade.

È por aí que começa a encanação. E se o cara for um psicopata? E se resolver te seguir até sua casa? Começa a surgir na tua memória aquelas reportagens, dignas de páginas policias, onde criminosos escolhem suas vítimas justamente pela internet. E se você souber que o perfil preferido são as mulheres que vivem só… Assim, exatamente como você! Vixi… Aí ferrou! Você começa a desconfiar de tudo, não vai mais ao supermercado depois das 19h, anda na rua olhando pra todos os lados. começa a ter aquela impressão de estar sendo perseguida o tempo inteiro…rsrsrs

Sim, meu bem, você devia ter escutado sua mãe quando esta lhe dizia que era perigoso falar com estranhos. Contato desconhecido no msn? Chuta, porque pode ser macumba!

Na contramão

Projeto da Ong Ginga Moleque também é atração para crianças que participam do projeto Escola Aberta no Caic (bairro Pró-Morar)

Estamos tão acostumados com as leis mesquinhas do capitalismo, que nem percebemos que ainda existe gente capaz de reagir a esses preceitos. Gente do bem. Gente que está em falta.  Gente que faz a diferença. Gente que segue na contramão, fazendo desse mundo um lugar melhor pra se viver.  Gente que devemos ter sempre por perto, para nos servir de exemplo.

Conheci pessoas assim no projeto de Assessoria de Imprensa que estamos desenvolvendo, durante este semestre, numa organização não governamental (Ong) de Itajaí. Os capoeiras Capitã, Sansão e Massa mantém há dois anos, o projeto “Ginga Moleque”. A Ong oferece aulas gratuitas de capoeira às crianças carentes do município. Sem precisar arcar com nenhuma despesa, os alunos devem apresentar boas notas na escola e disciplina nas aulas.

Sem receber nenhum tipo de remuneração, os voluntários e idealizadores do projeto enfrentam muitas dificuldades para mantê-lo vivo. Estes impedimentos vão desde o preconceito religioso dos familiares das crianças, até problemas de infra-estrutura como falta de uniformes, instrumentos e sede para oferecimento das aulas. Os voluntários arcam com muitas das despesas do grupo, uma vez que não possuem nenhum patrocínio da comunidade.  

No último sábado, 12 de abril, Luana Martins e eu fomos ao bairro Pró-Morar para acompanhar de perto a roda de capoeira do grupo. Além das reuniões durante a semana, aos sábados, o grupo também é atração para outras crianças no Centro Educacional Cacildo Romagnani (Caic), através do Projeto Municipal Escola Aberta. 

Ficamos impressionadas com o que encontramos por lá. Jovens e crianças com idades entre 6 e 18 anos e que nos receberam com sorrisos, beijos e abraços. Tudo em forma de gratidão pelo trabalho que nos propusemos a fazer em benefício da ong que tanto amam – mal sabem que precisamos desta atividade tanto quanto eles.  

 

 

Sinto-me feliz em perceber que em meio a tanta ausência de caráter e valores, é possível acreditar no ser humano do bem. Existe no mundo quem acredite e aposte no futuro de crianças pobres, quem faz mais do que culpar a omissão do governo na educação, quem arregace as mangas e faça a idéia acontecer.

 Que bom seria se todos os brasileirinhos pudessem ter educadores como esses, capazes de semear esperança em meio à exclusão e o descaso social. Quem dera que todas as grandes empresas deste país se propusessem a apoiar projetos assim.


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Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripe e do nono Carboni. Jornalista (ou seria foca?). Recém-casada. Esposa do Cleber. Idealista por natureza. Cantora de chuveiro. Ariana. Gremista. Ex-coroinha. Prima do Alain. Amiga da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Ansiedade é a sua marca. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Como jornalista deixa claro que hard news não é muito a sua praia. Acaba de tirar a carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora contar histórias e receber comentários neste blog. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua e volte sempre que quiser.

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