O domingo está chuvoso e você e o seu namorado resolvem ir ao shopping na esperança de assistir um filme bacana. É um daqueles dias em que todas as salas do cinema estão lotadas – o estacionamento e os corredores mais ainda – porque todas as pessoas da cidade tiveram a mesma ideia que vocês. No meio do caos da praça de alimentação acabam esbarrando justamente naqueles amigos com quem não falam há muito tempo.
- Oi, tudo bem? Nossa, que surpresa encontrar vocês!
- É verdade. Qual foi a última vez que nos vimos?
- Não sei guria, acho que ainda estávamos na faculdade…
- Puxa, é verdade – diz o outro.
Depois daquele abraço sincero, que parece durar muito menos do que a saudade que se sente, vem aquele sagrado silêncio do constrangimento. Enquanto todos procuram, em seu íntimo, um motivo que justifique tanto tempo sem comunicação – justamente numa era em que tudo isso se tornou tão acessível – alguém quebra o silencio apontando uma mesa que acaba de ficar vaga.
Todos ficam aliviados. Logo que sentam ali, alguém conta uma grande novidade. O assunto é bom e leva a outros ainda melhores e mais engraçados. Tudo fica mais leve, o riso fica fácil e natural. Entre uns copos de chope e alguns petiscos, as velhas e boas lembranças vêm à tona. A nostalgia, inevitavelmente, toma conta de todos ali. É um sentimento que pulsa forte e faz todos pensarem no quanto já foram felizes.
De repente um novo silêncio. Os olhinhos ainda sorriem com as histórias revividas ali. Nesse momento alguém olha para o relógio e o encanto, que aparenta ter durado apenas alguns minutos, chega ao seu fim.
- Meu Deus! Já são quase onze horas.
- É verdade, nem vi o tempo passar. As lojas já estão todas fechadas.
- Vamos indo, então. Amanhã temos que acordar cedo para trabalhar.
- É verdade, nós também teremos um dia cheio amanhã.
Todos lembram que são gente grande novamente. E como devia de ser, alguém sai com aquela frase típica e infeliz “Vamos marcar alguma coisa qualquer dia”. É uma daquelas frases prontas, como as que todo adulto diz pra iludir criança e que, no fundo, todo mundo sabe que nunca vai acontecer.
- Sim, vamos marcar mesmo.
Todos se despedem e voltam às suas vidas. Quem sabe, num outro final de semana chuvoso, a vida acorde generosa e resolva lhes presentear novamente. Bons momentos nada mais são do que isso, presentes que nos fazem sorrir como criança ao receber um brinquedo no dia do Natal. Feliz daquele que sabe reconhecê-los e apreciá-los. Sábio aquele que não desiste de lutar por eles.


Cara Carina, aqui quem escreve é um amigo e admirador do seu irmão coruja e, porque não dizer, um grande babão, que ainda vai piorar muito quando estiver com a sua cria nos braços!!!
Fui apresentado ao seu blog e não pude deixar de registrar o quanto apreciei a sua forma de escrever!
Original, sincera e verdadeira em suas palavras, você descreve seus textos de uma forma simples e transporta com facilidade seu leitor ao contexto do que está narrado!
Parabéns!
Agradeço pelas palavras, Sandro. O blog anda meio abandonado, nos últimos tempos, mas comentários como o seu me deixam mais animada a escrever com mais frequência. Saiba que também já ouvi falar muito bem a seu respeito, pelo que sei, o mano também te admira bastante.
Abraço e tudo de bom!
- Sauuudaadeees de ler seus textooos!
Volta aqui menina, rsssss….
Beijooooos, Sua fã.