Ela não tem mais do que 10 anos, mas os pequenos ombros já sentem o peso da exigência por padrões estéticos. Todos os dias ela chega sozinha na academia. O olhar é desanimado e triste. Fica pelo menos uma hora alternando exercícios aeróbicos entre a esteira, bicicleta e outros aparelhos. Deveria estar se divertindo por aí, subindo em árvore, brincando de bonecas, pulando cordas ou jogando bola. Mas isso parece não fazer mais parte da infância dela – e de todo o resto das crianças também.
É triste pensar que cada dia mais cedo, os jovens sentem-se pressionados a adequar-se a um arquétipo de beleza. Na minha geração poucos eram os meninos e meninas com sobrepeso. Dizer que não sofriam pressões sociais seria hipocrisia da minha parte – a intolerância exclui o “diferente” desde que o mundo é mundo – mas, nessa época, academia era coisa para gente grande.
Corta-me o coração ver aquela menina, tão novinha, já fadada à busca pelo corpo “perfeito”. Acho muito pouco provável que a procura por saúde e qualidade de vida tenham sido o motivo de estar matriculada numa academia de ginástica. A sociedade da beleza e da felicidade constrange-se muito mais com o gordo ou o narigudo do que com aquele que não goza de boa saúde.
A infância está durando cada vez menos e ninguém faz nada. Ninguém tem mais tempo para cuidar dos filhos. As crianças não podem mais brincar na rua, não soltam mais pipa, não apanham fruta no pé, muito menos andam de bicicleta com os coleguinhas. Computadores e videogames, há tempos, substituíram as bonecas e os carrinhos.
E o resultado disso tudo? Crianças hipertensas, diabéticas, depressivas e, cada vez mais cedo, aprendendo a conviver com problemas de gente grande. Não sou mãe, não eduquei criança alguma e tão pouco posso mensurar o quanto deve ser difícil formar outro ser humano. Mas com meus vinte e poucos anos sou capaz de perceber que as crianças estão pagando um preço alto por essa vida moderna. E só Deus sabe onde isso vai dar…


Linda visão e com rara maturidade a sua crônica, Carina. Faltou tocar no intocável: a precocidade sexual que já está perto dos 12 anos de idade… Como ginecologista tenho feito partos ( geralmente cirúrgicos devido a desproporção feto- pelve feminina ) de verdadeiras crianças que agora brincam , in natura, com bonequinh(o)as vivas e não mais de brinquedos… Também a sensualização das crianças , a partir dos 8 aninhos usando batons e apetrechos femininos, incentivada pelos próprios pais, é uma aberração social que leva ao descobrir do sexo mais cedo. Acho que é impossível , por ser irreversível, devolver a infância das crianças, hoje em dia. E a inocência às moças que se tornam também mulheres vividas e maritais … prematuramente! Haja ginecologista para atender à demanda crescente. Meu abraço,
drnelsonantonio@gmail.com
http://drnelsonantonio.blogspot.com/
Assim como existirá mais solteiros no mundo, como menos casamentos tradicionais, a tendência é total essa que você mencionou no seu post, problema que não tem como inverter o movimento, ja se adequou ao cotidiano, mas eu sendo, venhamos dizer um conservador, educarei meu filho ou filha, que creio q terei, de um modo total diferente, estarei fazendo minha parte, assim como dou dicas para amigos meus recém papais. Mas a maioria vai no movimento da modernidade, onde o luxo e beleza é tudo. Complicado!