Lamento estar distante daqui. Desculpem amigos, ando sem inspiração. A preocupação com a faculdade está consumindo toda minha vontade de escrever. Confesso estar mais introspectiva também, reciclando alguns conceitos, roendo unhas e perdendo fios de cabelos. Continuo sem saber o que será de mim depois da formatura. Tem horas que fico aliviada por estar perto de concluir esta etapa importante da vida, mas na maior parte das vezes fico angustiada por não saber o que fazer do meu tempo depois. Um medo insuportável de não corresponder expectativas, falo das minhas e das alheias.
Hoje li algo que expressa o meu grande temor, o monstro que há tempos habita meu armário interior. O texto de Davi Léo Levisky era sobre violência entre jovens e adolescentes e dizia assim:
“Preparam-se durante anos para encontrar um caminho na vida adulta, respeitar e preservar uma série de valores, mas deparam-se com elevadas doses de desesperança (falta de emprego, salários, dificuldades para constituir e assumir uma família). Esta condição gera o prolongamento da situação adolescente, que adquire um caráter de mecanismo defensivo. Hoje é necessário desenvolver um número maior de recursos pessoais para alcançar um grau significativo de autonomia. Seu futuro é pouco promissor quanto às possibilidades de realizações consistentes e duradouras”.
A verdade é que nunca se exigiu tanto da gente. Sucesso pessoal, profissional e estético estão no topo da lista. Ando de saco cheio dessa pressão social, dessa exigência de status acima de qualquer coisa. Outro dia falava disso com uma colega da faculdade, ela declarou o quanto sentiu-se mal quando uma “amiga” perguntou-lhe porque não se arrumava mais, não se vestia melhor, não cuidava mais da pele e do cabelo, essas coisas. Isso é coisa que se diga?!? Minha colega depois contou que a mesma rapariga investia todo o salário em roupas e por isso não tinha dinheiro para pagar uma faculdade. Não quero ser taxativa ou preconceituosa, nem conheço a tal moça. Mas cá entre nós, deve ser mais uma dessas caça-dotes que a gente vê por aí. Investindo, até o que não tem, na aparência. Certamente a fim de fisgar algum otário superficial para bancar seus caprichos.
A cada dia que passa tenho visto as pessoas mais desesperadas e vazias do que nunca. Um sapato de grife nunca teve tanta importância quanto agora. Conheço pessoas que estão no ensino superior e são incapazes de desenvolver alguma crítica sobre qualquer assunto vulgar. Fico inconformada quando falo sobre coisas que considero importantes e a pessoa fica me olhando com aquela cara de
paisagem, como se dissesse “o que essa guria tá falando?” para logo depois iluminar o semblante (como se fosse acrescentar algo de interessante) e apenas elogiar minha roupa – que não é de grife. Isso me indigna. Parece que as pessoas estão completamente hipnotizadas pelo consumo, andando pelos shoppings como se fossem zumbis, escravos da ditadura capitalista. Não vou bancar a hipócrita, também tenho meus deslizes de vaidade, mas acho que ainda sei diferenciar o valor de um livro e de uma bolsa.
Outro dia estava lendo sobre meninas que se prostituem para acompanhar as tendências da moda. Sem falar nas anoréxicas e bulímicas. Minha professora contou que algumas chegam a fazer cirurgias na face para serem aceitas nas passarelas, para se adequar a um padrão de beleza (o rosto mais quadrado) que alguém impôs como adequado. Aonde vamos parar? Onde estão os pais dessas criaturas? Será que não possuem cérebro, não são capazes de avaliar a extensão desses absurdos?
Ora amigos, vejam como estou! É por isso que não tenho estado tão presente por aqui. Não quero contaminá-los com minhas inquietudes e inseguranças pessoais. Por hoje é isso, tenho que acabar minha resenha sobre a obra de Levisky.
Tenham uma excelente semana.



Poxa Carina… confesso que me surpreendi com seu post! Ao ler cada palavra me assustei com a semelhanças dos nossos pensamentos, ultimamente tenho estado assim também. E penso que também não pensar ou não falar sobre as coisas que temos observado não faz bem. Realmente não sei o que te dizer para tirar todas as inquietudes do armário, mas penso que é bom fazer uma faxina nelas de vez enquando. POrque tem vezes que deixamos elas lá e ficam só ocupando espaço, não têm valores,só pó…PEnso que é isso…vamos em frente, e quando achar que estas cheias de pensamentos no armário tranque todos eles, vai dar uma volta e depois de muito tempo destranque o armário, mas não abra a porta. Ajuda…
Beijos
bom comeco