Não estou aqui pelo DIPLOMA

O país inteiro ficou a par da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira, dia 17, a respeito da exigência do diploma para o exercício de atividades jornalísticas. 

b_diplomaA não-exigência do diploma de jornalista é um verdadeiro retrocesso para o exercício do JORNALISMO. Num país onde há tantas coisas urgentes a serem resolvidas, é inaceitável que essa questão tenha chegado até o Supremo Tribunal Federal. É mais inaceitável ainda que tenha recebido oito votos a favor, já que apenas o ministro Marco Aurélio Mello votou contra esse disparate.

Estive acompanhando o blog do professor Rogério Christofoletti http://monitorando.wordpress.com/2009/06/18/diploma-obrigatorio-caiu-e-agora/e gostei da forma como ele contestou o argumento de que a exigência do diploma no jornalismo estaria limitando a liberdade de expressão: “Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado”

 Sim, todos nós temos direito a justiça. Mas não é por isso que todos podem ser advogados sem ter, ao menos, passado pela faculdade – sem falar na prova da OAB. E onde fica a qualidade da informação? A sociedade tem todo direito de expressão quanto ao de receber informações apuradas por profissionais qualificados. A exigência do diploma de jornalista nunca impediu que a sociedade se manifestasse de inúmeras formas, como por meio dos artigos e cartas do leitor. E com a internet essa interatividade ficou ainda maior, por meio de blogs e outros meios alternativos.

Enquanto acadêmica, posso dizer que não foi a exigência da lei que me trouxe até os bancos da universidade. Mas posso dizer que me sinto desmotivada ao pensar que, a partir dessa decisão, qualquer cidadão terá o mesmo direito que eu (após quatro anos e meio na academia) em atuar numa profissão que exige tamanha responsabilidade.  

Mesmo assim, não posso afirmar que esteja preocupada somente com o desrespeito com a minha classe profissional. Estou preocupada, antes de qualquer coisa, com os danos gerais à sociedade. Mas, diante da decisão do STF, me resta acreditar no bom senso das empresas de comunicação em continuar exigindo profissionais qualificados para atuarem em seus veículos.

De qualquer modo, estando o diploma superior sob o respaldo da lei ou não, ele continuará sendo uma necessidade primária para a formação de qualquer jornalista.  Confiemos então,  no bom senso dos consumidores de informação que, a partir de agora, deverão ser ainda mais criteriosos na hora de escolher as suas fontes de notícia.

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Ouça informações trazidas pelo repórter Walmor Parente, através da Agência Radioweb, sobre a queda do diploma e as Universidades: http://www.agenciaradioweb.com.br/conteudo/materias/090618185459Bol_Walmor_Faculdades_Jornalismo.mp3

Veja o protesto do deputado Paulo Pimenta (PT/RS) contra a decisão do STF. Ele também acusa grandes veículos do país de terem se omitido em divulgar sobre a votação:

 

4 Respostas para “Não estou aqui pelo DIPLOMA”


  1. 1 Cleber 22/06/2009 às 13:09

    De um país onde basta que o presidente complete a 4ª série para exercer o cargo máximo, já era de se esperar que uma decisão dessas fosse tomada.
    É realmente lamentavel que com tanta coisa mais importante pra resolver, tenham optado por isto.
    O diploma é só um papel, o que conta é o conhecimento e a experiência adquirida nos quase 5 anos de universidade. Isso “os outros” não tem, e pode ter certeza de que serão sim boicotados pelos grandes veículos de comunicação.

  2. 2 Hermann 24/06/2009 às 09:59

    Comentário colocado no post do Rogério (que vc elogia)

    “Sobre o post, ele parece defender o que todos (em suas respectivas áreas) defendem. Ou seja, elitizar a sua área (com papéis que sabemos que pouco significado tem). É muito fácil encontrar pessoas com mais qualificação sem diploma… Mas o texto defende a mesma coisa que os historiadores, geógrafos ou qualquer outra área defenderia. Se duas pessoas, uma tem diploma de historiador e outro não, o segundo não tem direito de escrever nada sobre história (porque não tem o papel chamado de diploma) e o segundo pode escrever qualquer besteira em periódicos (principalmente se tiver outros papéis como doutorado e mestrado (que podem ser conseguidos por dinheiro atualmente)).

    O que o texto mostra é insegurança por parte dos jornalistas formados. Note que isso acontece em todas as formações de humanas. Pois raramente o curso realmente diferencia um estudioso do que realmente fez o curso. O diploma dos cursos de humanas parece ser como um convite para uma panelinha juvenil. Se vc tem o diploma, vc faz parte da panelinha “intelectual” e tem as idéias ouvidas.

    Então se alguém quer falar sobre filosofia, ou coisas do tipo. Ele, antes, tem que batalhar para conseguir entrar na panelinha (senão as idéias deles não valem nada). Quando entram na panelinha, qualquer besteira que fale será considerada pela panelinha (pois o que vale não é a argumentação, mas sim os papéis de diploma).

    Bom, no caso do jornalismo, percebi pelo texto uma insegurança tremenda por parte dos jornalistas formados (assim como nós historiadores). Se houve essa insegurança, é justamente porque vcs não sabem se o que fazem numa faculdade realmente faz alguma diferença (ou é só uma jornada para conseguir o convite da panelinha).
    Se soubessem que faz diferença, estariam tranqüilos quanto ao “decreto”, pois saberiam que raras seriam as pessoas sem o diploma que obteriam “qualificação” para serem inseridas no mercado de trabalho e, por isso, o que estavam fazendo na faculdade era importante…
    Mas isso parece que não vêm ao caso. O post do jornalista (provavelmente), indica que realmente se trata de uma situação análoga ao de sociólogos ou historiadores (na verdade, pior ainda).

    Sinto que, para dar um tom pejorativo à decisão, o escritor colocou “decidiram que jornalismo não é mais profissão”.
    Ora, pois bem! Então quer dizer que tudo que não precisa de uma burocracia universitária, não é profissão? Pois então administrador não é profissão? Lixeiro não é profissão? Motorista não é profissão?

    Note que algumas exigências de diplomas para exercerem certa profissão fazem sentido. Como medicina, mas isso veio para proteger quem fosse precisar de cuidados médicos (para que esse não fosse tratado por um que não tivesse algum comprovante de que era capaz de exercer a medicina). Isso é muito diferente do caso do jornalismo. Por acaso precisamos de proteção contra idéias de quem não tem um diploma de jornalista em veículos de comunicação?
    Para que a utilidade do diploma? Pra proteger quem?

    Acho que qualquer idéia a esse favor está bem próximo de um pensamento nada democrático…

    Alguns contra-exemplos. Note que um contra-exemplo é a matemática. Existe o curso, existem os mestrados e doutorados. No entanto, ninguém é proibido de publicar algo ou exercer a profissão.
    Quano o assunto é ensino, fica diferente. Pois teoricamente há a proteção dos estudantes contra professores que não tivessem a capacidade comprovada de lecionar.
    Mas se provar algum teorema famoso, independentemente se vc for de 10 anos ou pós-doc, vc poderá publicar num periódico.
    A matemática, de fato, não é bom no contra-exemplo. Pois ela tbm está sendo contaminada por esse ar de insegurança (como os cursos de humanas).

    Mas existem outros exemplos, como administração e computação. Leia um pouco sobre a cultura hacker (não existe diploma que prove nada. Existe capacidade cada um).

    Bom, não tenho paciência para escrever sobre isso. eu ía colocar um pequeno comentário aqui e acabei me prolongando, por isso acabei colocando de forma confusa. Mas, de qualquer forma, ficam as perguntas:

    Para quê exigir o diploma de jornalista para exercer a profissão?
    Para proteger a populção contra idéias? (não-democrático isso, não?)

    Ou simplesmente para satisfazer o ego dos jornalistas formados? fazendo-os pensar que só eles são capazes de fazer o que eles fazem?

    Ou simplesmente para vcs não se olharem com “vergonha” nos corredores por vossa insegurança?

    Vcs acham que quando Abel (com 19 anos) provou com facilidade uma das maiores questões da álgebra (da época) e foi aceito para ser um pesquisador da academia de matemática, os matemáticos com diploma se olhavam com vergonha nos corredores?

    Vcs acham que aconteceria isso?

    Essa insegurança normalmente ocorre porque os inseguros têm mais papel (diploma) acumulado do que conhecimento (ou até mesmo qualificação) para o que faz.

    Um cara de programação (computação) ou um matemático não ficaria assim, pois ele sabe que ele pode estar lá possivelmente por causa dos papéis, mas principalmente pelo conhecimento e qualificação que vieram atrás desse papel.

    Um jornalista não formado não oferece risco a ninguém. E é só isso que deve ser levado em conta. Eu sei que existem muitas situações análogas, mas defendo que nessas situações deveria ter o mesmo tipo de medida.

    Fora isso, no caso de jornalismo existe uma questão profunda da democracia e liberdade de expressão.
    Note que com a exigência de diploma, o governo (seja lá qual for) poderia usar isso como ferramenta “anti-liberdade de expressão”, ferramenta de controle das idéias. Por exemplo, tirando do ar algum jornalista que não agrada o governo alegando falta de diploma.

    Bom, conselho: para acabar com essa insegurança, procure praticar na universidade algo que realmente diferencie sensivelmente um formado de um não-formado. Procure fazer com que a conquista do diploma venha com um sensível acúmulo de conhecimento e qualificação.
    De tal forma, que,ao completar o curso, o aluno não fique orgulhoso do diploma, mas principalmente orgulhoso dos conhecimentos e qualificações acumulados…

    E fique tranqüilo que sempre o diploma será de alguma forma uma referência para o empregador. Isso acontecerá mesmo com a qualidade dos cursos universitários que vem caindo (e se tornando cada vez mais afranciscados e cada vez menos útil). Eu não gosto desse último fato que explicitei, mas é verdade…

    Até mais!”

  3. 3 Carina Carboni 24/06/2009 às 23:22

    Em primeiro lugar gostaria de dizer que a exigência do diploma para o exercício do jornalismo sempre foi um orgulho para a classe, afinal de contas era uma conquista que a profissão mantinha há quarenta anos. E não penso que seja vergonhoso ter orgulho da valorização da própria profissão, até mesmo porque sei da sua importância para a sociedade. É evidente que a desregulamentação do jornalismo mexeu com nossos brios. Só que, infelizmente, o mal vai muito além do nosso ego ferido, caro Hermann.

    Apenas cinco por cento da população do Brasil possui ensino superior. Você pode entender estes cinco por cento como uma “panelinha”, eu prefiro enxergar essa baixa porcentagem “intelectualizada” como o reflexo direto do descaso com a educação. E com a decisão tomada pelo STF, pela queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, só mostra que esse descaso com o ensino está aumentando, além de incentivar a ignorância – que cá entre nós é muito conveniente para o poder.

    Agora eu lhe pergunto: Educação, formação superior, isso faz mal a alguém?

    Eu mesma faço questão de responder. A falta dela faz. E muita. Você talvez não tenha noção do poder de um veículo de comunicação de massa sobre a opinião pública, posso supor pela sua afirmação “Um jornalista não formado não oferece risco a ninguém.” Pois vou te dar um exemplo simples e fácil – a até bizarro, se preferir – para você entender o estrago que uma pessoa intitulada jornalista pode causar.

    Você é capaz de imaginar o que aconteceria se William Bonner, com toda a sua credibilidade profissional, noticiasse no Jornal Nacional de amanhã que o planeta está sendo invadido por seres de outra galáxia? O que acha que aconteceria? Enquanto um médico irresponsável precisaria de uma carreira de anos para destruir algumas dezenas de vidas, uma informação errada poderia levar o mundo ao caos total em apenas algumas horas.

    É claro que se você tivesse lido essa informação num blog pessoal, não daria a menor importância. E por que não daria? Porque não foi um jornalista, não veio de uma fonte devidamente preparada para lidar com a informação. E diante disso tudo, você ainda acha que não faz sentido exigir diploma para uma função com tamanha responsabilidade social?

    Já trabalhei na área da comunicação antes de entrar na universidade e te garanto que não foi pelo diploma que vim parar aqui. Tenho total consciência de que não é o papel do diploma que garantirá o melhor jornalista, assim como também não garante o melhor Médico ou qualquer outro profissional.

    Está certo afirmar que a academia não pode interferir na vocação de alguém, mas posso dizer que foi aqui que encontrei discussões, debates e noções teóricas sobre origem, história, direcionamentos e orientações sobre os limites éticos e a responsabilidade da profissão que pretendo seguir. Muitos desses conhecimentos, provavelmente não teria tido acesso, ou pelo menos me aprofundado, sem ter passado pelos bancos da universidade e por disciplinas como Teorias da Comunicação, História da Comunicação e Ética e Legislação.

    Realmente o papel do diploma não garante nada, muito menos se irei ser uma ótima jornalista quando estiver com o meu Certificado de Ensino Superior em mãos, como já afirmei aqui em outra postagem. Mas tenho absoluta certeza de que sairei da universidade muito mais preparada do que entrei, muito melhor do que se tivesse optado pela arrogância de pensar que já sabia de tudo.

    Mas agradeço pelo teu comentário. Tenho respeito pela diversidade de opiniões. Afinal de contas, como você mesmo disse, vivemos numa democracia. E a maior prova de que a liberdade de expressão não é afetada pela exigência do ensino superior de jornalista, é o fato de estarmos debatendo o assunto livremente neste blog, mesmo sem termos o diploma que até então era exigido para o exercício da profissão.

  4. 4 Luciana 30/06/2009 às 16:00

    Adorei o seu texto Carina.
    Você colocu de forma magnífica o sue ponto de vista sobre a decisão do STF.
    Concordo com vc plenamente.
    Além de prejudicar os jornalistas profissionais e decepcionarem estudantes de jornalismo, a decisão que beneficia empresas de comunicação acaba atrasando a própria sociedade. O STF está ocultando à sociedade, um jornalismo sério, feito com competência técnica, ética, e valor cultural.
    Mas, tenho certeza que isso não ficará assim…
    Não devemos perder a esperança NUNCA.

    Att,
    Luciana Araújo.


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"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

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Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

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Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

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