Arquivo para Abril, 2009

Ócio IMprodutivo

1219867031O dia está bonito. Ela olha pela janela e só então, fim de tarde, percebe as nuvens do céu já ao longe. Ela se dá conta de que não colocou o pé pra fora do apartamento, nem mesmo para levar o lixo. Não conversou com ninguém. Não teve coragem de sair à rua nem mesmo para almoçar. Contentou-se com o que havia na geladeira, sobras de ontem.

Não lavou as roupas sujas, mas assistiu um pouco de televisão. Desde que acordou tenta reunir forças para ir ao supermercado. Não estudou, tampouco leu algo decente. Não parece doente. Ficou no ócio mesmo, num daqueles dias em que não se produz absolutamente nada.

Engana-se quem pensa que ela se orgulha disso. Talvez esteja precisando tomar as tais vitaminas que a mãe sugeriu.

A verdade sobre os jornalistas

416230764_ceae306479JORNALISTA não fala – informa;

 

JORNALISTA não vai à festa – faz cobertura;

 

JORNALISTA não acha – tem opinião;

 

JORNALISTA não fofoca – transmite informações;

 

JORNALISTA não pára – pausa;

 

JORNALISTA não mente – equivoca-se;

 

JORNALISTA não chora – se emociona;

 

JORNALISTA não some – trabalha em off;

 

JORNALISTA não lê – busca informação;

 

JORNALISTA não traz novidade – dá furo de reportagem;

 

JORNALISTA não tem problema – tem situação;

 

JORNALISTA não tem amigos – tem muitos contatos;

 

JORNALISTA não briga – debate;

 

JORNALISTA não usa carro – mas sim veículo;

 

JORNALISTA não passeia – viaja a trabalho;

 

JORNALISTA não para pra tomar café – dá uma pausa pra atender o celular;

 

JORNALISTA não conversa – entrevista;

 

JORNALISTA não faz lanche – almoça em horário incomum;

 

JORNALISTA não é chato – é crítico;

 

JORNALISTA não tem olheiras – tem marcas de guerra;

 

JORNALISTA não se confunde – perde a pauta;

 

JORNALISTA não se acha – ele já é reconhecido;

 

JORNALISTA não influencia – forma opinião;

 

JORNALISTA não conta história – reconstrói;

 

JORNALISTA não omite fatos – edita-os;

 

JORNALISTA não pensa em trabalho – vive o trabalho;

 

JORNALISTA não é esquecido – é eternizado pela crítica;

 

JORNALISTA não morre – coloca um ponto final.

 

(Autor desconhecido)

 

Jornalistas ou Abutres?

Diversas demissões levam um jornalista fracassado e de poucos escrúpulos, representado por Kirk Douglas, a dirigir um pequeno jornal do Novo México. Buscando, a qualquer preço, alcançar notoriedade e retornar ao posto de repórter de um dos grandes jornais americanos, ele resolve tirar proveito de uma circunstância dramática. A Montanha dos Sete Abutres, lançado em 1951, é um clássico do jornalismo no cinema e tem a direção de Billy Wilder.

O longa metragem apresenta, em preto e branco, a notícia sendo transformada em espetáculo. O filme assinala o passo a passo deste processo desde o fato puro, um homem soterrado dentro de uma montanha (vivido por Richard Benedict), até a sua transformação em show, quando a vítima Leo Minosa vira um montanha-dos-sete-abutres4misto de mártir e herói.

Exemplo simples de como a notícia pode ser explorada como uma mercadoria que, para garantir a venda, vale ser distorcida e decomposta em um grandioso espetáculo da produção jornalística.A prática do “showrnalismo” não é restrita a ficção, é na verdade um reflexo do cenário real, dos bastidores da mídia.

Não é exigido um olhar excepcionalmente atento para perceber o seu exercício no cotidiano do jornalismo. Entre tantas ocorrências, não precisa ter boa memória para recordar a forma como o caso da menina Isabella, supostamente atirada pelo pai e pela madrasta da janela de um prédio no início do ano passado, foi explorado de forma indiscriminada pela grande imprensa.

 

A reconstituição do caso Isabella reuniu centenas de pessoas em volta do prédio onde o crime teria ocorrido. Assim como em A Montanha dos Sete Abutres, pessoas levaram faixas de apoio à família da vítima, outros aproveitaram a multidão para ganhar dinheiro com a venda de água, doce e pipoca. A cobrança do ticket de entrada e o oferecimento de poltronas confortáveis teria transformado a tragédia de Isabella em sessão de cinema.

 

Assim como os abutres dirigidos por Billy Wilder, é possívelace_in_the_hole3 constatar que nosso jornalismo também é capaz de transformar fato em carniça, se for preciso, para garantir boas tiragens ou picos de audiência. Lamentavelmente a imprensa marrom, termo estreado pela disputa entre os jornais norte-americanos de Hearst e Pulitzer no final do século XIX, continua a imperar com toda a sua majestade em pleno século XXI.

 

Liderados pelo repórter inescrupuloso, o xerife e o médico da localidade, a esposa da vítima, o perito que fica frente ao resgate, o jovem jornalista e a multidão que se reúne em volta da colina representam exatamente a figura dos sete abutres. Fascinados pela tragédia, pelo poder, pela fama ou pelo próprio dinheiro, de algum modo todas as personagens optam pela exploração do fato e contribuem para a morte de Leo Minosa.

 

A referência ética ao longo do filme é fortemente representada pelo dono do pequeno jornal, que chega a acusar a personagem de Kirk Douglas de praticar jornalismo de baixo nível. O empregador é tratado como um perdedor e sai de cena ridicularizado por praticar o jornalismo fora de moda, o jornalismo que ainda usa cinto e suspensório.

 

Contudo, após provocar o triste desfecho, o desonesto repórter parece sentir remorso pelo que fez. Vencido, ele retorna ao pequeno jornal e como se estivesse simbolizando todo arquétipo de jornalismo ruim, o homem cai por terra completamente derrotado pela verdade. Felizmente sua ruína acontece sob a figura do bom, ético e virtuoso jornalismo, aquele que ainda é capaz de servir-se de cinto e suspensório.

Carina pinta as unhas roídas de vermelho…

Já estou me conformando com a nova idade. É como dizem por aí, a gente envelhece todo dia, não envelhece um ano da noite que antecede nosso aniversário até o momento de soprar as velinhas do bolo, no dia seguinte. Tudo bem, todo mundo fica velho mesmo. Além do mais, sou mais feliz aos vinte e três que aos dezoito. Juro que sim.

A crise agora é outra. Redirecionou.

Este semestre tenho um livro reportagem para produzir. O pior é que tem de ser sobre um crime. Nem comecei a produzir o tal livro e já tenho tido pesadelos com isso. Unhas? Nem sai mais o que é isso.

Domingo reparei o Cleber, meu namorado, olhando para minha mão. Não demorou muito para perguntar.

- Quando a gente se conheceu suas unhas não eram maiores?!

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Ele ainda não sabe, mas terá sorte se a namorada ainda tiver cabelos no final do semestre.

estressada


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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

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Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

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