Arquivo para Novembro, 2008

Acolhidos pela Solidariedade

Quinta-feira. Vinte e sete de novembro. Itajaí. Santa Catarina. O cenário lembra a guerra. Homens, mulheres e crianças seguem pelas ruas da cidade. Mesmo os que voltam para casa, parecem não ter direção.

 

caos-itajai4Alguns estão maltrapilhos, outros apenas descalços. Eles carregam objetos, cestas básicas, vasilhames d’água e tudo o que puderam salvar de suas residências. É gritante a tristeza no olhar. Mesmo os que trazem as mãos vazias, parecem carregar um fardo nas costas.

 

 Os policiais podem ser vistos em quase todas as esquinas. Os saques a casas, lojas e supermercados são constantes. Os caminhões do exército estão parados no sinal; o motorista tem pressa. Em todos os cantos da cidade o assunto é o mesmo. A cidade virou manchete internacional. Basta ligar a televisão, ela está lá em todos os canais. Repórteres de todos os lugares invadem a cidade em busca de flashes ao vivo.

 medico3                                                                             (foto: blog do diarinho)

O som dos helicópteros pode ser ouvido por toda a região. Eles sobrevoam as áreas atingidas. O menino, impressionado, olha para o céu a sua procura. Ele se distrai e tropeça no meio fio da calçada. Ele está no abrigo instalado no campus de uma universidade.  

 

Há voluntários ali, muitos são alunos. Eles usam crachás grandes e organizam recreações para as crianças. Mas Marcelo Dolgam, 28 anos, não estuda ali. Ele é advogado. A esposa dele Greiciane Dall’Agnol também não é estudante, é fonoaudióloga. Ambos estão no abrigo desde a segunda-feira atuando como voluntários. Nesta tarde eles cuidam da lista das vítimas e quando questionados sobre o que os motivou a serem solidários com os desabrigados, a resposta é imediata:

 

- Impulso. Você vê a situação e quer ajudar. Só isso.

 

A maior dificuldade dos voluntários, segundo Dolgam, é a falta de orientação:

 

- O poder público precisa se organizar, ou mesmo a própria sociedade, para criar meios de prevenção para tragédias como essa. Nós chegamos aqui, criamos a lista, colocamos as mesas e cadeiras, tudo por nossa conta.

 

Um cachorro vira-lata chama a atenção de quem está por ali. A estudante de fisioterapia, Alessandra Santos, lembra da fidelidade do animal durante o tempo em que esteve no abrigo:

 

- Ele dorme sobre a barriga do dono. E não permite que ninguém se aproxime daquele senhor – conta.

 

Um dos alunos do curso de gastronomia procura os responsáveis pela listagem. Quer saber o número de pessoas para a próxima refeição.

 

- Contando os dois ginásios, 120 pessoas – calcula a fonoaudióloga.

 

boteO número de desabrigados circulando pelo local é bem menor. É que muitos foram até suas casas para começar a limpeza e ver o que sobrou da mobília. Estas pessoas voltarão no final do dia, para comer, tomar banho e descansar.

 

De acordo com o coordenador responsável pelo abrigo, Fábio Luís Fernandes, neste dia foram servidas ao todo 600 refeições. Elas costumam ser divididas em café da manhã, almoço, lanche da tarde e janta.

 

- A comida é boa e feita com muito capricho – conta um dos voluntários.

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Há pessoas de todos os tipos por ali. A maioria está sobre colchões. Algumas assistem futebol na televisão trazida de casa. Meninos jogam video-game. Ao lado esquerdo da porta principal, mulheres e homens reviram as peças de roupas espalhadas pelo chão. Estão à procura de algo que lhes sirva.

 

Varais de roupa são improvisados junto às paredes de tijolo-a-vista. No centro da quadra, há mesas de plástico. Sobre elas há uma bombona d’água e copos descartáveis. Cadeiras estão por toda a parte. Muitas pessoas trazem consigo sacos de lixo. Lá dentro deve ter o pouco que conseguiram tirar de suas casas.

 

É com bom humor e gesticulando muito, que o paulista Roberto Lima de Oliveira, conta como veio parar em Itajaí com o filho Levi, de 17 anos:

 

- Meu filho teria prova de vestibular no domingo, mas foi cancelada. Estávamos num hotel, na Avenida Sete de Setembro, mas com a enchente faltou água por lá. Soubemos da existência do abrigo e viemos para cá. Não podemos voltar para casa por causa das barreiras na BR 101.

 

Há alguns meses pai e filho estiveram em Santa Catarina pela primeira vez. Eles foram à Bombinhas e ficaram fascinados com a hospitalidade do povo. Seu Pedro diz que após os últimos acontecimentos, ele o filho puderam entender de onde vem a solidariedade daqui. Ele acredita que as mesmas tragédias que castigaram os catarinenses ao longo da história, também serviram para torná-los mais humanos.

 

Os versos do hino oficial de Itajaí complementam as palavras do visitante: “Povo hospitaleiro / Amigo sincero e leal / Jamais em todo o Brasil / Você terá visto outro igual”.

 

 

Reportagem de: Carina Carboni e Luana Martins

Fotos: Magru Floriano

 

Veja mais em: http://www.flickr.com/photos/magru-floriano

O Entusiasmo da Foca

focag23A rotina maluca de final de semestre não tem me permitido postar por aqui com a freqüência de outrora. Imagine que estamos produzindo simultaneamente um telejornal, um radiojornal, a segunda reportagem de revista (a primeira foi para a gráfica e, diga-se de passagem, ficou sensacional), além de um seminário que meu grupo precisa organizar. E outras coisinhas paralelas.

As aulas que nos mantinham presos às cadeiras estão cada vez mais raras. A esta altura do curso (sexto período), os trabalhos estão bem mais práticos. Tenho tido dias de repórter, ultimamente. Gosto disso. Não vou negar que é emocinante sair por aí com um gravador na mão; entrevistando pessoas; telefonando para mil lugares a fim de marcar pautas; editando offs no laboratório de rádio; produzindo roteiros de programa; selecionando as melhores imagens para as matérias da tv. 

Não desprezo o valor das disciplinas teóricas, sei da importância delas. A verdade é que, nos últimos tempos, não tenho tido saco para ficar sentada por mais de uma hora ouvindo alguém falar. Falta concentração. E a culpa é minha, eu sei.

Mesmo assim, as aulas de Redação Jornalística da professora Laura estão magníficas, neste semestre. Nos dois últimos encontros ela passou conteúdo de Resenha Cultural e Charges. Na segunda metade da aula pediu exercícios para praticarmos os gêneros. Olha o que saiu na minha Charge sobre os reflexos da crise econômica mundial nas compras de final de ano: doc22

É bem amador, claro. Foi só um ensaio – como todo o resto que temos produzido durante as aulas. Mas ao contrário de muitos que só sabem reclamar da faculdade, posso dizer que essas práticas jornalísticas deram um gás na minha vida. Esta foca que vos fala, andava meio desanimada. Teve dias em que chegou a se questionar se deveras gostaria de ser jornalista um dia. Porém, diante dos últimos acontecimentos (e consciente das dificuldades da carreira), ela pode afirmar com veemência que: Vai amar esta vida!

A favor do vento

Houve um tempo em que eu remei contra a maré. Houve um tempo em que me recusei a aceitar o que a vida me dava. Entendi que é mesmo difícil lutar contra o mundo. E sabe de uma coisa? Cansei disso tudo.

 

Quero parar de imaginar o que se passa na  cabeça dos outros. Não  quero mais compreender suas atitudes, nem buscar justificativas para os seus erros. Isso não muda em nada o curso das coisas mesmo. Não me interes166622b0af3bfcaf5b15d3sa mais o que Freud diria a respeito do assunto. Quero encarar e aceitar os fatos. Somente os fatos. Suposições não me servem de nada.

 

A resignação pode ser um estado de espírito interessante. Faz a gente sentir-se honesto consigo mesmo, enxergar melhor as coisas. Preciso de uma trégua. Faz tempo que eu devo isso a mim mesma. Acho que eu mereço um pouco dessa paz. Uma coisa assim meio filosofia Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar”.

 

Vou fazer as pazes entre as diversas Carina’s que existem dentro de mim.  Chega de dar murro em ponto de faca. Dizem que é bom reinventar-se. Acho que isso tudo é mesmo uma grande verdade.

 

Devo estar reaprendendo a viver. Devo estar virando gente grande. É que ultimamente tenho me sentido bem menos menina do que mulher.

Mulher sem razão

Túmulos remexidos. Fantasmas a solta pelo quarto e a  te acompanhar pelas ruas. Crises de insônia. Pensamentos improdutivos. Que ser do sexo feminino nunca atravessou momentos de “Mulher Sem Razão”?

A música abaixo traduz muito bem estes devaneios “mulherísticos” (oba! acabei de criar uma palavra!). Se este for o seu momento, colega, ouça o que diz a canção:

Adriana Calcanhoto é "mara"

adriana_calcanhoto4Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou

Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
Me confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dê um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não dá em nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom 

E nem vemos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto

Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Composição: Bebel Gilberto / Cazuza / Dé Palmeira

 

Confira o clipe com interpretação de Adriana Calcanhoto:


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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

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Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

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