Arquivo para Outubro, 2008

O cara certo

O cara certo não é aquele que se aproxima de você somente quando está maquiada e produzida na balada. É aquele que faz tudo pra te ver, mesmo sabendo que ao chegar à sua casa te encontrará de cara lavada, usando chinelo Havaianas, meias e um pijama velho.

O cara certo não é aquele que promete uma visita, só pra te fazer esperar. Ele chega sem avisar e te manda mensagem de boa noite no celular, antes de dormir. 

O cara certo não é aquele que se preocupa em ter um carro novo para impressionar as mulheres. É aquele que impressiona por abrir a porta do carro para que você entre primeiro.

O cara certo não é aquele que exibe aquele sorriso irresístivel para em seguida colocar em xeque teus princípios. O cara ideal é incapaz de propor qualquer coisa que possa ferir seus valores – que aliás ele reconhece como ninguém.

O cara certo não é aquele que fala com você enquanto olha para o seu decote. O cara certo escuta o que você diz e, acima de tudo, é seu grande amigo.

O cara certo não é aquele que só quer te encontrar às escondidas. É aquele que te mostra pra todo mundo, que se mostra feliz por ter você ao lado.

O cara certo não é aquele que te faz oscilar entre a tristeza e a alegria em menos de dois segundos. É aquele cara que te transmite segurança, é o seu porto seguro.

O cara certo não é aquele que te trata com indiferença. Ele se mostra interessado e costuma estar entre os últimos visitantes do teu orkut.

O cara certo não é aquele que te enaltece com palavras. É aquele que te conquista pelas atitudes.

O cara certo não é aquele que exibe sua coleção de telefones femininos na agenda. O cara certo sempre sabe qual mulher está procurando. E quando te encontra, trata de cuidar muito bem de você.

Aniversário do Diário de Carina

Há cerca de um ano, surgiu a vontade de começar um blog. Sei lá, todo mundo na faculdade tinha um, por que não eu? Mas a verdade é que eu morria de medo das pessoas não gostarem de ler o que eu escrevia. Sei lá, uma coisa é escrever só pra você, outra coisa é escrever sabendo que o outro vai ler. Que seu irmão, seu primo, seu vizinho vai ler, seu ex-namorado, as namoradas do seu ex-namorado e as pessoas que não vão com a sua cara – principalmente as que não vão com a sua cara.

E se alguém rir? E se tudo o que eu escrever for uma grande porcaria? Hesitei durante semanas. Passei pelo Blogspot. Desisti. Apaguei. Recomecei. E aqui estou há exatamente um ano.

Quando publiquei o primeiro post, intitulado “Desculpe, eu tenho um Blog” http://diariodecarina.wordpress.com/?s=desculpe+eu+tenho+um+blog só falei para algumas amigas. E por muito tempo Diário de Carina esteve lá, escondidinho. Levei um tempinho para divulgá-lo por aí. Talvez isso explique o número não tão alto de visitantes: 9.773 até agora.

Não posso dizer que a postagem mais visitada esteja entre os meus melhores textos, mas se quiser conferir o link é esse: http://diariodecarina.wordpress.com/?s=um+pouco+de+futilidade+e+divers%C3%A3o

Diário de Carina. Imagino que este título para muitos soe como algo meio infanto-juvenil. Pra ser sincera, eu sou meio piegas mesmo. Meio jequinha. Mas foi o modo que encontrei de me sentir segura naquele momento. Embora eu não entendesse bulhufas de blogs, de diário eu entendia. E muito.

Escrevi o primeiro aos 12 anos. Tive inúmeros desses caderninhos. Sempre cheios de fru-frus, sublinhados de canetinha rosa e lilás, quase sempre encapados com jeans velho (que encontrava facilmente nas caixas de retalho da minha mãe), ilustrados com adesivos e com meus próprios desenhos feitos à base do lápis de cor Faber Castell. Gostava de escrever poemas e de compor músicas que nunca tive coragem de cantar pra ninguém.

Naquela época gostava de falar sobre bobagens de adolescente, principalmente sobre aquele menino da escola que eu gostei desde o primário. Tinha de driblar a curiosidade da minha mãe em saber o que eu tanto escrevia. Teve também o episódio em que meu irmão encontrou o meu companheiro secreto e ficou rindo da minha cara durante semanas. Por muito tempo o esporte favorito dele foi fazer eu me sentir uma idiota, ridícula e boba. E ele encontrou o álibi perfeito para isso:

- Carinaaaaa, sabe o que eu li estes dias sobre o…. Como é que é mesmo o nome ele? Ah, o….

- Cala a boca!!! É mentira!!! Ai que sacooooo! Porque você fica mexendo nas minhas coisas!?!

Ele se divertia às custas de meus ataques de histeria. Mas tirando isso, até os dezoito anos eu fui muito feliz naquele mundinho só meu – sim até os DEZOITO!!! Mas, aos poucos, fui parando de escrever no meu caderninho. Olhava para ele, escondidinho lá no fundo da minha gaveta de meias, já não tinha vontade de anotar. Um dia, quando dei por mim, escrever já havia deixado de ser um hábito.

O blog, que a princípio surgiu como uma curiosidade, acabou tornando-se algo apaixonante depois de um tempo. E após um ano, posso dizer que tornou-se um vício. Não vivo mais sem ele. Apesar de escrever um monte de asneiras, ainda tem gente que lê e gosta. Vá entender!!!! É como dizem lá na minha terra: “Tem louco pra tudo!”

Coisa de cinema

Imagem/divulgação realizada pela BBC

Ontem li na internet o caso do “moço do tempo” que, durante a exibição do telejornal, pediu a apresentadora em casamento nos Estados Unidos. A jornalista Emily Leonard, do canal de TV KAMC, do Texas, acabou aceitando o pedido do namorado Matt Laubhan, que apresenta a previsão do tempo no canal americano KLBK.

A noite assisti as imagens no Jornal da Globo, que também noticiou o caso. Cena digna de cinema. Achei tudo lindo. Penso que qualquer mulher deve ter se imaginado no lugar dela, mesmo que por um instante.

Mas, sinceramente, se uma coisa dessas acontecesse comigo acho que cairia durinha, ali mesmo. Sei lá. A gente cresce sonhando viver um conto de fadas, mas quando esse tipo de coisa acontece, costuma ficar sem reação, sentindo-se numa verdadeira saia justa.  Daí fica ali, parada e boquiaberta, titubeando entre o sim e o não, com a típica cara de paisagem. (É a hora que o carinha olha pra gente e, ao invés de um rosto, enxerga um ponto de interrogação).  

De qualquer forma, admirei Matt Laubhan  pela coragem de se expor assim. Que homem, hoje em dia, está disposto a dar a cara pra bater? Numa época em que a maioria resiste em alterar o status do orkut para namorando, ele assumiu-se um genuíno romântico. Bota atitude nisso.

Gostaria que essas cenas deixassem de ser notícia. Gostaria que fossem corriqueiras. Gostaria de ver mais romance colorindo o cotidiano das pessoas.

Ahhh… o amor. Não é mesmo lindo?

Pra quem não acompanhou as imagens pela TV, segue o vídeo:

O caso da poltrona 37

Se existe uma coisa que detesto em minha vida é andar de ônibus. Aquela fragrância (forte!) de perfume vagabundo, criança choramingando no banco de trás, ausência de papel toalha dos banheiros – isso sem falar no característico cheiro de fritura vindo da lanchonete da rodoviária. Ai Senhor, meu estômago fica enjoado só de lembrar.

 

Quando eu era criança e minha mãe me botava um vestidinho novo dizendo que estávamos indo visitar a tia Maria, eu ficava histérica. Nada contra a tia Maria, mas o fato é que ela morava (ainda mora, pra ser sincera) num lugar chamado Tenente. E para chegar até o Tenente tínhamos de tomar um ônibus União/Unesul, daqueles pinga-pingas – que nos fazia comer poeira (literalmente) durante horas.

 

Há muito anos que não visito tia Maria, mas como desgraça pouca é bobagem, escolhi morar longe de casa. A verdade é que esta vida universitária tem me forçado a encarar este trauma infantil. Já estou acostumada a tomar chá de cadeira esperando ônibus atrasado; e tornei-me uma colecionadora de aventuras e casos de terminal rodoviário.

 

E como se não bastasse chamar o “Hugo” várias vezes durante a ida, na volta minha mãe me obrigava a mascar limão para espantar o enjôo – isso ela fazia só depois de eu ter vomitado até o que eu nem lembrava ter comido.

 

Tenho muitos destes causos pra contar. Como o dia em que fiquei perdida às margens da BR 101, no meio do nada, às 3h30 da madrugada, com três mochilas e usando salto alto – porque-diva-que-é-diva-não-perde-a-pose. Passei o maior dos perrengues da minha vida, fiquei escondida embaixo de um viaduto até meu pai me encontrar. Tudo isso porque o simpático motorista passou um pouquinho do ponto – uns quinze quilômetros, no mínimo – que eu pedira pra descer.

 

Já conheci gente de todo tipo, ouvi histórias bizarras, como a do argentino que morava na Flórida e viera ao Brasil porque acabara de descobrir uma filha adolescente. Ou do médico simpático que contou-me a sua vida e ensinou que chá de macela é bom para combater enjôos – porque ele não disse isso à minha mãe há uns vinte anos?

 

O fato é que quando eu pensava já ter pagado todos os meus pecados, inclusive os que ainda nem cometi, me aparece outra provação inusitada do destino. Ao adentrar a rodoviária de Balneário Camboriú, lá estava meu ônibus partindo sem mim.

 

(Isso mesmo, o ônibus que sempre atrasa resolveu ser pontual justo no dia em que cheguei em cima da hora).

 

A viagem já começou estranha. Naturalmente, fui a última passageira a entrar. Lá dentro todos dormiam. Poltrona 15-16. Poltrona 17-18. Fico procurando meu lugar. Finalmente, lá está ela: Poltrona 37. E está ocupada por um senhor de idade que respira um sono profundo. Sem velho-taradocoragem de acordá-lo, me ajeito na poltrona do corredor mesmo.

 

O veículo deixa o terminal. Não demora muito para sentir a cabeça do homem apoiar-se no meu ombro esquerdo. Alguns momentos depois a mão está sobre minha perna. Abro os olhos só para me certificar de que ele está dormindo mesmo. E é claro que ele está.  Imagine se um vovô iria colocar a mão na minha cocha de propósito…

 

Mas acredite, ele ESTAVA!!!

 

Sacudo um pouco os braços na esperança de que ele acorde e vire para o outro lado. Em vão. Quanto mais o ônibus pende para a direita, mais ele se joga para o meu lado. Passo boa parte da viagem a empurrar o velho para o lado oposto.

 

Quando ele resolve abrir os olhos já me encontra revoltada com aquela situação. Quer puxar assunto.

 

- Embarcou aonde? – como se ele não soubesse.

 

- Balneário – logo eu, que costumo ser simpática e dar trela mesmo para estranhos, respondo ao questionário secamente.

 

- Está viajando pra votar ou a passeio?

 

- As duas coisas.

 

(…)

 

- Qual o seu nome?

 

- Por que quer saber??? – dessa vez resolvo olhar na cara dele.

 

- Por nada. Curiosidade.

 

- É Carla – minto.

 

- Tem namorado, Carla?

 

- Tenho – minto outra vez.

 

- É filha única?

 

- Não.

 

- Suas irmãs são gatinhas assim como você?

 

Respiro fundo. Conto até dez. O sangue sobe até a cabeça. Sinto que vou explodir e mandar aquele velho para a $%&# @#$  %  +*&$%!!!

 

- Só tenho irmãos.

 

Só isso? Sim. Abri a boca para xingar. Mas saiu apenas isso. Por que eu não dei uma bifa na cara desse velho? Alguém pode me explicar por que mantive a educação com um desgraçado como ele?!?

 

Olho para todos os lados, nenhum lugar vago. Fico pensando em reclamar ao motorista da atitude daquele sujeitinho repugnante. Imagino o constrangimento. O ônibus estava lotado. Desisto ao pensar que todos os passageiros acabariam a par da situação. Envergonho-me de minha própria covardia.

 

937_gO velho resolve se aproveitar disso e descaradamente segura na minha mão. Finalmente digo algumas coisas do tipo: “O que o Sr. está pensando? Não se enxerga, não? (…)”. Vejo uma poltrona livre do outro lado do corredor. Pego minha bolsa e mudo de lugar. Apenas isso.

 

O velho saiu impune. Certamente vai continuar assediando outras mulheres. Por que outras como eu preferiram calar, ao invés de denunciá-lo. Isso aconteceu comigo porque outras antes de mim também optaram pela omissão. E quando isso vai parar?

 

Homens como ele podem ser pedófilos, bater em mulher, coisas do tipo. É inadmissível que continuem a solta por aí. Espero que a próxima vítima tenha mais atitude do que eu, que o coloque no lugar que ele merece.

 

Mais uma historinha para minha coleção de causos de viagem. Às vezes tenho a impressão de que quanto mais rezo, mais assombração me aparece.


Enquanto isso a vida segue…

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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

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Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

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