
Havia dezenas de netos. Bisnetos, nem se fala. A noite de sábado estava bastante fria, mas mesmo assim a família Carboni estava quase toda lá. Dos quatorze filhos, só faltou tio Osmar (falecido há pouco tempo). O aniversariante já não reconhece a todos, embora sejam descendentes seus.
Mas por algum motivo estranho, aos 95 anos, continua a lembrar do meu nome. O fato de ele recordar de mim, mesmo tendo crescido distante e morar fora há mais de dois anos, me deixa comovida. Confesso.
- Carina, tu veio!
Olha para um parente ao lado. Ri e repete o de sempre:
- Essa minha neta é muito engraçadinha.
Após as homenagens, a sessão de fotografias tem início. Tira foto com todo mundo, não reclama. Fica de pé por horas e não o vejo queixar-se de dor nas pernas, nas costas, em lugar nenhum. Muito pelo contrário, está super animado.
No momento em que nos posicionamos frente as câmeras, percebo-o movimentando os quadris e os joelhos, exatamente no ritmo do vanerão que já embala a festa e que também o levará a pista, momentos depois – agora já sei de quem herdei meu pique para as baladas.
Levo horas pra poder cumprimentar os familiares, mesmo assim não consigo falar com todos. Pra variar, as tias querem saber do namorado bonitão – que dizem ter visto a foto “recentemente” no orkut. Felizmente os tios não fizeram aquela pergunta, chata e sem graça, sobre quando pretendo me casar. Sem ter apresentado nenhum namorado à família, aos 22, já devem estar achando que vou benzer tormenta.
A maioria quer saber sobre a faculdade, o que é bem natural, já que da última vez em que os vi ainda cursava o ensino médio. Encontro duas primas vestidas iguaizinhas a mim – yes, um viva à sociedade de massa!- e fazemos questão de registrar isso. Com o primo eu mato um pouco da vontade de dançar música gaúcha – embora tenha faltado um chamamé figurado.
Foi muito bom rever a família reunida após tanto tempo. Não sei se isso vai acontecer novamente, mas dizem que no dia seguinte, o nono já falou sobre o seu centenário, em 2013. Pode ser que isso não aconteça, mas uma coisa é certa. O segredo da longevidade de sua vida é justamente o fato de acreditar no futuro, reprojetar suas metas, ter esperanças.
Meu avô é mesmo um grande sábio, sabe como levar a vida. De qualquer modo, suas lições serão eternas.
Luís Rockinbach Carboni e sua prole
Comentaram por aqui