Arquivo para Setembro, 2008

Quando eles se encontram

 Ele nem é capaz de compreender o bem que ela lhe faz. Mas sabe que sorri por dtristeentro toda vez que a vê. Mantém uma dureza constante no olhar. A postura é fria. Mas no fundo é só disfarce – misturado com uma pitada de insegurança.

Ela, por sua vez, mostra-se feliz. Parece feita de sorrisos. Dança. Canta. Interage com todos. Até parece não ligar, mas por dentro chora se prestar atenção no que diz a letra da canção que toca ali. Procura não pensar – o que é em vão.

São diferentes assim. Em comum apenas o passado e o orgulho.

E – quem sabe? – parte da mesma saudade.

Temporada das flores

Lá vem a primavera. Ela chegou essa semana e já trouxe consigo as belas manhãs de sol, que tanto gosto. Ah… Como é doce a primavera! Aquela sensação colorida de paz, de estar a menos de um passo da felicidade.

Adoro essa impressão de coisas maravilhosas prestes a acontecer. Natal, final de ano, férias, formaturas e tudo de bom que vem junto com o verão. Sei lá, pode parecer besteira, mas parece que as melhores coisas da minha vida sempre acontecem nessa estação.

Tenho saudades do gramado da minha casa, lá em Praia Grande; dos lençóis balançando no varal, das flores semeadas por minha mãe junto a cerca; dos amores-perfeitos de todas as cores; das adálias bordôs e mescladas com branco; das rosas e das orquídeas nas árvores também. O pátio já deve estar florido por lá.

Mas não quero me perder em meio as minhas nostalgias. Quero fechar este post com uma canção que celebra o momento. Sempre gostei das composições do Leoni, mas Temporada das Flores é uma das mais especiais na minha vida:

Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

 

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

 

Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida…
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Festa de família

Havia dezenas de netos. Bisnetos, nem se fala. A noite de sábado estava bastante fria, mas mesmo assim a família Carboni estava quase toda lá. Dos quatorze filhos, só faltou tio Osmar (falecido há pouco tempo). O aniversariante já não reconhece a todos, embora sejam descendentes seus.

Mas por algum motivo estranho, aos 95 anos, continua a lembrar do meu nome. O fato de ele recordar de mim, mesmo tendo crescido distante e morar fora há mais de dois anos, me deixa comovida. Confesso.

- Carina, tu veio! 

Olha para um parente ao lado. Ri e repete o de sempre:

 - Essa minha neta é muito engraçadinha.

Após as homenagens, a sessão de fotografias tem início. Tira foto com todo mundo, não reclama.  Fica de pé por horas e não o vejo queixar-se de dor nas pernas, nas costas, em lugar nenhum. Muito pelo contrário, está super animado. 

No momento em que nos posicionamos frente as câmeras, percebo-o movimentando os quadris e os joelhos, exatamente  no ritmo do vanerão que já embala a festa e que também o levará a pista, momentos depois – agora já sei de quem herdei meu pique para as baladas.

Levo horas pra poder cumprimentar os familiares, mesmo assim não consigo falar com todos. Pra variar, as tias querem saber do namorado bonitão – que dizem ter visto a foto “recentemente” no orkut. Felizmente os tios não fizeram aquela pergunta, chata e sem graça, sobre quando pretendo me casar. Sem ter apresentado nenhum namorado à família, aos 22, já devem estar achando que vou benzer tormenta.

A maioria quer saber sobre a faculdade, o que é bem natural, já que da última vez em que os vi ainda cursava o ensino médio. Encontro duas primas vestidas iguaizinhas a mim – yes, um viva à sociedade de massa!- e fazemos questão de registrar isso. Com o primo eu mato um pouco da vontade de dançar música gaúcha – embora tenha faltado um chamamé figurado.

Foi muito bom rever a família reunida após tanto tempo. Não sei se isso vai acontecer novamente, mas dizem que no dia seguinte, o nono já falou sobre o seu centenário, em 2013. Pode ser que isso não aconteça, mas uma coisa é certa. O segredo da longevidade de sua vida é justamente o fato de acreditar no futuro, reprojetar suas metas, ter esperanças.

Meu avô é mesmo um grande sábio, sabe como levar a vida. De qualquer modo, suas lições serão eternas.

 

Luís Rockinbach Carboni e sua prole

Quando tudo acaba

Eles nem percebem que estão diante da mesma porta. Estão ali, exatamente onde tudo começou numa tarde ensolarada de verão. Tudo o que sobrou dos dois ela traz numa sacola. Entrega-a. Puxa um assunto qualquer e ele responde. O assunto morre. Fica aquele silêncio embaraçoso.

Ela diz algumas palavras ensaiadas, sente-se ridícula logo depois. Ele retribui com um sorriso meio sem graça, um abraço formal. Um beijo seria o suficiente para perceber que tudo mudou, mas eles querem mais. Depois disso, nada.

- Te ligo qualquer dia pra gente se ver.

- Tá bom- ela responde e segue andando pela calçada.

Sente-se estranha por não se importar com o fato de que ele nunca vá ligar. Ele não pensa em nada. Apenas dirige apressado para chegar a qualquer lugar. Simples assim. O que começou naquela tarde quente de quinta-feira, por ironia do destino, acaba no mesmo lugar. Ali em frente aquela mesma porta, num sábado nublado e frio.

Amores são sempre iguais. Começam alegres como um belo dia de verão, acabam abatidos como um final de semana sem sol. Mas no outro dia será domingo, ela lembra, e o tempo poderá ser belo outra vez.

Poesia é sempre poesia

- Copiei as palavras abaixo de um livro no qual estavam creditadas ao poeta Drummond. Embora desconfie que tenham sido adaptadas, poesia é sempre poesia, bálsamo para as dores de nossa alma. Vale a pena ler!

 

Definitivo

 

Definitivo. Como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,

Mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

 

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.

 

Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

 

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os  momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

 

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

 

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

 

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!

 

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

 

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional…

Estrelato

 

Agora sou comediante. E o mais interessante nisso tudo é que não preciso contar piadas – ainda bem, porque sou péssima nisso. Basta responder à chamada em sala de aula para despertar o riso e a simpatia da platéia.

Se não estou estudando para a profissão errada, então essas vidinhas andam mesmo muito miseráveis. Só a pobreza de alegrias pode ter transformado a palavra ”presente!” em algo tão engraçado.

Quanta estupidez!


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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

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Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

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