Durante uma aula, na faculdade, a professora Liza Lopes solicitou o conceito da turma sobre Radiojornalismo. Esta pergunta, aparentemente simples, remontou à minha história de amor com o rádio.
Não sou capaz de informar quando se deu meu primeiro contato radiofônico; o rádio está presente em minha vida desde que me entendo por gente. Mas entre as lembranças mais remotas está o receptor de madeira, modelo da década de 50, que meu pai deixava sobre uma prateleira no paiol de fumo. Era nas estações Farroupilha e Maristela, ambas AM, que eu escutava as lambadas do Beto Barbosa – que aos três anos me faziam correr para vestir uma saia rodada (que brega!) e de quebra ainda arriscar uns passinhos.
De ouvinte à locutora de rádio (amadora) posso dizer à professora Liza e a quem quiser ouvir que fazer Radiojornalismo para mim é diariamente adentrar lares, locais de trabalho, hospitais e presídios; todos em tempo real. É chegar simultaneamente até o pobre, o rico, o velho, a criança, o adulto; democratizar a informação. É ter a possibilidade de fazer imaginar, é cunhar uma expectativa no ouvinte. É dar a cara a tapa – e nunca poder errar.
É o desafio de saber noticiar e emocionar pela voz – sem abusar do apelo. É
ter o poder de transformar a informação em boa ou ruim – através da simples entonação. É cativar a credibilidade e o afeto de quem não conhece. É parecer loiro, moreno, gordo, magro, alto, baixo – de acordo com a imaginação de quem ouve.
É escrever simples, para falar simples. É não contar com imagens e valer-se da descrição. É dar a informação anteriormente e se possível pautar o jornal, a revista e a televisão.
É ser prestador de serviço. É ler e interpretar informação para o analfabeto. É alcançar o radinho de pilha, aonde nem a eletricidade chega. É acompanhar o ouvinte na rua, através do celular. É estar junto da dona de casa, que está lá na cozinha rodeada de afazeres e também do motorista, no trânsito. É estar disponível na internet para todo o mundo. É falar para muitos, como se falasse para um.
Para alguns, Radiojornalismo limita-se ao jornalismo no rádio. Mas para mim é muito mais que isso. Se há uma paixão em minha vida, acredite, esta paixão é o Rádio.
Quero voltar logo para ele.



Fiquei imaginando vc dançando lambada! ahahahhaha