Lutas válidas

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Quero olhar para o cara do meu lado, no futuro, e saber que está ali por vontade própria, que não supliquei, em momento algum, para que ficasse. Quero ter a consciência tranqüila de que não fui responsável pela renúncia de seu sonho e ficar feliz por tê-lo comigo. Mais feliz ainda por saber que fui a sua escolha e não a sua penitência. Quero ter o amor e a admiração desse cara e nunca a sua piedade. Deitar todas as noites sem desconfiar que esteja comigo e sonhando estar com outra ou arrependido de não ter vivido o que queria viver por minha culpa.

Pode ser sim, que pra muita gente, isso represente entregar de “mão beijada” meus amores. Já me disseram que eu não sei lutar pelo que é meu. Mas sei que o maior equívoco é acreditar-se dono de alguém e de seus sentimentos e é por isso que, pra mim, a luta pelo amor é uma luta perdida. Por que ela simplesmente não existe. Basta partir do princípio de amar que é lutar a favor e nunca contra quem se ama. É uma ilusão acreditar que venceu os sentimentos de alguém. Além disso, como saber da vitória? É tão mesquinha essa imposição que as pessoas fazem na vida uma das outras.

Orgulho da minha parte? Pode ser. Não vai me trazer felicidade? Talvez. Mas a verdade é que sou íntegra demais para me contentar com a dúvida do amor. Quero certezas. Se quer ir, que se vá. Orgulho pode não trazer felicidade, mas dignidade é essencial. Essa sim é uma luta válida e da qual não abro mão.  

9 Respostas para “Lutas válidas”


  1. 1 larissaguerra 03/11/2007 às 17:36

    nao se pode lutar por algo que não se pode possuir.
    estar junto com alguém não significa tê-la.
    essa é minha bronca com relacionamentos.

    o dia que alguém entender que só se ama inteiramente com liberdade, eu comemorarei abrindo uma cerveja.
    haha

    beijo

  2. 2 Schali 04/11/2007 às 19:20

    Por essas e outras que a admiro.
    Seu texto diz tudo e basta por si, nada a acrescentar!

    Bjo!

  3. 3 luana 28/04/2008 às 19:23

    É isso aí carina, se vc se sente bem assim é o melhor que se tem a fazer.
    Não adianta querer mudar ou forçar mudar algo que é incontestável, como
    seu jeito de ser, firme, certa, íntegra e objetiva.
    Ser valorizada é o essencial, mas para um começo é impossível ter certezas,
    em qualquer relacionamento.

    O amor é uma inconstante (ou seja voluvel, instável), nós seres humanos somos assim, não conseguimos ser 100% fortes, seguros de si, por isso é preciso paciência para compreender o amor, e, reinvetá-lo a cada dia.

    Todo dia é um começo no amor, principalmente quando ainda se está conhecendo a outra pessoa ( vivemos uma vida inteira e, ainda é pouco para conhecer completamente), só depende de um novo olhar, gargalhada,um jantar, um “posso te ajudar nesse problema?” ou melhor só depende dos dois.

    beijoss

  4. 4 Wagner 26/06/2009 às 01:36

    adorei suas colocações copiei ate pra ler pra pessoa que estou me relacionando

  5. 5 Leila Brito 21/10/2009 às 12:07

    Carina,

    Parabéns pelo texto!

    Realmente, você aborda a importância do respeito à liberdade do outro dentro do relacionamento em Eros.

    Achei curioso você falar em “certeza”, quando talvez quisesse dizer “definição”. Ou seja, o querer as coisas definidas, do tipo “ou me ama ou não me ama”. É sutil a diferença entre certeza e definição, mas ela existe, e eu vejo dessa forma: a definição avaliza se uma coisa é ou não é, ou seja, mostra se ela é certa de si (certeza). Muitas vezes algúem ama, de fato, alguém, mas não se define por aquela pessoa, deixando-a na dúvida quanto à veracidade do seu amor por ela. Eis, então, a importância de se definir por ela para mostrar-lhe a certeza do amor. Percebeu a sutileza da diferença?

    Mas chega de filosofar… Se eu me entregar ao pensar, escreverei novo ensaio. rsrs

    Grata pela distinção e pelo comentário deixado em meu Chá.com Letras. Apareça sempre.

    Abraço,
    Leila

  6. 6 Leila Brito 21/10/2009 às 13:02

    Carina,

    Volte para fazer uma observação: traçar a diferença crucial entre seu ensaio e o meu.

    A essência não é a mesma. Você aborda esta questão única: “quero algúem que fique ao meu lado por vontade própria, e não por se sentir obrigado a ficar ao meu lado”, certo? Basicamente foi isto. Ou seja, você abordou a LIBERDADE DE ESCOLHA para se estar livre dentro da relação, de forma a ir embora quando se sentir vontade. E você não filosofou sobre a questão. Abordou-a de forma objetiva e superficial. E mais, colocando a sua vontade pessoal como o objeto da reflexão – ele é escrito na primeira pessoa do singular – o sujeito é você. Se escrevesse em linguagem indireta, abriria mais o leque de sujeitos e alcançaria mais pessoas, em outras palavras, faria com que os leitores se sentissem como o sujeito do ensaio. Creio que compreendeu. Escrever na primeira pessoa limita o alcance da idéia.

    Já no meu ensaio, além de usar linguagem indireta, eu abordo a Liberdade no amor sobre outra ótica: “a pessoa amada ter acesso à pessoa que ama e vice-versa, no plano de uma interatividade plena”. Assim, falo da Liberdade da busca e do encontro efetivo em Eros pela interação mútua. Falo da profundidade de um compartilhamento real de alcance do outro, de duas vias afetiva em estado de encruzilhamento, negando-se um relacionamento de mão única; falo de um caminho unilateral e não de vias paralelas.

    Vê como é grande a diferença? O único momento em que seu texto se aproxima do meu, em essência, é apenas no prímeiro parágrafo do meu texto, onde falo que o amor não é coerção, não pode obrigado a ser. Somente aí, porque na medida em que vou aprofundando meu filosofar, eu me deparo com outros viezes do enfoque central e gero outros questionamentos, como o que se faz presente na questão da “perda de rumos” na busca do amor, que é um tema que você não aborda em seu ensaio. E também falo do amor como falta, que é base da razão de ser de Eros. Na verdade, mergulho na essência do sentido de ser do amor. A minha abordagem é mais extensa, concorda?

    Portanto, meu ensaio não é igual ao seu em essência, mas bem diferente, pois adentrando outras esferas dentro da temática Eros, que eu culmino de forma inequívoca, sobre a questão central dele: a Liberdade da busca e do encontro em Eros, como resultado de um aprofundamento que visei, quando lá no começo abordo a questão da impossíbilidade do amor sobreviver pela coerção.

    Viu como essa comparação deu pano pra manga, filosoficamente falando? É por isso que a Filosofia abre a visão, expande os sentidos e alarga os horizontes. Somente ela nos leva à razão das coisas.

    Valeu pela intensa reflexão.

    Abraço,

    Leila

  7. 7 Leila Brito 22/10/2009 às 14:33

    Carina…

    Voltei hoje, somente para dar-lhe os parabéns pelo blog, e, em especial, pela lucidez de suas reflexões.

    O mais bonito? Você, tão jovem, revelando-se um autora de valor.
    Sinto-me feliz, por jovens se dedicando à arte da criação textual de forma séria e responsável.

    Siga em frente, pois seu talento esparge esperança.

    Abraço,
    Leila

  8. 8 Carina Carboni 22/10/2009 às 21:07

    Vindo de uma grande escritora e filósofa como você, só posso dizer que me sinto muito honrada pelo elogio.

    =D

    Abraço!

  9. 9 Achel Tinoco 23/10/2009 às 09:26

    DEPOIS DE CERTA IDADE…

    Aprendi que o meu amor é mais forte
    que a sutil ideia de querer-te acorrentar ao coração
    e a minha fantasia não pode estar atada à simples vaidade.
    Aprendi que cada momento ao teu lado foi terno, único, mágico,
    apesar das tantas vezes em que eu não tenha sido justo e que,
    por isso mesmo, a deixei sufocada pelo meu egoísmo.
    Mas que tu entendas o quanto significas em minha vida,
    porque se assim o fizeres a nossa amizade resistirá à longa distância,
    e ainda que o tempo seja cruel com os nossos rostos,
    não poderá nos impedir de sentir alegria
    por cada momento por que passamos.

    Ps. Tomara que gostes. Seu blog é uma graça. Parabéns!


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"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

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Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

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