Em 2010: Um passo de cada vez

Embora a primeira década do século e do milênio seja finalizada só no ano que vem, posso afirmar que 2009 encerra o meu primeiro ciclo significativo de vida. Digo isso porque, embora já tenha vivido pouco mais do que duas décadas, considero que os dez primeiros anos de nossas vidas não dependem muito de nós, mas das escolhas de nossos próprios pais.
Fazendo um balanço geral destes primeiros anos do século XXI, dos anos que minha vida foi guiada basicamente por minhas próprias escolhas, posso dizer que fui além do que esperava ser na vida. No início dos anos 2000, por exemplo, a ideia de ser jornalista já estava bem consolidada em minha cabecinha adolescente, mas não pensava que ainda nesta década conseguiria chegar tão perto disso.

A grande verdade é que a faculdade parecia um sonho distante para a guriazinha do interior que não poderia contar com a grana dos pais para bancar seus estudos longe de casa. E quem poderia imaginar que iniciaria a segunda década do século com o pé na profissão, ou pelo menos com a formação inicial? Pode não ser nada para muitos, mas é muito mais do que eu esperava há dez anos.

Quem acompanha este blog há certo tempo, já deve ter percebido o desânimo que acompanhou esta blogueira-sonhadora-pseudo-jornalista-que-vos-escreve durante todo este ano. Devo admitir que a ansiedade não me permite esperar pelas coisas.Quando eu quero, eu quero já, eu quero pra ontem e do jeito que imagino que seja o único – talvez seja um mero reflexo dessa vida moderna, que corre contra o relógio e quer o macarrão pronto em no máximo três minutos.

Essa mesma ansiedade, caros amigos, que não conseguiu me perdoar por não ter conciliado os estágios que eu queria ter feito durante a faculdade. Essa mesma ansiedade que me destruiu as unhas, que tantas vezes me levou ao choro este ano e a pensar que deveria ter feito mais, quando ralei para pagar o aluguel e as outras contas que o estágio voluntário jamais pagaria.

Mas o papo hoje é outro, não é desolação. Quero fechar o ano e a década com otimismo. Quando tanta gente cai no pieguismo de fazer retrospectivas de final de ano, me permito fazer o mesmo dessa vez. E digo que meus últimos dez anos foram proveitosos. E digo que eu conquistei o que aos olhos de muitos parecia pretensão. E avaliando tudo isso, porque não julgar possível que na próxima década alcance aquilo que me pareça inalcançável hoje? E porque não acreditar que as coisas boas acontecem quando a gente menos espera?

Chego ao final deste ano difícil com a conclusão de que o primeiro passo para viver tudo isso é detonar a maldita autocobrança que me persegue. “Um passo de cada vez”, como tantas vezes repetiu meu irmão durante este ano. No último post de 2009 admito: Ele sempre esteve com a razão.

Você sabe o que é o Natal?

Posso imaginar as enquetes de jornais, daqui alguns anos, perguntando às pessoas na rua porque dia vinte e cinco de dezembro é feriado. Em seguida, um historiador com cara de chato estará explicando como tudo isso começou. Mas como ele é chato, ninguém vai prestar atenção em nada porque todo mundo já está careca de saber que Natal serve para dar e receber presentes. E comer peru, é claro.

Original em: http://yuzuru.wordpress.com/

Se achou isso meio absurdo, pergunte a qualquer criança com menos de dez anos sobre o que é o Natal. Aposto que a resposta não seria muito distante disso. É que o símbolo do Natal tornou-se mesmo o Papai Noel. Repare em como ele tem invadido as ruas, as vitrines, as fachadas das casas e dos jardins nos últimos anos.

A celebração natalesca do consumo tenta então remendar a desigualdade com campanhas de solidariedade, como se a doação de um carrinho de R$1,99 fosse amenizar o sentimento do menino pobre que sonhou o ano inteiro com um vídeo game que custava quinhentas vezes mais.

Sim, é verdade que o Natal gera renda para muitas famílias. Também é verdade que é o motor de muitas indústrias que dão emprego aos pais das crianças esquecidas pelo “bom velhinho” – que na teoria não deveria esquecer-se de ninguém. Mas é fato que o Natal só tem graça para quem tem algum dinheiro para gastar, pois para quem não o tem, não passa mesmo de um momento de extrema exclusão.

E o que dizer dos comerciais de televisão que já dizem onde você deverá empregar o seu 13º salário? E das pessoas que se obrigam a ficar com o saldo negativo para suprir os desejos dos filhos e da pressão comercial que gira em torno da data?

Mas o Natal é também solidariedade e generosidade, então vamos fazer como disse o cara do comercial da TV e torrar nosso 13º salário em presentes legais para as pessoas que amamos (só para não pegar mal). E para não pesar a consciência, vamos doar um brinquedo made in china aos pobres.

Poderia dizer que um dia alguém veio a terra para ensinar que doação é repartir aquilo que temos de melhor com o outro. Doar as sobras não iria condizer com os seus ensinamentos… Mas quem iria se importar com esse cara? Ninguém nem mesmo sabe quem foi ele…

Dedico-me um poema

Eu preciso. Tu precisas. Ele precisa. Nós precisamos. Em algum momento vós também precisareis de um pouco de poesia para confortar ou alegrar a vida. Por hoje dedico a mim (e a quem, por ventura também necessitar) um pouquinho do Drummond.

Consolo na praia

 “Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.”

Carlos Drummond de Andrade

Viajando na introspecção

Minha autoconfiança tem se mostrado uma adversária implacável.

Por hoje me limito a escrever apenas isso.

Livre-se dos rótulos

Sempre achei estranho que as pessoas pudessem não gostar de alguém antes de saber direito de quem se trata. Antes mesmo de desfrutar da companhia do sujeito,  antes de saber se tem histórias engraçadas para compartilhar.  Antes de saber como canta, dança e se sabe ou não fazer piruetas. Antes de saber de onde veio e quais dificuldades e felicidades encontrou pelo caminho. Antes mesmo de conhecer o lado bom que ele certamente tem.

É como se nunca mais quisesse tomar chocolate quente por ter sapecado a língua da primeira vez que experimentou. Como se não andasse mais de bicicleta só porque caiu e ralou o joelho quando criança. Como se não beijasse mais na boca porque o primeiro beijo foi ruim. Como se não bebesse mais vinho porque não gostou da dor de cabeça do pós porre. 

Pessoas taxativas são assim, nunca dão chance. Acho isso uma pena, pessoas rotuladas sofrem.  Mas quem rotula perde mais, nunca fica sabendo o que poderia encontrar após a primeira impressão. Uma grande amizade? Um grande amor? Um grande sorriso? Uma grande dor? Uma grande saudade? Quem sabe? Mas, uma grande surpresa certamente haveria de achar.

Saiu no Cobaia

A pseudo jornalista  que vos escreve pretende criar um novo blog com matérias de sua autoria, estilo portifólio, assim que se livrar do pré-projeto de TCC. Por enquanto, ela se contenta em divulgar o que tem sido publicado neste semestre pela edição on line do Cobaia , o jornal laboratório de seu curso.  

 

As matérias mais recentes estão publicadas nas editorias Geral (Briques conquistam novos clientes em Itajaí), Entrevistas (Desobediência pode ser um reflexo de violência no lar) e Tecnologia (Faça chuva ou faça sol). Adianto aos marinheiros de primeira viagem que a página não é muito funcional, porque precisa respeitar o layout básico do site da universidade, mas os futuros jornalistas da Univali tem se esforçado para produzir conteúdo de boa qualidade.

As matérias mais recentes são produção do 8º período de Jornalismo, minha classe. Garanto que vale a pena da uma passadinha por lá: http://www.univali.br/cobaia.

Assim falou Franklin Martins…

“Algum tempo depois de ter começado a fazer comentários políticos na TV Globo, parei em uma lanchonete para tomar um mate gelado. O cara que me atendeu fez uma cara cúmplice e me sapecou a pergunta:

franklin martins

Ilustração retirada de ilustrasite.blogspot.com

- O sr. não é o Joelmir Betting?

-Não.

- Não é o Joelmir, aquele que faz comentários de economia? – insistiu, espantado.

- Não - mantive.

O rapaz trouxe o mate e continuou:

- Mas é incrível. O sr. é a cara do Joelmir Betting.

- É, mas não sou ele.

- O impressionante é que sua voz também é igualzinha à do Joelmir Betting. Devem lhe confundir muito com ele, não é?

- Não, é a primeira vez.

Mas o sujeito era duro na queda. Quando trouxe o troco, não resistiu:

- O sr. pode dizer que não é o Joelmir Betting, mas não me engana. Eu sei que o sr. é o Joelmir Betting.

E foi atender outro cliente, desconcertado com minha falta de cooperação.

Saí dali matutando se não deveria ter admitido que era o Joelmir. Afinal, um jornalista de vídeo não se distingue tanto assim de outro jornalista no vídeo. Ambos não passam de um borrão na memória de boa parte do grande público. Desde quando o nome do borrão é importante?

Outro dia – já estava escrevendo este livro – entrei no banheiro do aeroporto do Galeão. O faxineiro, um negão imenso, saudou-me com um sorriso de orelha a orelha.

- Salve o grande Joelmir Betting.

- Salve – respondi, feliz da vida por ter sido reconhecido.

Jornalista não briga com os fatos.”

A pequena crônica é parte do livro Jornalismo Político de Franklin Martins. O conhecido comentarista político da Tv Globo, da Globonews e da CBN também passou pelo Jornal do Brasil e o Estado de S. Paulo - além de ter sido correspondente do Jornal do Brasil em Londres. Estou encantada com este livro (passei um pouco da metade), linguagem simples e inteligente.

Indico não só para profissionais e estudantes de jornalismo quanto para pessoas de outras áreas e que estejam interessadas em conhecer os bastidores do que rola em Brasília, um pouco da história da política no Brasil e as mudanças da cobertura jornalística. Ele trata o tema “pesado” com bastante bom humor e descontração, de modo tão peculiar que até quem detesta o assunto acaba lendo com facilidade. Aprovei. Aliás, virei fã.

Por que a mídia banaliza a violência?

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(Foto retirada do site www.unmultimedia.org)

A discussão sobre  mídia e  violência veio à tona na minha aula de Jornalismo Especializado, na última terça. Como o tema rendeu pano pra manga, o professor sugeriu uma discussão aberta no site da universidade (através de uma ferramenta  chamada teleduc). Compartilho aqui a minha opinião sobre o assunto:

Se por um lado a facilidade do acesso a informação melhorou a vida das pessoas, também serviu para agravar o modo como a violência é tratada pela mídia. Na corrida pela sobrevivência no mercado, os veículos de comunicação têm apelado cada vez mais a assuntos relacionados à violência. Como sabemos, essa prática tem se tornado cada vez mais recorrente, principalmente após a popularização da internet.

Vejo que os veículos de comunicação estão perdidos em meio às fortes transformações que a sociedade vem enfrentando. Até mesmo programas consagrados, como os telejornais mais tradicionais da televisão brasileira, vem priorizando matérias de caráter apelativo. Tudo isso com o intuito de chamar a atenção do telespectador em meio a este mar de informações que bombardeiam nossas mentes todos os dias.

O resultado disso tudo é mesmo a banalização da violência, assim como da corrupção e diversos outros problemas urgentes no mundo. Assuntos sérios e que são abordados pela mídia (em geral) de modo superficial e com fortes tendências sensacionalistas. Ao invés de conscientizar a sociedade a cerca da gravidade do problema e tentar buscar soluções através de uma visão de caráter social, os veículos tem tirado proveito desse caos para angariar leitores, aumentar a audiência ou os acessos em web sites através da pura espetacularização da notícia.

Diante deste cenário, é possível lembrar aos nossos profissionais que a expansão dos meios de informação deve ser encarada como um estímulo à criatividade e inovação do jornalismo, nunca como justificativa para o emprego do sensacionalismo barato. Para os consumidores de informação, sugiro um boicote aos veículos que viram as costas para a sociedade em virtude da exploração da violência como linha editorial.

O bem que só ele me faz

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É ele quem atura meus ataques de tagarelice e crises-existenciais-tepeêmicas. É ele que me salva dos cálculos matemáticos. É quem compreende minha melancolia e quem me diz pra confiar sempre que eu penso em desistir. É só ele quem sente falta da pimenta na minha comida. Só ele quem ri do meu jeito atrapalhado de fazer as coisas e quem briga comigo toda vez que percebe o roído das minhas unhas.

Ele me trouxe a paz de um abraço amigo. Ele me fez esquecer a solidão angustiante dos finais de tarde de domingo. Ele me provou que ainda existem caras bacanas e legitimamente avessos às ostentações e futilidades. Ele me mostrou o quanto é bom adormecer com a cabeça no ombro de quem a gente ama. Ele me fez acreditar novamente no amor. _______________________________________________________

Obrigada, meu bem,  por todas as coisas boas que você trouxe para minha vida. Nosso primeiro ano de namoro foi pra lá de especial.

Vilarejo

 
 Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
 
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
 
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
 
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
 
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
 
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
 
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes

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Não é segredo pra ninguém o quanto  faz bem pra minha vida o canto de Marisa Monte. Sempre que bate aquela deprê, gosto de  colocar o cd pra tocar e ficar quieta. Gosto daquele sentimento de paz invadindo a alma. É uma sensação semelhante a caminhada beira-mar, ao banho quente após um dia de muito cansaço, beber água para saciar a sede ou poder dar um abraço em quem se tem saudades.

Quando sinto vontade de fugir, sempre  fico imaginando o Vilarejo descrito na canção. Outras vezes gosto de lembrar do Vilarejo onde nasci e de onde sinto saudades.

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Visão área de Praia Grande/SC, fotografia feita do topo da Igreja Matriz (no coração da cidade)

 

Hoje é dia do Diário

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Dois anos de um blog cheio de besteiras, nostalgias, dramas e casos da minha vida universitária-doméstica -baladeira-amorosa. Estamos beirando 38 mil acessos e esse é o 93º post. Não sei quanto tempo isso vai durar, mas por enquanto posso dizer que estar por aqui me faz feliz!

Vida longa ao meu querido Diário!!!

Confira o primeiro post: http://diariodecarina.wordpress.com/2007/10/20/desculpe-eu-tenho-um-blog/

Eu não sabia do que ele era capaz

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O amor faz a gente mudar nossos conceitos. O mais engraçado nisso tudo é que algumas vezes passamos a admirar coisas que não despertariam a nossa atenção em outros tempos. É uma mudança interessante de contexto e que nos permite experimentar sensações e sabores totalmente diferentes.

Eu, por exemplo, acho a coisa mais linda do mundo quando o meu amor acorda com aquela bochecha rosada, logo de manhãzinha. Ora, vejam só! Também nunca fui o tipo de garota interessada em corpos sarados, mas não posso deixar de admitir que a barriguinha não-definida do meu amor passou a ter um charme todo especial, mudou no meu conceito. Sem falar que dá até aquela vontade de morder, só para fazer graça, já que ele morre de cócegas quando, por algum descuido, alguém resolve encostar nela.

Portanto, abaixo ao abdômen sarado! Abaixo ao homem que parece um boneco de plástico ou uma condição irreal. Afinal, não é assim que queremos ser valorizadas, por nossa essência e não pelo rótulo? Então por que a cada dia estamos exigindo que os homens sejam mais parecidos com os que figuram os comerciais de cuecas?  Vivemos criticando o modo como as mulheres são desrespeitadas e vivemos com nossa caixa de e-mail lotada de fotos de homens sem roupa. Mulheres, vamos dar um basta nisso. Vamos amar os homens de verdade.

Na minha visão feminista de ser, eu também nunca tinha imaginado o quanto poderia ser delicioso preparar alguma coisa para quem a PIN_UP~1gente gosta comer, mesmo que fosse um simples copo de Nescau ou um macarrão instantâneo. E como isso é bom! Posso dizer que, de modo algum, isso me tornou uma pessoa submissa ou sem direito de ser o que sou. Eu não perdi o meu valor por isso.

A grande verdade é que ultimamente estamos tão preocupadas em tentar competir com os homens que acabamos por esquecer o quanto pequenas atitudes do cotidiano doméstico nos deram prazer no passado. Cuidar de quem a gente ama faz bem pra gente. Acho que no fundo a nossa natureza sente falta disso.

Longe de mim querer afirmar que a queima de sutiãs das nossas ancestrais tenha sido vã. Mas acho, sinceramente, que precisamos repensar até que ponto essa sobrecarga de funções nos trouxe felicidade. Talvez isso explique porque, cada vez mais, as mulheres estejam recorrendo ao analista para suavizar suas carências afetivas.

Tudo isso é pra se pensar, de fato. Mas foi sem querer que me aprofundei nessas questões. Na verdade eu só queria dizer que quando estamos apaixonados tudo fica mais bonito e ganha um significado diferente. Eu realmente não fazia ideia do que o amor era capaz. Mas acho isso tudo fascinante.

Carta aos Vizinhos da Manoel Correa

Querida vizinha,

Tudo bem que fazer faxina é um saco. Mas, por favor, me poupe de seu péssimo gosto musical. Não me faça mais ouvir 15 faixas consecutivas de Rick e Renner e ainda apertar no repeat para repetí-las por todo o tempo que durarem os teus afazeres domésticos.

E nos dias em que não rolar a limpeza e as crianças estiverem em casa, faça-me a gentileza de esconder aquele aparelho de Karaokê que parece só ter música do Latino ou repértório dos anos 90.

Já que tua família é assim tão musical, seria bom que desse um recado ao teu excelentíssimo esposo também. Ninguém, aqui da rua, aguenta mais ouvir “som rachado”. Já que ele adora expressar sua fé, esgaçando o som do carro com hinos evangélicos que ninguém conhece (ou entende), fala para ele melhorar a qualidade PELO AMOR DE DEUS. 

Atenciosamente, 

Vizinha enlouquecida pelo Projeto de Conclusão de Curso

mulherfuriosa

 

Hoje eu não te quero pra mim

Ao mesmo tempo em que as memórias sobre o que me fez escolher jornalismo como carreira profissional  se apagam em meu coração, os motivos que me fazem desejar querer outra coisa para minha vida estão se tornando cada vez mais evidentes. Desculpe família. Desculpe namorado. Desculpem amigos que sempre acreditaram no meu potencial, mas isso tudo está fazendo mal para mim.

Já não quero mais depender da avaliação de quem nem sabe tudo o que tenho de passar para poder estar lá (na faculdade) todas as noites.  Para quê tanta dedicação afinal? Para não saber se vou conseguir um emprego decente depois de tanto sacrifício para estar formada? Cansei. Cansei mesmo. Chega de oferecer o melhor de mim para receber pouco, nada e às vezes até humilhação em troca.

Quero que tudo isso se dane. Amado Jornalismo, eu não te quero mais. Pelo menos por hoje eu não te quero mais pra mim.

Deixa eu me explicar

post_tati_meninaLamento estar distante daqui. Desculpem amigos, ando sem inspiração. A preocupação com a faculdade está consumindo toda minha vontade de escrever. Confesso estar mais introspectiva também, reciclando alguns conceitos, roendo unhas e perdendo fios de cabelos. Continuo sem saber o que será de mim depois da formatura. Tem horas que fico aliviada por estar perto de concluir esta etapa importante da vida, mas na maior parte das vezes fico angustiada por não saber o que fazer do meu tempo depois. Um medo insuportável de não corresponder expectativas, falo das minhas e das alheias.

Hoje li algo que expressa o meu grande temor, o monstro que há tempos habita meu armário interior. O texto de Davi Léo Levisky era sobre violência entre jovens e adolescentes e dizia assim:

“Preparam-se durante anos para encontrar um caminho na vida adulta, respeitar e preservar uma série de valores, mas deparam-se com elevadas doses de desesperança (falta de emprego, salários, dificuldades para constituir e assumir uma família). Esta condição gera o prolongamento da situação adolescente, que adquire um caráter de mecanismo defensivo. Hoje é necessário desenvolver um número maior de recursos pessoais para alcançar um grau significativo de autonomia. Seu futuro é pouco promissor quanto às possibilidades de realizações consistentes e duradouras”.

A verdade é que nunca se exigiu tanto da gente. Sucesso pessoal, profissional e estético estão no topo da lista. Ando de saco cheio dessa pressão social, dessa exigência de status acima de qualquer coisa. Outro dia falava disso com uma colega da faculdade, ela declarou o quanto sentiu-se mal quando uma “amiga” perguntou-lhe porque não se arrumava mais, não se vestia melhor, não cuidava mais da pele e do cabelo, essas coisas. Isso é coisa que se diga?!? Minha colega depois contou que a mesma rapariga investia todo o salário em roupas e por isso não tinha dinheiro para pagar uma faculdade. Não quero ser taxativa ou preconceituosa, nem conheço a tal moça. Mas cá entre nós, deve ser mais uma dessas caça-dotes que a gente vê por aí. Investindo, até o que não tem, na aparência. Certamente a fim de fisgar algum otário superficial para bancar seus caprichos.

A cada dia que passa tenho visto as pessoas mais desesperadas e vazias do que nunca. Um sapato de grife nunca teve tanta importância quanto agora. Conheço pessoas que estão no ensino superior e são incapazes de desenvolver alguma crítica sobre qualquer assunto vulgar. Fico inconformada quando falo sobre coisas que considero importantes e a pessoa fica me olhando com aquela cara demeusapato paisagem, como se dissesse “o que essa guria tá falando?”  para logo depois iluminar o semblante (como se fosse acrescentar algo de interessante) e apenas elogiar minha roupa – que não é de grife. Isso me indigna. Parece que as pessoas estão completamente hipnotizadas pelo consumo, andando pelos shoppings como se fossem zumbis, escravos da ditadura capitalista. Não vou bancar a hipócrita, também tenho meus deslizes de vaidade, mas acho que ainda sei diferenciar o valor de um livro e de uma bolsa.

Outro dia estava lendo sobre meninas que se prostituem para acompanhar as tendências da moda. Sem falar nas anoréxicas e bulímicas. Minha professora contou que algumas chegam a fazer cirurgias na face para serem aceitas nas passarelas, para se adequar a um padrão de beleza (o rosto mais quadrado) que alguém impôs como adequado.  Aonde vamos parar? Onde estão os pais dessas criaturas? Será que não possuem cérebro, não são capazes de avaliar a extensão desses absurdos?

Ora amigos, vejam como estou! É por isso que não tenho estado tão presente por aqui. Não quero contaminá-los com minhas inquietudes e inseguranças pessoais. Por hoje é isso, tenho que acabar minha resenha sobre a obra de Levisky.

Tenham uma excelente semana.

O carma do tagarela

Distração. Vaidade. Insegurança. O que nos leva a dizer coisas que não deveriam ser ditas? Posso afirmar que meus deslizes são movidos muito mais pela palavra do que pela atitude.

E a sensação de magoar as pessoas que a gente gosta é mesmo muito ruim.

ATRAENTE

PROFISSÃO: Especialista em Generalidades

Quanto mais o tempo passa, mas me certifico de que o maior desafio de ser jornalista é ter de saber sobre tudo. Nós, acadêmicos, passamos quatro anos na faculdade aprendendo técnicas de reportagem e entrevista, lead, pirâmide invertida, teorias de comunicação e ética, como elaborar cabeças, offs, roteiros, edição de sonoras e tudo mais. Embora este conteúdo seja essencial a um profissional do jornalismo, sabemos que o mercado nos exigirá conhecimentos que não fizeram (e nunca farão) parte da nossa grade curricular.

É impossível imaginar um bom jornalista que não entenda das demais áreas de estudo: política, economia, história, geografia, saúde, conhecimentos gerais e, sobretudo, de LÍNGUA PORTUGUESA. A Jornalistapropósito, não consigo entender como alguém deseja ser jornalista sem ter preocupação com o conhecimento do próprio idioma. E ollha que tem muito acadêmico, até mesmo profissional de mercado, escrevendo mal por aí. Muito mais do que se imagina.

Mas não escrevi este post para criticar os assassinos do português, e sim para falar de minha ansiedade. Hoje posso dizer que entendo o que o professor Magru disse na primeira semana de aula “Mesmo que vocês estudem, sairão daqui com a sensação de que não aprenderam nada”. É a mais pura verdade. Sairei daqui sabendo sobre as mais diversas técnicas de abordar a informação social, mas ainda ignorante sobre todo conhecimento de mundo necessário para ser uma boa jornalista.

A solução? Antes de tudo ter muita humildade para admitir não saber sobre tudo – o que é bastante difícil já que a maioria dos jornalistas é arrogante. Depois disso, o jeito é ler. Ler. Ler. Perguntar. Perguntar. Perguntar. Pesquisar. Pesquisar. E pesquisar. A bagagem será construída com o tempo.

A faculdade, caros amigos focas, é apenas o começo de um longo caminho a ser trilhado.

Lareira, vinho e muito Rock’n Rool

Sextas-feiras frias me fazem lembrar a adolescência. Nasci e cresci numa cidade de pouco mais de oito mil habitantes. Num lugar assim fica fácil imaginar que as opções de festas são bastante restritas. Nos finais de semana do verão a pracinha da cidade, ponto de encontro dos jovens, ficava deserta pois a juventude espalhava-se pelas praias do litoral próximo.

Mas as noites de inverno na única pizzaria da cidade eram deliciosas. Uma lareira era mantida acesa, mas o que realmente aquecia as noites de sextas era o sabor dos vinhos e o bom rock das bandas gaúchas.

Pra quem não conhece, segue uma amostra de uma das minhas canções preferidas:

Me leva pra casa – Alemão Ronaldo:

O Mendigo

Numa tarde chuvosa e fria do mês de julho, eis que ouço soar o interfone do meu apartamento. Como já estou habituada às travessuras dos moleques da rua, fui até a janela para me certificar de que não estavam outra vez apertando em vão, e aleatoriamente, nas teclas do aparelho. Para minha surpresa não os vi correndo pela rua. Definitivamente não havia ninguém lá fora.

Mais alguns minutos ouvindo o interfone ecoar nos outros apartamentos e novamente soou perto de mim. Dessa vez pude ver da janela um pé descalço em frente ao portão. Não vi nada mais que isso, pois a pessoa estava escorada atrás da parede. Vez ou outra alguém toca o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.

Preparei um sanduíche de presunto – o queijo estava acabando – e levei para o homem. Confesso que desci a escada satisfeita por cumprir a boa ação do dia.  Afinal estava sendo solidária, enquanto muita gente seria capaz de negar um prato de comida a um pobre faminto – e depois ir à igreja fazer preces pelos pobres.

O homem em frente ao meu portão não parecia bêbado, mas estava maltrapilho e sua figura dava pena. Aquele olhar de gratidão misturado com auto-humilhação fez com que eu me sentisse bem menos generosa. Ele não foi capaz de me olhar nos olhos, sua baixa estima não lhe permitiu. Mas antes de sair, pude ver a esfaimada mordida no pão e o sincero agradecimento:

- Muito obrigada querida, que Jesus te abençoe.

Pode ter sido uma frase pronta, mas prefiro acreditar que não. Muita gente perde a fé por muito menos do que ele. E não estou falando apenas da fé religiosa, mas também não pretendo entrar nesse assunto. O fato é que eu não perguntei o que estava fazendo ali ou o que lhe tinha acontecido para estar sozinho e vagando pelas ruas. Eu poderia ter ligado para o Programa de Orientação ao Migrante (POM) e pedido ajuda, eu poderia ter doado alguns minutos da minha atenção. Ao invés disso, eu lhe dei um sanduíche de presunto. Mesmo sabendo que ele precisava muito mais do que isso.

Depois disso os interfones pararam de tocar naquela tarde. Mas, mesmo assim, eu não fiquei em paz.

NOVA GRIPE: Cuidado com o efeito das máscaras

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Longe de mim querer bancar a ignorante ou disseminadora da teoria da conspiração. Mas, cá entre nós, se a gripe comum também mata, porque estão fazendo tanto alarde do vírus H1N1?

Confesso que, a príncipio, andei bastante preocupada com isso. Mas após ler um pouco mais a respeito do “novo” vírus, descobri que muita gente morre de gripe todos os dias. E por que isso não é notícia?

Posso estar enganada, mas isso me lembra a hipótese do Agenda Setting que conheci nos primeiros períodos da faculdade. Para quem nunca ouviu falar disso, posso adiantar que se trata de uma teoria de comunicação formulada na década de 70 por Maxwell McCombs e Donald Shaw. Segundo essa presunção, a grande mídia determina uma pauta para a opinião pública enfatizando certos assuntos e, por algum motivo, ofuscando ou deixando de noticiar outros.

Sendo assim, vale refletir antes de sair por aí comprando máscaras ou notícias descartáveis.

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Todo Mundo Lê o Diário

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Gabriel García Márquez

"A ética não é uma condição ocasional no jornalismo, mas deve acompanhá-lo sempre, como o zumbido acompanha a abelha."

Luiz Fernando Veríssimo

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo?"

Sobre a isenção jornalística

"A isenção é como a felicidade. Em termos absolutos e permanentes, é inalcançável, mas nem por isso deixamos de correr atrás dela.

A felicidade e a isenção estão onde nunca poemos os pés. Mas por que parar de caminhar se a caminhada nos faz bem e nos torna pessoas melhores?"

- Franklin Martins

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Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripa e do nono Carboni. Aspirante a jornalista. Namorada do Cleber. Cantora de chuveiro. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Vai tirar o aparelho (dos dentes) só no ano que vem. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Tem 23, mas parece ter menos. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Vai ser jornalista mas hard news não é a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.