Embora a primeira década do século e do milênio seja finalizada só no ano que vem, posso afirmar que 2009 encerra o meu primeiro ciclo significativo de vida. Digo isso porque, embora já tenha vivido pouco mais do que duas décadas, considero que os dez primeiros anos de nossas vidas não dependem muito de nós, mas das escolhas de nossos próprios pais.
Fazendo um balanço geral destes primeiros anos do século XXI, dos anos que minha vida foi guiada basicamente por minhas próprias escolhas, posso dizer que fui além do que esperava ser na vida. No início dos anos 2000, por exemplo, a ideia de ser jornalista já estava bem consolidada em minha cabecinha adolescente, mas não pensava que ainda nesta década conseguiria chegar tão perto disso.
A grande verdade é que a faculdade parecia um sonho distante para a guriazinha do interior que não poderia contar com a grana dos pais para bancar seus estudos longe de casa. E quem poderia imaginar que iniciaria a segunda década do século com o pé na profissão, ou pelo menos com a formação inicial? Pode não ser nada para muitos, mas é muito mais do que eu esperava há dez anos.
Quem acompanha este blog há certo tempo, já deve ter percebido o desânimo que acompanhou esta blogueira-sonhadora-pseudo-jornalista-que-vos-escreve durante todo este ano. Devo admitir que a ansiedade não me permite esperar pelas coisas.Quando eu quero, eu quero já, eu quero pra ontem e do jeito que imagino que seja o único – talvez seja um mero reflexo dessa vida moderna, que corre contra o relógio e quer o macarrão pronto em no máximo três minutos.
Essa mesma ansiedade, caros amigos, que não conseguiu me perdoar por não ter conciliado os estágios que eu queria ter feito durante a faculdade. Essa mesma ansiedade que me destruiu as unhas, que tantas vezes me levou ao choro este ano e a pensar que deveria ter feito mais, quando ralei para pagar o aluguel e as outras contas que o estágio voluntário jamais pagaria.
Mas o papo hoje é outro, não é desolação. Quero fechar o ano e a década com otimismo. Quando tanta gente cai no pieguismo de fazer retrospectivas de final de ano, me permito fazer o mesmo dessa vez. E digo que meus últimos dez anos foram proveitosos. E digo que eu conquistei o que aos olhos de muitos parecia pretensão. E avaliando tudo isso, porque não julgar possível que na próxima década alcance aquilo que me pareça inalcançável hoje? E porque não acreditar que as coisas boas acontecem quando a gente menos espera?
Chego ao final deste ano difícil com a conclusão de que o primeiro passo para viver tudo isso é detonar a maldita autocobrança que me persegue. “Um passo de cada vez”, como tantas vezes repetiu meu irmão durante este ano. No último post de 2009 admito: Ele sempre esteve com a razão.

Minha autoconfiança tem se mostrado uma adversária implacável.







gente gosta comer, mesmo que fosse um simples copo de Nescau ou um macarrão instantâneo. E como isso é bom! Posso dizer que, de modo algum, isso me tornou uma pessoa submissa ou sem direito de ser o que sou. Eu não perdi o meu valor por isso.
Ao mesmo tempo em que as memórias sobre o que me fez escolher jornalismo como carreira profissional se apagam em meu coração, os motivos que me fazem desejar querer outra coisa para minha vida estão se tornando cada vez mais evidentes. Desculpe família. Desculpe namorado. Desculpem amigos que sempre acreditaram no meu potencial, mas isso tudo está fazendo mal para mim.
Lamento estar distante daqui. Desculpem amigos, ando sem inspiração. A preocupação com a faculdade está consumindo toda minha vontade de escrever. Confesso estar mais introspectiva também, reciclando alguns conceitos, roendo unhas e perdendo fios de cabelos. Continuo sem saber o que será de mim depois da formatura. Tem horas que fico aliviada por estar perto de concluir esta etapa importante da vida, mas na maior parte das vezes fico angustiada por não saber o que fazer do meu tempo depois. Um medo insuportável de não corresponder expectativas, falo das minhas e das alheias.
paisagem, como se dissesse “o que essa guria tá falando?” para logo depois iluminar o semblante (como se fosse acrescentar algo de interessante) e apenas elogiar minha roupa – que não é de grife. Isso me indigna. Parece que as pessoas estão completamente hipnotizadas pelo consumo, andando pelos shoppings como se fossem zumbis, escravos da ditadura capitalista. Não vou bancar a hipócrita, também tenho meus deslizes de vaidade, mas acho que ainda sei diferenciar o valor de um livro e de uma bolsa.
propósito, não consigo entender como alguém deseja ser jornalista sem ter preocupação com o conhecimento do próprio idioma. E ollha que tem muito acadêmico, até mesmo profissional de mercado, escrevendo mal por aí. Muito mais do que se imagina.
o interfone do meu prédio pedindo alguma coisa. Normalmente pedem roupa ou leite para os filhos pequenos, mas desta vez a voz do outro lado me pediu um pão. Que por sinal poderia ser velho.

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