O melhor de todos os presentes

Imagem retirada do site: www.comidadibuteco.com.br

O domingo está chuvoso e você e o seu namorado resolvem ir ao shopping na esperança de assistir um filme bacana. É um daqueles dias em que todas as salas do cinema estão lotadas – o estacionamento e os corredores mais ainda – porque todas as pessoas da cidade tiveram a mesma ideia que vocês. No meio do caos da praça de alimentação acabam esbarrando justamente naqueles amigos com quem não falam há muito tempo.

- Oi, tudo bem? Nossa, que surpresa encontrar vocês!

- É verdade. Qual foi a última vez que nos vimos?

- Não sei guria, acho que ainda estávamos na faculdade…

- Puxa, é verdade – diz o outro.

Depois daquele abraço sincero, que parece durar muito menos do que a saudade que se sente, vem aquele sagrado silêncio do constrangimento. Enquanto todos procuram, em seu íntimo, um motivo que justifique tanto tempo sem comunicação – justamente numa era em que tudo isso se tornou tão acessível – alguém quebra o silencio apontando uma mesa que acaba de ficar vaga.

Todos ficam aliviados. Logo que sentam ali, alguém conta uma grande novidade. O assunto é bom e leva a outros ainda melhores e mais engraçados. Tudo fica mais leve, o riso fica fácil e natural. Entre uns copos de chope e alguns petiscos, as velhas e boas lembranças vêm à tona. A nostalgia, inevitavelmente, toma conta de todos ali. É um sentimento que pulsa forte e faz todos pensarem no quanto já foram felizes.

De repente um novo silêncio. Os olhinhos ainda sorriem com as histórias revividas ali. Nesse momento alguém olha para o relógio e o encanto, que aparenta ter durado apenas alguns minutos, chega ao seu fim.

- Meu Deus! Já são quase onze horas.

- É verdade, nem vi o tempo passar. As lojas já estão todas fechadas.

- Vamos indo, então. Amanhã temos que acordar cedo para trabalhar.

- É verdade, nós também teremos um dia cheio amanhã.

Todos lembram que são gente grande novamente. E como devia de ser, alguém sai com aquela frase típica e infeliz “Vamos marcar alguma coisa qualquer dia”. É uma daquelas frases prontas, como as que todo adulto diz pra iludir criança e que, no fundo, todo mundo sabe que nunca vai acontecer.

- Sim, vamos marcar mesmo.

Todos se despedem e voltam às suas vidas. Quem sabe, num outro final de semana chuvoso, a vida acorde generosa e resolva lhes presentear novamente. Bons momentos nada mais são do que isso, presentes que nos fazem sorrir como criança ao receber um brinquedo no dia do Natal. Feliz daquele que sabe reconhecê-los e apreciá-los. Sábio aquele que não desiste de lutar por eles.

Analogia de quinta

Imagem original em: corporativismofeminino.com

O ato de dirigir pode ter muita semelhança com o modo como administramos a própria vida e as situações do cotidiano. Ontem, enquanto refletia sobre minhas limitações iniciais ao conduzir o carro pelo trânsito de Itajaí, tive essa clara percepção. Dirigir exige raciocínio rápido, poder de decisão, confiança e coragem na execução e, acima de tudo, paciência – com os outros e consigo mesmo. 

Sendo assim, perder uma oportunidade na vida é quase igual àquela sensação de perder o momento exato de entrar numa via estreita e descobrir que o próximo retorno fica a 3 km. Assim como na vida voltar ao mesmo ponto e ter outra chance de seguir o caminho desejado exige tempo e, deveras, algum prejuízo. Mas não tem como negar que acabamos aprendendo com o erro e ficando mais atento para a próxima experiência.

No meu caso, se a rua está livre… Obá! Arrancar o carro é quase moleza. A aceleração é no ponto e soltar a embreagem é algo bem natural. Mas se o retrovisor apontar alguns veículos atrás, pinta aquela pontinha (iceberg mesmo!) de preocupação em não deixar o carro apagar no sinaleiro. O coração acelera e aí, já viu… Assim como algumas escolhas que faço, a preocupação com o julgamento dos outros faz com que, por vezes, eu acabe perdendo a concentração e, consequentemente, a medida.

Conheço algumas pessoas que seguem pela vida sem saber que rumo dar a ela. São aqueles motoristas que, diante de um viaduto desconhecido, tem certa dificuldade em encontrar a direção certa. Outros, confiantes demais, seguem instintivamente e bem lá na frente percebem o erro. No trânsito ou em qualquer situação, quando não exagerada, a hesitação é saudável. A autoconfiança também.

 Em ambos os casos reconhecer os próprios desacertos é algo bastante promissor. Saber que pode contar com o apoio e a confiança de pessoas queridas, mais importante ainda. Aprender a receber os conselhos dos mais experientes exige um coração aberto, ser grato por tudo isso, subserviência. Não é permitido deixar-se dominar pela covardia. Os vencedores sabem que só é possível conquistar o destino experimentando os acertos e dissabores do caminho.

Uma cigana pelo caminho

A mulher surgiu do nada e tomou minha mão. Disse que eu teria vida longa, conduziu-me para um lado da calçada e perguntou se eu gostava do loiro ou do moreno. Achei graça daquilo – sei lá, pareceu que ela me confundiu com alguma adolescente dividida entre dois garotos da escola – e ela, então, tratou de elogiar minha simpatia.

Original em: myriamperes.mayte.us

Foi a curiosidade que me fez seguir adiante com aquilo. As histórias mirabolantes contadas por meu pai bastariam para eu ter dado meia volta e me afastado daquela mulher. Mas, repito, minha curiosidade venceu o meu senso de ridículo. Eu queria ver aonde aquilo iria dar. E vi.

Assim como os  hare krishnas que abordam as pessoas pelo centro da cidade, tratou logo de avisar que não iria cobrar nada. Entregou uma pedrinha para proteger-me da inveja de uma loira que teria feito trabalho para atrasar minha vida. Depois perguntou quanto eu poderia contribuir “de coração” com aquela proteção.

- Cinco reais – achei que a curiosidade valia o dinheiro.

A mulher, então, apresentou-me a uma senhora de idade que estava sentada sobre um canteiro do jardim. Elas falaram em um idioma que não consegui identificar qual era e a velhinha pediu que eu me sentasse também. Naquela altura percebi que a situação já estava indo longe demais. E se, por acaso, algum conhecido me visse ali?

A velhinha de branco também disse que eu teria vida longa. Perguntou sobre uma dor de cabeça e uma coceira nas partes baixas, que muita gente pode ter, mas que não era o meu caso. Ela não deixou por menos.

-“Então, cuuuuida”.

Logo perguntou sobre uma cirurgia na minha família. Como eu disse que ninguém tinha feito, ela novamente preveniu.

-“Então, cuuuuida”. E câncer, alguém já morreu disso, não morreu?

Dessa vez ela até acertou, perdi uma tia querida – mas que família, afinal, não perdeu alguém desse mal? – Pude ver no rosto da velha cigana um sorriso de satisfação por finalmente ter dado uma dentro. Era o que faltava para o golpe de misericórdia. Perguntou se eu gostaria que ela desfizesse o feitiço que jogaram sobre mim, queria que pagasse umas velas para ela quebrar o mal.

Como, definitivamente, aquilo já tinha ido longe demais. Disse que não tinha mais dinheiro. Ela insistiu e foi baixando o valor. Falei que não queria, entreguei os R$5 da pedrinha e fui embora. Depois joguei a pedrinha no mar.

Não gosto de ser preconceituosa e acho bacana conhecer e respeitar as crenças e valores culturais das pessoas. Existe charlatanismo, sim, aliás, existe aos montes. Mas no meio de tudo isso é possível encontrar pessoas e histórias sensacionais. Poderia ser que eu encontrasse uma cigana misteriosa, com uma bola de cristal e revelações extraordinárias, iguaizinhas àquelas dos filmes. Seria legal.

Neste caso fiquei foi com um pouco de receio, a energia daquelas mulheres era bem estranha mesmo. O namorado riu e perguntou por que dei atenção e dinheiro para elas. Bom, é como aquela velha história sobre bruxas. Não é que eu acredite nelas, mas vai que elas existam? Melhor não arriscar.

Devolvam a infância, por favor!

 
Imagem original em: kednagislen.wordpress.com

Ela não tem mais do que 10 anos, mas os pequenos ombros já sentem o peso da exigência por padrões estéticos. Todos os dias ela chega sozinha na academia. O olhar é desanimado e triste. Fica pelo menos uma hora alternando exercícios aeróbicos entre a esteira, bicicleta e outros aparelhos. Deveria estar se divertindo por aí, subindo em árvore, brincando de bonecas, pulando cordas ou jogando bola. Mas isso parece não fazer mais parte da infância dela – e de todo o resto das crianças também.

É triste pensar que cada dia mais cedo, os jovens sentem-se pressionados a adequar-se a um arquétipo de beleza. Na minha geração poucos eram os meninos e meninas com sobrepeso. Dizer que não sofriam pressões sociais seria hipocrisia da minha parte – a intolerância exclui o “diferente” desde que o mundo é mundo – mas, nessa época, academia era coisa para gente grande.

Corta-me o coração ver aquela menina, tão novinha, já fadada à busca pelo corpo “perfeito”. Acho muito pouco provável que a procura por saúde e qualidade de vida tenham sido o motivo de estar matriculada numa academia de ginástica. A sociedade da beleza e da felicidade constrange-se muito mais com o gordo ou o narigudo do que com aquele que não goza de boa saúde.

A infância está durando cada vez menos e ninguém faz nada. Ninguém tem mais tempo para cuidar dos filhos. As crianças não podem mais brincar na rua, não soltam mais pipa, não apanham fruta no pé, muito menos andam de bicicleta com os coleguinhas. Computadores e videogames, há tempos, substituíram as bonecas e os carrinhos.

E o resultado disso tudo? Crianças hipertensas, diabéticas, depressivas e, cada vez mais cedo, aprendendo a conviver com problemas de gente grande. Não sou mãe, não eduquei criança alguma e tão pouco posso mensurar o quanto deve ser difícil formar outro ser humano. Mas com meus vinte e poucos anos sou capaz de perceber que as crianças estão pagando um preço alto por essa vida moderna. E só Deus sabe onde isso vai dar…

Guerra dos sexos: a discussão continua

 

Imagem original em: www.luxoseluxos.com.br

Há uns 4 anos publiquei no Diário um post que rende ibope até hoje: “Do que as mulheres realmente gostam”. Certamente foi o mais polêmico que escrevi, pois muita gente que leu acabou manifestando-se sobre o tema. Desde então o blog recebeu comentários surpreendentes, de homens e mulheres. Desde relatos de experiências pessoais até pedidos de conselhos amorosos. Com tudo o que me disseram a cerca do assunto, posso dizer que as opiniões sobre o amor e o par perfeito são as mais diversas possíveis.   

Como o desabafo foi escrito em outras circunstâncias de vida, digo que hoje não vejo as coisas exatamente da mesma forma. Já superei aquela fase de procura pelo príncipe encantado – até porque acho que já encontrei o meu (risos) – então, quando leio aquele texto, vejo o quanto estava falando de mim mesma, da pessoa que eu gostaria de encontrar.  O que eu diria aos homens hoje é que saibam identificar o que a “sua” mulher está procurando, aquilo era o que a Carina buscava naquele momento.

Continuo pensando que todas nós queremos um grande amor, embora há muito tempo essa não seja mais a nossa única razão de viver. E aí entra aquela questão de carreira profissional, liberdade e tudo o mais. Na verdade estamos querendo alguém que consiga se encaixar no meio de tudo isso, que saiba respeitar este espaço e nos apoiar quando precisarmos. Estamos atrás de um parceiro-amigo-amante. E tudo isso é recíproco, claro.

Outro dia fui numa dessas baladas sertanejas e fiquei chocada com o desespero de boa parte da mulherada. Parecia estar no meio de uma guerra, numa disputa pelo lanchinho do McDonalds – naquele caso o recheio nem era hambúrguer, era o órgão genital masculino mesmo. Pode até parecer machismo, pois durante muito tempo só os caras tiveram essa postura de “caçador”, mas achei exagero demais. Lutar pelo bofe na festa é normal, mas se comportar vulgarmente me parece um retrocesso a todo o respeito que lutamos para conquistar no mundo.

Gosto de saber que conquistamos nosso espaço através da nossa capacidade de batalhar a vida, de sair de casa cedo para o trabalho, para os bancos das universidades e que hoje temos o nosso próprio dinheiro e não dependemos de ninguém para pagar ou gerir nossas contas. Muitas mulheres tiveram que queimar seus sutiãs, no passado, para que hoje pudéssemos ir ao shopping e comprar nossos lindos sapatos sem pedir permissão a ninguém. É frustrante ver que algumas de nós canalizamos esta conquista apenas à liberdade sexual. E continuam se comportando como se fossem um pedaço de carne em busca de um par de calças com um bom extrato bancário para levá-la ao altar.

Falar da relação entre homens e mulheres é um assunto muito amplo mesmo, rende muitas discussões aleatórias. Envolve conceitos a cerca da liberdade, do respeito, do feminismo, do machismo e uma infinidade de valores e tabus que para o bem ou para o mal estão sempre se modificando. Quisera eu, ter a receita certa para quem está a procura de um amor. Se você leu o post até o fim esperando encontrá-la, me desculpe, sou uma mera blogueira aprendendo a viver. Mas se ficou curioso para saber o que andam falando sobre o assunto, acessa o post lá pra ver:

http://diariodecarina.wordpress.com/2007/11/27/do-que-as-mulheres-realmente-gostam/#comments

Feito Emília tagarela

Imagem original em: www.kenner.com.br

Sou uma pessoa que, definitivamente, gosta de histórias. Ler, ouvir, contar, relembrar, discutir ou filosofar sobre as coisas sempre me encheu de entusiasmo. Gosto de transformar casos corriqueiros em fábulas, como se tudo tivesse a obrigação de ter uma moral ou ensinamento no fim.

Gente de perto, de longe, de agora ou de muito tempo dão vida às memórias. Parece que tudo tem a ver com algo já vivido, experiência própria ou compartilhada por outro personagem do caminho, como aquela heroína do livro, o professor do primário ou a senhorinha que cuida da limpeza lá no trabalho.

E toda vez que eu transmito aquela história para alguém, seja ela boa ou má, é para que de alguma forma ela contribua para quem ouvir. Eu, pelo menos, gosto de aprender através da vivência dos outros. Eu gosto de escutar as pessoas e levar suas histórias adiante. Dou valor a isso.

Mas nada disso é caso pensado não, nada disso tem intuito de impressionar ou provocar quem quer que seja. Eu sou assim mesmo, muito empolgada com tudo. Comigo sempre foi emoção à flor da pele. É por isso que não sei ser feliz medindo as palavras pelo gosto e julgamento dos outros.

Tem gente que admira, tem gente que odeia, para alguns simplesmente não faz diferença. Paciência, né? Até hoje também não conheci ou convivi com alguém que fosse perfeito. E para isso tem um conceito perfeito: TOLERÂNCIA. Inclusive foi muito bem trabalhado por uma professora da faculdade lá pelos idos do 4º período e blá… blá… blá…

Mudanças pelo caminho

A mudança é algo inevitável. De repente aquilo que parecia ser o ideal passa a não servir mais. Aquelas pessoas que a gente admirava passam a ser simplesmente humanas. As músicas favoritas tocam despercebidas, os bons livros são substituídos por outros mais interessantes. Tudo perde o sentido. E você já não se reconhece mais.

É quando tem a chance de reencontrar tudo aquilo que te fez feliz. E aí percebe não ser bem daquele jeito que você reviveu milhares de vezes em pensamento. E descobre que a memória é engraçada, seletiva e, por vezes, fantasiosa. Guarda só os momentos bons e os enfeita para que pareçam bem melhores do que foram. E você passou tanto tempo se alimentando de uma falsa nostalgia. Esqueça, pois você mudou. Mudou pra valer.

No final vai se pegar rindo das roupas cafonas que vestiu, das músicas bregas das quais gostou e das fotografias antigas. Vai duvidar dos artistas superficiais que admirou e dos amores que ficaram no passado. Debochará de si mesmo e dos ideais que tinha. Perceberá que não vai conseguir mudar o mundo e nem as pessoas ao seu redor. E na pior das hipóteses terá tornado-se exatamente aquilo que mais desprezava.

É provável que tenha chegado o momento decisivo. Aquele em que precisa urgentemente voltar a sonhar. Voltar a mirar lá no alto, devolver sentido à vida. Mudanças continuarão existindo, para o bem e para o mal. Você poderá ignorá-las ou não, mas se tiver um sonho elas terão valido a pena.

Para pensar

“Aprendi com o jornalismo que ninguém consegue escrever nada perfeito, que assuntos são intermináveis e que ninguém tem a última palavra, porque a palavra está sempre no meio. As pessoas me perguntam como eu faço. Eu faço porque gosto. Faria até de graça, mas não fala pra ninguém.”

Palavras do antropólogo Roberto Damatta, também colunista do Estadão – em entrevista à Revista Imprensa, nº 267.

Porque ninguém é de ferro

Araras são colírio no Zoo

Araras são colírio no Zoo

Entre releases, maillings e kits de imprensa, uma paradinha para uma foto no Zoo. Os radicais que me desculpem, mas depois dos shows, este é um dos lugares que eu mais aprecio no Parque. Não preciso dizer o porquê, né?

Penha. Uma foca. E um Parque de Diversão

Já tem um mês que não ouço mais as buzinas do barulhento cruzamento da Uruguai com a Contorno Sul. Nem tenho a biblioteca da Univali a menos de cinco minutos de casa. Sinto falta de ter o supermercado Angeloni pertinho do apê, confesso. Mas a brisa do mar recompensa.

Praia da Armação de Itapocoroy – Original em:www.pousadapenaareia.tur.br

À noite, tudo aqui é silencioso. Ouço latidos que vem de longe. Quando o mar está bravo, também dá pra ouvir as ondas quebrarem na areia da Praia da Armação, que fica há uma quadra daqui. Penha é uma cidade tranquila, ainda não foi completamente invadida pelas construtoras que cobrem de concreto o litoral catarinense – por quanto tempo?

No início, estranhei o fato de não ter calçadas entre a casa e o trabalho. Estranhei mais ainda ser forçada a andar sobre o asfalto em dia de chuva. É que há dias em que as poças invadem o acostamento.

Semanas depois adotei um percurso alternativo, que me economiza cinco minutos de caminhada e ainda não me obrigada a andar a beira da rodovia. Neste caminho respiro verde e a estrada ainda é empoeirada. E um lagarto cruzou meu caminho ainda outro dia. Tem uma pinguela* que me leva ao meu destino. Acho que não cruzava uma dessas, desde os meus cinco anos.

Mas a nostalgia me pegou de jeito mesmo, quando um senhorzinho usando botas de borracha mudava os bois no final da tarde. “Ea, ea, ea boi”. Pronunciava repetidamente enquanto a corda era puxada para outro pasto. Na verdade é impossível descrever este som com fidelidade. Mas quem nasceu na roça entende. O som me remeteu ao Poço Negro (lugarejo onde vivi na infância), aos mesmos costumes dos tios, à casa da minha vó. Lembrei-me das roças de fumo e de milho, das granjas de arroz, da horta e dos pés de abacate e bergamota nascidos junto à cerca.

Respirei feliz.

A verdade é que a gente vai de adaptando ao meio. E não percebe. Menos de cinco anos foram suficientes para me urbanizarem. Esse contraste me fez refletir sobre os rumos que a gente escolhe e todas aquelas coisas que deixamos para trás em busca dos nossos sonhos. Digo que talvez não fosse feliz vivendo numa grande metrópole, o que não significa que não fosse capaz de me adaptar a ela. Hoje eu diria que nos adaptamos a qualquer coisa. Boa ou ruim, por comodismo ou por necessidade, toleramos tudo. Entendam que tolerância não é sinônimo de felicidade.

Nem dá pra imaginar que o que me trouxe até aqui foi uma oportunidade de colaborar para a assessoria de imprensa do maior parque temático da América Latina, o Beto Carrero World – ainda mais depois da descrição do bairro em que moro. E mais, que este lugar fica há menos de um quilômetro da praia. E que no caminho que me leva do trabalho ao mar, posso encontrar répteis e bovinos e ainda atravessar uma pinguela.

Penha é mesmo uma cidade muito engraçada. E eu, uma boba (ou seria tola?).

Pinguela*: Ponte improvisada com troncos, sem proteção e estreita.

Talvez não seja tal qual Hollywood

Talvez o amor não ligue de meia em meia hora pra dizer que tem saudades. Mas pode ser que ele desça 10 andares de escadaria trazendo sua mobília nas costas.

Talvez o amor não tenha o charme e a virilidade tão evidentes no Clark Gable, mas pode ser que seu amor viaje 20 km só para instalar seu botijão de gás.

Talvez o amor não seja tão simpático com seus amigos e com sua família, mas tenha certeza que ele nunca te envergonhará ou te humilhará diante deles.

Talvez o seu amor não tenha hálito de hortelã todas as manhãs, mas assim como você, escovando os dentes fica tudo legal.

Talvez o amor não te surpreenda todos os dias, mas pode ser que ele lave o chão e a louça enquanto estiver no trabalho.

Talvez o amor não te faça promessas de compromisso eterno, mas pode ser que sua lealdade seja muito mais do que você precisa para viver.

Talvez o amor também não concorde sempre com você, mas esteja certa que lhe dará apoio quando precisar.

Talvez não seja tão engraçado quanto o Adam Sandler e nem tente nada mirabolante para te reconquistar todos os dias, mas lembre-se que você também não é a personagem da Drew Barrymore.

Talvez não tenha mais paixão todos os dias, mas desconfie porque a paixão infinita é uma invenção da humanidade, uma ilusão e uma eterna procura.

Talvez o amor não diga que te ama tanto quanto você imagina precisar ouvir, mas talvez a demonstração esteja em cada atitude que você precisa saber valorizar.

Talvez o seu amor aconteça todos os dias enquanto você espera por um romance hollywoodiano.

Sobre o dia D

 

Jornalista diplomada

 Estive pensando. A maioria dos meus leitores são amigos internautas, pessoas que nunca encontrei pessoalmente. Durante os últimos tempos, eles tem acompanhado minhas postagens sobre fatos do meu cotidiano. Coisas boas e ruins. No meio disso tudo, acho que fiquei devendo um post sobre minha formatura, sobre  um dos momentos mais emocionantes que já vivi.  

Dizem os publicitários que uma imagem vale mais que mil palavras. Como jornalista eu poderia dizer que há controvérsias.  Mesmo assim, achei que desta vez poderia economizar nas palavras e postar algumas fotos e vídeos (não-oficiais ainda) feito pelos meus convidados e amigos de carne e osso.   

Companheiros da blogosfera, visto  que não puderam estar presentes neste dia, compartilho com vocês alguns destes momentos: 

Flagrada pelo telão

Colando grau - literalmente

Entrega do canudo (professor Praxedes)

Arremesso de capelos
 

O caçula - futuro acadêmico da família

Entrada do Baile

Muito glamour

A valsa do namorado

Amiga, irmão e cunhada

 

Cunhada, prima e sogra

 

A outra

 

Eu, mano e a outra

   

  

 

Não encha minha taça, por favor!

Foi a Fran, minha colega da faculdade, que arranjou o meu primeiro freela, numa revista voltada para área de arquitetura e construção civil. Também foi ela que me meteu naquela enrascada, nossa primeira cobertura de evento. Tratava-se do pré-lançamento de um condomínio luxuoso, numa das praias mais paradisíacas do Estado – quiçá do país.  Chegamos ao local  meio atrapalhadas, com aquela sensação de não saber direito onde pôr as mãos.  Mas começamos bem, ela conseguiu o carro-zero-vermelho-lindo-da-irmã-dela para irmos até lá (mesmo emprestado, era bem melhor que o Fusquinha dos repórteres do seriado A Vida Alheia). Estávamos em busca da capa da próxima edição da revista. E, claro, estava escrito foca em nossa testa.

 Toda aquela gente chique e eu estava lá, de calça jeans mas eu estava. E ela também. Só foca chega na hora marcada e se depara com a  high society e um salão ainda vazio.  Tudo bem, me senti meu ridícula de começo, mas pelo menos eu tinha ido de scarpin e camisete. Lembrei das aulas da faculdade, aquelas dicas dos professores sobre não iludir-se com eventos, da fácil ilusão do jornalista em acreditar-se parte da “nata” e esquecer-se de que só está ali por causa do trabalho. Pensando assim, estava coerente com minha função. E ela também.

Caramba! O garçom me ofereceu um daqueles pratos de salada grã-fina e eu aceitei só pra saber que gosto tinha. Descobri que era ruim de doer – tinha rúcula. Eca! Mas foi nesse dia que bebi champanha autêntica, comi salmão e experimentei um camarão que tinha mais carne do que coxinha de galinha. O bichinho era gigante mesmo, e bom.  Aqueles doces de damasco. Hummm… Ser rico deve ser muito prazeroso – principalmente quando não se tem peso na consciência em pensar que muita gente passa fome e tem a miséria como uma condição imutável na vida.

Ficamos combinando as perguntas que não poderiam faltar. E no final, nem perguntamos nada. O idealizador apresentou o projeto, o prefeito da cidade completou com outras declarações no seu português fanho e simpático. Mais bons goles de champanha. Risadas. Exemplares de revistas concorrentes dando sopa. Mulheres siliconadas, de cabelos com aplique e narizes à moda Ivo Pitanguy posando ao lado de seus acompanhantes, normalmente coroas e cheios de sorrisos de satisfação.  Fran fazendo anotações em seu bloquinho e eu tentando imaginar como seria a ressaca de um porre de champanha – até hoje só tinha tomado Cidra. 

Foi apenas a primeira noite de duas repórteres iniciantes. Mas já deu pra sentir como as coisas funcionam na prática. Na próxima, levo meu terninho. E para o meu próprio bem, procuro ficar longe da rota dos garçons.

Enfim, jornalista!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Talvez você já tenho lido parte do texto abaixo. Foi publicado no final de 2008, por mim mesma. Há duas semanas da minha formatura, será que me permitem um autoplágio?

Longe de casa, a mais de uma semana 

Eu não estava acostumada a ter de esperar o sinal fechar, para só então atravessar a rua. Eu me sentia tão pequena diante de todos os prédios, diante do movimento dos carros na ruas, de tantos rostos estranhos andando pelas calçadas.

Nada me era familiar por aqui. Eu não conhecia nenhum daqueles bairros descritos nos destinatários dos ônibus. Bambuzal. Costa Cavalcante. Cordeiros. Pedra de Amolar – onde será que fica isso?!?

Na despedida do meu último programa na rádio, sucumbi ao choro. Na saída de casa, dei um beijo no irmãozinho que ficou dormindo. A mãe ficou choramingando baixinho no portão. O namorado ficou encostado ao muro. Ele estava calado. O pai deu as recomendações. Pediu para telefonar diariamente. E para que não hesitasse em voltar para casa, caso as coisas não saíssem do jeito que  eu esperava. 

Na mochila vieram somente peças de verão. O taxista sorriu quando viu o bicho de pelúcia junto da pequena bagagem:

- Ela trouxe até o “ursinho” com ela.

 Aquele comentário, de repente, fez eu me sentir tão ridiculamente infantil. Mas a verdade é que o homem não sabia que o “ursinho”, que na verdade tratava-se de um cachorrinho,  tinha sido presente do namorado no último natal. Ele também não reparou que o bichinho trazia um perfume especial. E sequer imaginou que dormi sentindo aquele cheirinho enquanto  ele durou. 

Como meu pai já alertara, as coisas não saíram como eu esperava. Foram muito melhores e, ao mesmo tempo, muito piores. Minha vida deu um giro de 180 graus. Num lugar de iguais, foi bem difícil ser autêntica, ser o que sempre pude ser. Vi meus modos provincianos serem condenados. Mas foi aqui que eu conheci um mundo novo. 

Aqui me tornei mulher. Aqui ‘aprendi’ a cozinhar e a cuidar de mim mesma; Mentir que estava bem e, às vezes, até fingir que estava mal. Ganhei peso. Perdi cabelo. Ganhei amigos. Arranjei – quem diria? – até inimigos. Morei só. Dividi apartamento. Chorei de tristreza. Me apaixonei. Tomei o primeiro porre. Conheci lugares lindos. Peguei praia, balada e até enchente – quem poderia acreditar que viria da Terrra das Enxurradas para encontrar enchente justo aqui? 

Passados três anos que estou longe de casa (agora quatro e meio), é estranho ver como o tempo passou depressa. Os prédios parecem menores agora, a cidade parece ter diminuído de tamanho. Os amigos se multiplicaram. A saudade também. Sim, aqui eu vivi verdadeiras Emoções. E é por essa e tantas outras razões que não me canso de cantar a música de Roberto e Erasmo Carlos (a mesma que irá tocar na hora em que for ao encontro do meu canudo): 

"(...)
 São tantos momentos 
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...
 
Amigos eu ganhei
Saudades eu senti partindo
E as vezes eu deixei 
Você me ver chorar sorrindo...
 
Sei tudo o que o amor
É capaz de me dar 
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
 
Se chorei ou se sofri
O importante é que emoções eu vivi" 

Nesta fase de conclusão de etapas, surge certa nostalgia. As inevitáveis  retrospectivas a cerca dos acertos e tropeços do caminho. Um misto de cobrança, por ainda não ter o emprego que eu gostaria, e orgulho por ter vencido a luta. Não preciso lembrar a ninguém o quanto foi dolorosa em alguns momentos e também gratificante, em tantos outros. Só peço que não me perguntem como vai ser agora. Não sei de nada. Quando aqui cheguei, pensava que aqui não ficaria. Agora que seria o momento oportuno de partir, bom… Tenho fortes razões para querer ficar. E com isso deposito toda minha esperança na máxima de que “tudo tem seu próprio tempo”.

Quem sou eu para querer duvidar de sua generosidade, depois de todas as experiências que eu relatei aqui?

 

Carina pós-TCC

Formandos de Jornalismo da Univali – Turma 2010/I

Os resultados da banca não poderiam ter sido melhores. Os comentários sobre o documentário foram bem positivos e, pra minha surpresa, de quebra ainda tirei nota 10. Foi legal justamente porque tinha esquecido o doce sabor de um bom elogio – quem me conhece, sabe que não sei lidar muito bem com isso. Na verdade até relutei em vir contar isso aqui. Sei lá, fiquei com medo de pecar pela vaidade.  Mas reconheço que seria hipócrita se dissesse que um resultado desses não faz bem para o ego. 

Agora estou naquela fase da conhecida faxina pós TCC e dos preparativos para a formatura. Posso dizer que os homens nunca vão entender a satisfação de provar um vestido de gala, de testar penteado e maquiagem, de vibrar porque conseguiu ficar uma semana sem quebrar as unhas (o maior desafio de todos!) e todos esses pequenos prazeres femininos. Acho que um pouquinho de futilidade, de vez em quando, não mata ninguém. Se for pecado, então peço para descontar na minha quota de boas ações (se é que eu tenho alguma).

Parece que o mês de julho tem sido generoso comigo. Depois de sete anos, ontem finalmente tirei o aparelho. Estava com aqueles arames presos aos meus dentes desde os 17, então é natural que agora eu precise reaprender a sorrir. De repente parece que fiquei com os dentes muito brancos e enormes demais. Mas acho que daqui um tempo acostumo com isso.

Às vezes me pergunto se não me acharei uma ridícula no futuro, por ficar aqui escrevendo tanta coisa inútil e desinteressante. Vai chegar o dia em que reler esses textos provocará uma espécie de ressaca moral, assim como os encontros com meus diários adolescentes lá em casa. Escritos com letra caprichada e conteúdo zero, no lugar das figurinhas do Mickey restaram só buracos (meu irmão recortou as figurinhas) e uma baita vontade de queimar a maior prova de minha ignorância juvenil.

Ando meio sumida aqui do Diário, eu sei. Aqui no blog compartilhei todas as minhas angústias e felicidades da vida acadêmica, mas não sei se daqui pra frente ainda vai fazer algum sentido mantê-lo. Talvez bastasse substituir o slogan “Confissões, Crônicas e nostalgias de uma Pseudo-Jornalista”  para “Confissões, Crônicas e nostalgias de uma Foca”. Sei lá… Alguma sugestão?

Pelo sim e pelo não, por hoje digo que é bom estar de volta.

Reta final

Há mais de duas semanas que conclui a edição do meu documentário, intitulado como Prisioneiros do Tráfico. Queria o tempo de 15 minutos no máximo, mas o vídeo acabou fechando em 2o. E ficou tanta coisa importante de fora, que faria algumas cenas extras se pudesse - só  jornalista entende como dói cortar sonoras interessantes. Pra quem não sabe, meu vídeo discorre sobre jovens que cumprem medida sócio-educativa em Itajaí e será meu trabalho de conclusão de curso (TCC).

Pra quem ficou curioso, segue o resumo do tema:

Prisioneiros do Tráfico é um documentário sobre jovens que cumprem medida sócio-educativa no município de Itajaí, Santa Catarina. Entre as diversas razões que contribuem para estes adolescentes entrarem em conflito com a lei, a aquisição de bens de consumo e o comércio ou consumo de drogas ilícitas se mostram como as principais causas. A prática do ato infracional normalmente está relacionada ao sustento do vício. É estimado que 80% dos assassinatos de jovens, entre 10 e 17 anos, estejam relacionados à droga no Brasil. Diante desta realidade, muitos veículos de comunicação tratam o assunto superficialmente, contribuindo apenas para a banalização do problema. Um dos objetivos deste vídeo é justamente desvendar o que está levando crianças para este universo de delinqüência, priorizando a fala deles próprios a cerca da sua vivência no crime. Ao ganhar voz neste vídeo, os adolescentes do Centro de Internamento Provisório (CIP), aproveitam para falar de suas biografias, sonhos, anseios e perspectivas. Através de seus relatos é possível perceber o contexto social que os circunda e avaliar a ausência de políticas públicas direcionadas para jovens em situação de risco.

Infelizmente não posso publicar o vídeo aqui no blog, mas minha banca será aberta. Está marcada para  dia 06 de julho, às 17h, sala 201 do bloco 11 da Univali. Estou muito ansiosa, mas asseguro a vocês que ficarei feliz em ver carinhas conhecidas por lá.

Até breve!

Dezoito meses depois de um sim

Foi tão absurdamente bonitinho quando ele pronunciou o ”Quer namorar comigo?”, que até me deixou sem fala ali no portão do meu prédio. Logo eu que nunca fico sem fala. Naquele dia eu fiquei. E não fui capaz de dizer que sim, nem que não. Não sabia se estava preparada pra ser tão feliz, tão amada, tão correspondida.

Foi aquele cara que tanto queriam me apresentar e eu não botava fé. Foi justamente aquele que eu achava novo demais para mim. Debochado demais para mim. Virginiano demais, para uma ariana tão impulsiva. Detalhista demais, para uma pessoa ansiosa e por vezes até impaciente demais.

Eu ainda lembro da nossa primeira sessão de cinema. Fiquei pensando se era cedo demais para andarmos pelo shopping de mão ou se ainda devia fingir que era mais uma amizade colorida e despretensiosa. Foi quando ele tomou a iniciativa e procurou a minha mão para segurar. E eu gostei demais daquilo.  Foi a primeira vez em que eu me senti a namorada dele, mesmo não sendo.

Hoje não sei como seriam os domingos sem tentar fugir das suas mordidas na minha buchecha. Não sei como seria ficar ao lado de alguém que não discordasse de mim ou então que não reclamasse de azia e dor no joelho o tempo todo. Não sei para quem eu falaria mal dos clientes chatos do meu trabalho. Não sei quem poderia me convidar pra ir à missa todos os finais de semana ou para quem eu teria tanto gosto de cozinhar.

Quando a gente encontra alguém assim, compreende o que é amar de verdade. Amar até as coisas mais bobas e os defeitinhos mais xaropes. E também acaba querendo ser alguém melhor pra fazer quem a gente gosta ainda mais feliz. E tudo o que eu faço hoje não é mais pensando só em mim, é pensando nele também. No amor que eu quero ter pra vida toda.

Reflexos de um mundo artificial

Depois de um tempo namorando sério, a gente até se pega sentindo falta da época de festas e badalações. Sempre gostei de sair pra dançar, confesso que por um tempo isso foi essencial na minha vida. Mas basta sair para uma balada onde a música não seja tão agradável aos meus ouvidos, para que eu possa parar e avaliar o vazio que contamina os jovens de hoje.

A noite é perfeita para eu reparar que todas as meninas estão usando o mesmo vestido preto e justo ou a mesma saia de cós alto. É ideal para eu reparar que todos os caras tem o mesmo comportamento de “el pegador” e o mesmo corte de cabelo e, que o copo de whisky ou a latinha de cerveja, estão sempre lá. Feito bengalas, estão presentes em todas as poses que o carinha do site já está acostumado a fotografar.

Na entrada sempre aquele empurra-empurra, aquelas garotas mal educadas que berram ao celular enquanto acenam para amiga vir furar a fila também. Aqueles guris babões que deixam toda garota com decote passar na frente, crentes de que ficarão com eles lá dentro. Doce ilusão.

FOTO: Autor desconhecido

Ser jovem é bom, poder sair e celebrar a juventude é melhor ainda. Eu também gosto de sair e me divertir, mas eu não gosto de sair e perceber que perdemos a nossa própria identidade. Eu não gosto de admitir que os jovens da geração passada derrubaram uma ditadura, sendo que os jovens do meu tempo desperdiçam a sua juventude jogando Colheita Feliz no Orkut.

Desculpe se pareço idealista ou generalista demais, mas estas coisas realmente me perturbam. As pessoas se preocupam tanto com a beleza e o status e não percebem que crianças estão usando e vendendo crack nas ruas, porque não possuem perspectivas de futuro. Elas estão se drogando porque aprenderam que o mundo é um lugar que só valoriza o dinheiro, não importando de onde ele vem e à custa de quê.

É tudo culpa deste mundo artificial, onde as luzes californianas custam 250 reais e uma garota pobre não pode pagar – e por isso se prostitui. É tudo culpa deste mundo digital, que impõe que a troca de celular deve ser feita duas vezes ao ano, para que não te considerem ultrapassado.

Seremos uma geração de adultos alienados? Saberemos ensinar para nossos filhos o verdadeiro valor da vida? Deixo para vocês refletirem e responderem, mesmo que seja para si mesmos.

Promessa cumprida

Durante o último semestre do ano passado, cheguei a comentar por aqui o projeto de criar um portifólio para postar algumas das minhas produções jornalísticas. Já tem um tempinho que criei o tal blog, mas como a prioridade do momento é a filmagem e produção do roteiro do meu documentário… Bom, o link acabou ficando à margem do Diario mesmo. Ali no cantinho, meio esquecido.

O portifólio ainda está em fase de construção, mas já possui algumas reportagens. Outro dia  postei um microdocumentário sobre as dificuldades de um cadeirante ao trafegar pelas ruas do centro de Itajaí, realizado para a disciplina de telejornalismo. Para os poucos recursos dos quais dispunhamos, até que ficou bom. 

Quem quiser dar um espiadinha no blog e no vídeo, o link é este: http://carinacarboni.wordpress.com/

A ingrata e apaixonante arte de ser jornalista

Sempre ouvi dizer que o fato de possuir certa sensibilidade faria de mim uma boa repórter. Visto que as notícias são feitas sobre e para pessoas lerem, até reconheço que esse atributo garanta ao jornalista uma visão mais humana sobre os fatos e sobre as fontes. Isso é bom para a reportagem, mas na prática da atividade, admito que muitas vezes gostaria de trocar a sensibilidade pela simples e prática cara de pau.

Imagem: (autor desconhecido)Outro dia, quando produzia uma matéria para tentar uma vaga de estágio, recebi um sonoro NÂO da fonte. O fato ocorreu na frente de um monte de gente lá no Mercado do Peixe. Como verdadeira mestra na arte da sensibilidade, dei as costas e deixei o local com olhos marejados de lágrimas. Senti-me ridícula durante vários dias. Afinal, de que adiantou minha sensibilidade numa hora dessas? Ela não contou nenhum ponto para o dono do jornaleco. Para ele só importava que eu trouxesse alguma declaração daquela fonte e, infelizmente, não deu para incluir a sensibilidade no currículo.

Mas decepções a parte, o que mais me incomodou foi pensar que a repercussão daquela matéria certamente traria aspectos positivos para aquela fonte, mas ela preferiu simplesmente me ignorar na frente de todo mundo. Caramba, eu estava brigando pela sua causa (e pelo meu futuro estágio também, claro) e ela estava sendo grosseira comigo. Como sempre, caí na velha e batida discussão sobre a ingrata e apaixonante arte de ser jornalista.

Na faculdade aprendi que ser repórter é, antes de tudo, não se importar em importunar as pessoas e nunca ter vergonha de se meter onde não é chamado e até mesmo de entrar em locais onde não é bem vindo. Estou careca de saber que o bom repórter não pode desistir na primeira ligação falha e no primeiro não que a fonte dá.

Para conseguir uma notícia muitas vezes o jornalista liga, insiste, faz plantão de horas em salas públicas, chega a agir feito capitão do mato em busca da fonte fujona e o seu prêmio resume-se apenas ao furo do dia seguinte, que normalmente não lhe rende dinheiro algum – talvez algum prestígio entre os colegas.  Mas o jornalista briga por ele como se valesse um Pulitzer.

Nem todo mundo entende isso. Mas é natural, pois se trata de paixão. E paixão nunca tem explicação lógica mesmo.

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Todo Mundo Lê o Diário

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Carina por ela mesma

Brasileira. Catarinense, mas quase gaúcha. Filha da dona Rozalina e do seu Alírio. Praiagrandense e acolhida pela maravilhosa cidade de Itajaí/SC. Neta da dona Floripe e do nono Carboni. Jornalista (ou seria foca?). Namorada do Cleber. Idealista por natureza. Cantora de chuveiro. Ariana. Gremista. Ex-coroinha. Prima do Alain. Colega da Luana Lemke. Blogueira. Egressa do Bulcão Viana.

Foi um desastre nas aulas práticas de educação física, mas tirou boas notas em redação durante o ginásio e o colegial. Desde o berço o seu lance é comunicação, dizem que aprendeu a tagarelar antes mesmo de dar os primeiros passos. Em 86 encantou fiéis com assovios durante as missas. Em 99 devorava três livros por semana e era fã de Sandy e Júnior. Locutora de Rádio entre 2002 e início de 2006. Cursou Letras na Unisul em 2005. Logo depois, ao sair de casa para morar 400 km distantes da terrinha natal, também viria a tornar-se escrava do lar.

Rói as unhas quando está nervosa. Gosta de café com leite, mas com mais café do que leite. Tem saudades de casa, mas viaja pouco porque odeia andar de ônibus. Gosta de dançar e de comer leite condensado de colher. Ouve Marisa Monte pra ficar em paz e faz faxina todos os sábados.

Dica: Se não gosta de pimenta, alho e cebola, não prove do seu tempero.

Como jornalista deixa claro que hard news não é muito a sua praia. Ainda não tem carteira de habilitação. Gosta de maquiagem e literatura, mas entre ser bonita ou inteligente, fica-com-a-inteligência-obrigada. Adora receber comentários neste blog e ver o índice de visitantes crescerem a cada dia. Pode ser que ela esteja no caminho certo, mas ela sabe que somente o tempo é quem vai dizer.

Essa é a versão da Srta. Carina Carboni by ela mesma. Sinta-se a vontade para ter a sua.

Soltaram o verbo por aqui:

Carina Carboni em Analogia de quinta
Marina Kuwahara em Analogia de quinta
Sara Cardoso em Analogia de quinta
Jocemara em Analogia de quinta
Gizelle em Analogia de quinta
nelson antonio em Uma cigana pelo caminho
Manoel Mafra. em Devolvam a infância, por …
Manoel Mafra. em A revolta de uma leitora …
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